terça-feira, 28 de maio de 2013

Experiências nutricionais com vacas - Poster presentation 28/05/2013

Hoje tenho uma das apresentações mais importantes no meu curso aqui no RAC, para o módulo Advanced Animal Production. Trata-se de um poster de cariz investigacional, que pretende explicar um avanço tecnológico na àrea da pecuária e resultados obtidos a partir do mesmo.
 
Escolhi trabalhar numa àrea que me chocou/fascinou. Para se obter um melhor conhecimento do sistema digestivo das vacas, pode-se instalar uma espécie de bolsa de borracha (ver foto abaixo) que tem acesso directo ao estômago (rumen) do animal. Desta forma pode-se observar ao vivo (sim, ao vivo!!), o que se passa no estômago do animal e permite particularmente fazer estudos sobre quais os melhores alimentos em termos de degradação de proteínas. Desta forma poderá ser possível alimentar os animais de forma mais eficiente, dando-lhes rações que não desperdiçam tantos nutrientes importantes pelas fezes ou pela urina.
 
Em termos de bem estar dos animais fiz alguma pesquisa e não existe qualquer impacto. Não existem relatos de complicações, sendo esta uma técnica usada há quase 150 anos, mas que foi evoluindo obviamente. Aliás, esta técnica foi descoberta em 1812, quando um soldado americano ferido por um florete, ficou com uma abertura no estômago e não lhe deram mais de 1 dia de vida. Ainda viveu mais 40 anos e sempre com a abertura no estômago visível. Ao que parece, não há infecções porque o estômago tem uma elevada capacidade de limpeza das mesmas!

 Segue a foto do poster que vou apresentar!
 
Think about it!
 

terça-feira, 21 de maio de 2013

O Futebol em Portugal - emoções à flor da pele!

Adoro futebol. Aliás amo futebol.

Mas preocupa-me a situação para que caminhamos hoje em dia em termos de rivalidades clubísticas e pergunto-me o que poderá ser feito para evitar a escalada de violência fisica e de palavras a que assistimos hoje em dia.

Se hoje tivesse 7 ou 8 anos, acho que não poderia gostar do futebol da mesma maneira que gosto, pois a minha aproximação a este desporto aconteceu num outro quadro: um ambiente saudável e de puro amor pelo desporto.

Quando tinha 6 anos vi o Porto ganhar a Taça dos Campeões Europeus. Lembro-me que a taça era grande e lembro-me do capitão de equipa João Pinto que não largava o troféu por mais que os seus colegas lhe pedissem. Estávamos em 1987.

No ano antes, 1986, já exultava com a colecção de cromos da Panini do México 86, e desde então que faço todas as colecções de Europeus e Mundiais. Faltam-me alguns cromos de algumas cadernetas, mas nada que não se resolva com umas idas ao Rossio trocar cromos.

Por breves instantes, depois da vitória do Porto em 87, acho que fui adepto dos dragões, mas algumas semanas depois o meu Pai, que não suporta qualquer clube nem percebe nada de futebol, levou-me à final da taça de Portugal no Jamor entre Benfica e Sporting e os lugares eram na bancada central. Estavamos a 10 de Junho de 87. Á esquerda havia uma mancha verde. Á direita uma mancha vermelha. O Benfica ganhou 2-1 ao Sporting e para sempre fiquei do Benfica.

Nos anos seguintes da minha juventude os meus tios e primos da Covilhã aliciavam-me com pastilhas elásticas para que eu mudasse para o Sporting. E chocolates também. Uma vez a minha resposta foi "Tens ai contigo os chocolates?" Não ia mudar mas claro que queria os chocolates.

Não me lembro do Benfica ir à final da Taça dos Campeões Europeus de 88 em que o Veloso falhou o penalty, mas lembro-me da final de 90, no Prater, em que Frank Rijkard nos marcou um golo e o resultado final ficou 1-0 para o Ac Milan. Aquele Milão de Gullitt, Van Basten e Rijkard que nos maravilhou no final dos anos 80 e início dos 90. Que grande equipa liderada por outros grandes jogadores como Baresi e Maldini.

Na final do Itália 90, estava um dia quente e lembro-me de ver o Maradona a chorar. Na altura, na minha escola quando jogavamos uns com os outros diziamos que erámos o Maradona. Mas também não me esqueço do choque que tive quando se descobriu que ele consumia cocaina, uma desilusão.

Quando fui para a Escola Delfim Santos nos Altos dos Moinhos, em Lisboa corria o ano de 1991. A partir daqui a minha relação com o futebol deixou de ser apenas o ver pela televisão e fazer cadernetas de cromos.

Tinha 10 anos e queria estar mais perto do acontecimento.

A minha escola ficava a cerca de 1 kilometro do velhinho estádio da luz.

Nesta altura já comprava A Bola ou o Record com o dinheiro do almoço ou umas moedas surripiadas à minha mãe ou ao meu pai. Guardava os exemplares todos, e tempos houve em que cheguei a passá-los a ferro para não se amolgarem. Ainda guardo hoje em dia capas miticas, não só so Benfica mas de momentos de glória de Portugal, do Porto e do Sporting.

Com 10 anos já tinha passe de autocarro e ia sozinho para a escola. Na escola pública não tinhamos aulas de tarde todos os dias, por isso da primeira vez que o Casca e o Caranguejo do Bairro da Horta Nova me disseram "Bora ao Benfica?", eu nem hesitei.

O obejctivo na altura era ir apanhar pratas dos maços de cigarro e ir vendê-las ao pé do califa. Nas Segundas-Feiras a seguir aos jogos, as bancadas estavam cheias de maços vazios. Abriamos o maço vazio, tirávamos a prata que antes estava a cobrir os cigarros e iamos vender. O valor era ridiculo. Por cerca de 200 ou 300 pratas conseguiamos 100 escudos. Mas estar naquele estádio era o máximo para um puto xarila como eu.

Com o tempo continuamos a ir para lá fazer disparates e passear. Iamos para o camarote presidencial, para o museu do Benfica, saltavamos para o relvado, iamos a correr até ao meio campo e voltavamos a correr para a bancada com medo que alguém nos visse. Um dia pusemos mais de 100 torneiras a correr, tapamos os ralos e fugimos a correr. Selvagens..

Com o tempo, ir para o estádio nos tempos livres era a rotina. Para fazer disparates, ver os treinos, passear, namorar, qualquer coisa... o importante era ir para lá. O meu primeiro beijo a sério daqueles de telenovela. foi dado à Ana Rita, minha namorada da altura, num jardim que havia em frente ao pavilhão Borges Coutinho, à volta do estádio.

Em 92 inscrevi-me no ténis do Benfica. Um dia enquanto esperava por um amigo meu na porta principal do estádio da luz, com a minha raquete na mão, o Eusébio veio ter comigo e perguntou-me "Jogas ténis?" e eu respondi que sim. Ele ia só de passagem e sorriu-me, não disse mais nada... Tinha 11 anos e ele ainda parecia um jovem.

Nesta altura estava a despontar a geração de ouro do futebol português. Figo, Peixe, João Pinto, entre outros. No mundial de 91, na meia final com a Austrália, a minha mãe não me deixou ficar acordado a ver o jogo. Mas eu fiquei a janela do meu querto, porque dava para ouvir os golos. Ganhamos 1-0 com um golo espectacular do Rui Costa de fora da àrea. Na altura o Rui Costa deu uma entrevista a dizer que tinha sido o golo da vida dele. Na época seguinte ele marcou um golo semelhante ao Sporting Espinho e fora do estádio da Luz, fui falar com ele e perguntei-lhe "Rui, qual foi o golo da tua vida afinal? Este com o Espinho ou contra a Austrália?" Ele riu-se para mim e disse-me que tinha sido o da Austrália.

Em 1993 e 1994 vivi alguns dos momentos mais épicos no futebol, pelo menos no meu imaginário de criança.

Portugal jogava a qualificação para o Mundial 94 que se ia realizar nos Estados Unidos. O nosso treinador era Carlos Queirós e o nosso grupo de qualificação tinha a Suiça de Chapuisat e a Itália de Roberto Baggio que viria a estar na final.

No jogo fora com a Suiça, Portugal estagiou no estádio da luz antes de viajar. Li na Bola que o treino seria às 9 no estádio. Eram férias de páscoa ou carnaval e eu fui de bicicleta sozinho para o estádio por volta das 7.30. Queria ver os meus idolos a chegar porque o treino seria à porta fechada. Por volta das 8 chegou uma carrinha em frente ao estádio que transportava os equipamentos.

3 ou 4 responsáveis da selecção, vestidos de fatos de treino da selecção da marca Hummel, começaram a transportar tudo para o balneário até que houve um que reparou em mim de bicicleta, sozinho, em frente ao estádio, pois não estava lá mais nenhum louco, e disse-me "Miudo, queres ajudar?". Estava a sonhar! Ajudei a levar as bolas para dentro do balneário e outros sacos com chuteiras e tudo mais. Num dos momentos quando estava a arrumar as coisas começararam a entrar um por um: Vitor Baia, Figo, João Pinto, Oceano, Fernando Couto, Futre, Semedo, Paulo Sousa, Rui Àguas, Rui Barros, Jorge Costa, entre outros. Pedi autógrafos a todos.

Nesse mesmo ano, em 1993, e a jogar para a qualificação do Mundial 94, Portugal recebeu a Estónia em Novembro e precisava de ganhar por 4-0. Apenas ganhámos por 3-0 mas eu fui ao jogo no estádio da Luz. O jogo era à noite, por isso liguei aos meus pais e disse-lhes que ia ao jogo com o meu primo João. Na verdade, e com 12 anos, fui sozinho para um estádio lotado com 120.000 pessoas. Pedi a um velhote para entrar com ele, e mal entrámos fugi e arranquei escada acima para um jogo memorável. Obviamente que quando cheguei a casa fui apanhado e fiquei de castigo vários meses..

Nesta altura vibrava com o Sporting na taça uefa e fiquei devastado quando perderam com o Salzburgo no prolongamento, culpa do Costinha. Via os jogos do Porto na Champions League e exaltei quando ganharam 5-0 ao Werder Bremen fora. Na capa da Bola do dia seguinte dizia" O melhor líbero da Europa não se chama Franco Baresi, chama-se Fernando Couto e jogou ontem em Bremen. Vi o Benfica ganhar 6-3 ao Sporting de Figo, Balakov e Juskowiak com 3 golos de João Pinto. Foi o momento mais alto do meu fanatismo e que nunca mais se repetiu... um herói a remar contra tudo e contra todos.

Muitas mais histórias destas pessei nesta altura mas não vale a pena escrever mais. Com o passar dos anos, obviamente começei a ir menos para o estádio (tinha outras coisas para fazer como estudar hehe) e hoje com 31 anos já fui a grandes palcos europeus como Wembley, Camp Nou, Barnabéu, Gelsenkrichen e Old Trafford. Continuo e fazer cadernetas de cromos e gosto de analisar tácticas, equipas, estatísticas e acima de tudo vejo N jogos de 90 minutos com um simples objectivo: ver grandes golos e jogadas dos grandes mestres... o objectivo máximo do futebol. Também joguei federado vários anos Futsal e este ano até tive a minha experiência de treinador aqui no RAC.

Por toda esta forma como cresci no futebol, incomoda-me a situação que se vê hoje em Portugal e que eu próprio também contribui para ela. Já não exalto com as vitórias na Europa dos meus adversários. Já não me interessa muito ir a treinos de futebol ou viver a mistica do futebol. O que interessa são os resultados... porque GANHAR tornou-se a única forma de estar bem, tudo o resto é mau e tem que se mudar o treinador e jogadores. O futebol é agora um negócio de milhões e o amor à camisola tornou-se secundário.

Com o passar dos anos, gozar e apontar problemas é mais importante que ganhar e ver os jogos.

A situação de tensão e rivalidade que existe em Portugal é algo assustador. A raiva e agressão patentes no discurso das pessoas é algo que está atingir patamares preocupantes. Um jogo grande tem que ter 1000 polícias?? 1000???? Árbitros agredidos em centros comerciais? E se fossem os nossos pais ou tios a serem agredidos por causa do trabalho deles? Pedras em autocarros, confrontos de claques, etc são coisas que espelham a situação do futebol português dos últimos anos.

De quem é a culpa? Pinto da Costa? Do Facebook? Tretas!! A culpa é de cada um de nós que se deixa envolver em emoções estúpidas e opostas aquilo que é a verdadeira realidade do jogo. Interessa mais que os nossos adversários percam para os podermos magoar no Facebook do que ver o nosso clube a ganhar e festejar? E se agora estamos sim, como será no futuro?

É que não me parece que as coisas estejam a melhorar e não vejo responsáveis de clubes ou políticos a dar verdadeira importância ao assunto. Educação não?

Os últimos dois títulos que o Benfica ganhou, em 2005 e 2010, todos os adeptos de clubes contrários dizem que o primeiro foi devido a um lance irregular que foi falta do Luisão sobre o Ricardo e o segundo, o ano do campeonato dos túneis... em que o Hulk agrediu seguranças no estádio da luz. Este ano, quando tudo indicava que iamos ganhar de novo já se estavam a preparar para nos apontar mais coisas como o Capela ou sujinho, sujinho, etc.. Ou seja, neste momento, já nem me sinto feliz quando ganho e não dou valor quando os outros ganham e não gosto disso..

Estas coisas acontecem porque os adeptos benfiquistas fazem o mesmo quando os outros ganham... gozam e espezinham, arranjam motivos como o apito dourado e outros, não dando mérito à vitória dos outros.

Porque temos que fazer isso? Não dá para ver o jogo pelo jogo e deixar de dar desculpas? Não dá para falarmos apenas de aspectos técnicos e dos jogadores, ou mesmo que se fale sobre àrbitros, lembrar-nos que a época tem 50 jogos e cada jogo 90 minutos, e que não dá para acertar sempre... eu já fui árbitro de jogos e é muito dificil apitar!

O presidente do Benfica, que levantou o clube de uma situação bastante complicada, devia dar uma conferência de imprensa a pedir desculpa a todos os Sportinguistas e Portistas por certas atitudes que alguns adeptos tomam. Acho que ele em particular não tem contribuido para polémicas, mas como presidente devia ser a luz para guiar os adeptos em termos de valores. Não escrevam em monumentos, não comemorem antes do tempo, não chamem cabeçudo aos outros ou não mandem petardos.

Devia haver uma espécie de 10 mandamentos do adepto Benfiquista em termos de comportamento face a outras equipas.

Só assim poderemos ser respeitados: respeitando os outros.

As recentes reacções às derrotas de Benfica por parte de adeptos opostos não nasceram do nada... de certeza que nós já fizemos semelhante e portanto temos de parar de o fazer.

Concluindo, não estou satisfeito com a forma como se vive o futebol português hoje em dia. Não respeito muitas vezes os outros clubes portugueses e os outros adeptos não respeitam o meu clube.. penso que as coisas não precisam de ser assim. Como o futebol está associado a muitas emoções, esta falta de respeito passa para as amizades e para as relações entre as pessoas e isso é a parte que mais me assusta e que me faz sentir mal.

Rivalidade sim, mas com qualidade e classe.

Esta é uma visão muito pessoal das coisas, obviamente que há quem se esteja borrifando para o futebol e outros para quem a bola é tudo. Eu encontro-me no meio dos dois mas acabo como começei:

Adoro futebol. Aliás, amo futebol!

Saudações campestres,

Think about it!


 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Arrotos de vacas!


O aumento da concentração de gases de estufa na atmosfera é uma causa directa do aquecimento global. Este fenómeno, que se traduz pelo aumento das temperaturas, tende a piorar. Alguns cenários para o seculo XXI, indicam aumentos médios de temperaturas entre 1 a 6 graus, o que ira aumentar a incidência de acontecimentos extremos como secas, cheias, tempestades, fogos, erosão dos solos, etc..

Estes acontecimentos podem revelar-se catastróficos para o ambiente e para a produção de comida a nível global. Num cenário de crescimento populacional, em que se esperam cerca de 9 biliões de pessoas em 2050, e como tal a produção de comida deveria duplicar, é dificil compreender como a sociedade aceita e nao actua de modo a reduzir estas emissões.

O gas de estufa mais comum é o dióxido de carbono. Fala-se muito deste gás e no conceito de pegada ecológica, no fundo a quantidade de dióxido de carbono produzida por determinado acontecimento versus um acontecimento alternativo. Desde o século XVIII que a concentração deste gás na atmosfera aumentou 30%, sendo a principal causa a combustão de combustíveis fósseis.

Mas um dos gases de estufa mais nocivos é o metano. O metano (CH4), é responsavel por 16% do total de emissões de gases estufa na atmosfera, e destes 16%, cerca de 40% deve-se à agricultura, em particular a produção animal. Tendo em conta que o metano tem um potencial de aquecimento global 20 vezes maior que o dióxido de carbono, a situação é preocupante.

O metano é formado por duas fontes: eructação animal (arrotos) e estrume, sendo o peso de cada um deles para o total das emissões de 85% e 15%, respectivamente.

Parace que a melhor maneira de parar o aquecimento global é então impedir as vacas e as ovelhas de arrotar!

Este gás e formado no estômago dos animais ruminantes (vacas e ovelhas) através do processo de fermentação. As bactérias presentes no estômago destes animais (o rumen), actuam sobre a comida e enquanto uma das partes é transformada em ácidos gordos (usados como fonte de energia e proteinas para o animal), outra parte transforma-se em Hidrogénio (H2), que por sua vez vai ser originar metano através da acção dos organismos metanogénicos. O metano é depois lançado na atmosfera atraves do esófago pelos “arrotos” dos animais.

Nos animais monogástricos, como o porco, a galinha ou o homem, não existem tantos processos de fermentação no estômago, o que faz com que não haja tanta produção de metano. Nestes animais, a flatulência (puns), é o veículo de lançamento do metano produzido para a atmosfera.

Para se reduzir os “arrotos” das vacas é necessario minimizar a parte da comida que é transformada em hidrogénio. É preciso encontrar rações que aproveitem melhor as proteinas e a energia inserida. Estima-se que cerca de 70% das proteinas (nitrogénio) ingeridas pelos animais não são aproveitadas, saindo dos animais através da urina e das fezes. Esta é uma das principais razões porque se diz que produzir gado bovino é altamente ineficiente. A urina e as fezes voltam para os solos através da adubação, mas a verdade é que este processo também contribui para a produção de outro gás de estufa: o óxido nítrico (N2O), que tem um potencial de aquecimento global de 310 vezes mais que o dióxido de carbono!

Ja existe muita investigação a ser desenvolvida para aumentar os níveis de proteína retidos pelos animais ruminantes. O desafio agora é transmitir e motivar os agricultores para aplicarem estas medidas. Uma das medidas passa por diminuir o nível de proteínas nas rações, substituindo-as por ácidos gordos e outros aditivos como taninos. Mas será que diminuindo o nível de proteínas que damos aos animais estamos a comprometer a produção de leite e carne? O que é mais importante: o ambiente ou a produção (lucro)?

Este é um dos grandes desafios ambientais para o futuro… quando virem uma vaca a arrotar...think about it!

 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Uma Quinta no Alentejo!

No passado mês de Março estive cerca de duas semanas a trabalhar numa Quinta no Alentejo, na zona de Vendas Novas. Não se pode dizer que tenha sido um trabalho propriamente dito. Ao contrário de outras situações em que tive de guiar tractores ou carregar coisas, aqui estive mais a acompanhar o responsável da exploração e a ver como se fazem as coisas.

E que boa experiência foi! Que bonito é o Alentejo no fim do Inverno! Todo verdinho!

O responsável e dono da exploração, João Soares, recebeu-me de braços abertos em sua casa e respondeu-me de forma incansável a todas as minhas perguntas, muitas das quais bastante idiotas.

Mais uma vez fui alvo de grande hospitalidade e só tenho a agradecer por isso.

Foi o meu primeiro contacto com a Agricultura Portuguesa. Já estava a precisar de ter um contacto com a nossa realidade e ouvir as coisas em Português foi um alivio! Aprender tudo em Inglês é cansativo e processar a informação na minha mente na nossa lingua foi como uma esponja a absorver a informação!

Algumas coisas que dizem sobre a Agricultura Portuguesa são um mito, outras são ainda piores do que se dizem.. Duas semanas não deu para aprender tudo, mas deu para ter um primeiro contacto e para perceber como o João toma as suas decisões.

O total da exploração estava dividido em 3 propriedades, totalizando cerca de 1700 Ha.

As produções da exploração são vacas para carne, pinheiro manso, sobreiros, cereais (trigo e milho) e azevém para forragens.

Não me parece bem estar aqui a expor no blogue a estratégia, os problemas ou as vantagens competitivas da exploração do João mas foi bastante interessante perceber como são tomadas as decisões:

- Maquinaria: sub-contratar ou adquirir maquinaria nova? New Holland ou John Deere? Quantos cavalos? Quais os outros equipamentos necessários? Comprar em segunda mão?

- Sementeiras: Usar sementeira directa? Qual o impacto de diferentes técnicas de semear nos níveis de matéria orgânica do solo? Quando semear? Deve-se mobilizar os solos ou não?

- Adubações e Herbicidas: O glifosato faz mal às plantas? Quando adubar as pastagens? Em que quantidades? Com que condições metereológicas?

- Solos: Qual a importância dos solos na estratégia da quinta? Quais as vantagens do solos argilosos ou arenosos? Como incorporar e manter matéria orgânica no solo? Qual a utilidade de correcções calcáreas?

- Pessoas: Quais as dificuldades que se têm com as pessoas que trabalham na quinta? Qual o papel do veterinário na estratégia da quinta? Deverá ser um custo ou um parceiro?

- Mercados: para quem se vende? Quem oferece contratos? Como funciona o mercado de Montemor? Quem são os grande players no mercado de cereais em Portugal e como funciona?

- Estado e outros agentes: Quais são os subsidios à disposição dos agricultores? Qual o enquadramento legal e fiscal do panorama agricola português? Os bancos ajudam a agricultura em Portugal? Quanto custa um Ha de boa terra?

- Animais: Qual a importância da genética nos animais? Qual a estratégia de reprodução? Qual a estratégia de alimentação? Que raças utilizar e porquê?

- Cereais: fazer ou não fazer cereais? Como planear a irrigação? Fazer cereais para grão ou para forragens?

- Edificios: Ter edificios agricolas? Para quê? Que tipo e em que condições? Estabular os animais ou deixá-los lá fora 365 dias por ano? Qual a capacidade de armazenagem que uma quinta deve ter?


Todas estas áreas e muitas outras foram abordadas nas minhas conversas com o João e sobre elas aprendi coisas novas. Até aprendi qual é a diferença entre uma Azinheira e um Sobreiro ou entre um Pinheiro Bravo e Pinheiro Manso!

Para cada pergunta existem várias respostas, pois determinados acontecimentos podem depender de vários factores. Acima de tudo há que perceber que a agricultura não é estanque e depende de várias variáveis, que combinadas entre si de diferentes maneiras podem ter diferentes resultados.

Ou seja, não há uma fórmula de sucesso!

Percebi que apesar do que se diz, há muitas coisas boas a serem feitas em Portugal neste momento!

Há bons produtores com boas práticas que estão a contribuir para o desenvolvimento do mercado. Não é um mercado morto como muitos pensam e não há muita terra boa ao desbarato para dar e vender! Mas apesar de tudo isto há muitas oportunidades. Há tecnologias e metodologias que podem ser implementadas em Portugal e trazer vantagens competitivas a quem queira trabalhar de forma séria e responsável.

O caminho ainda é longo, mas com o interesse das novas gerações, com o apoio da sociedade e com uma grande força de vontade e profissionalismo é possivel a Portugal recuperar e modernizar as suas estruturas agrárias, aumentando os nossos níveis de auto-sustentabilidade e contribuindo para as exportações.

Força Portugal.... Think about it!!

 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Uma quinta é um sistema para o futuro!

Quando tirei o curso de Gestão na Universidade Católica Portuguesa tinhamos uma cadeira chamada sistemas de informação na empresa. O seu objectivo no fundo era agregar a informação que se encontra nos vários níveis da empresa e torná-la visivel, útil e rentável para todos os funcionários nas várias posições. Esta interligação da informação de dados é bastante importante em qualquer àrea da nossa vida. Cruzar informações e a partir dai tomar as melhores decisões é algo que sem nos apercebemos fazemos todos os dias.
 
Se estiver frio e vamos trabalhar é melhor usar um sobretudo. Mas se em vez de trabalhar formos fazer desporto talvez umas calças de fato treino sejam o mais indicado. Se temos mais ou menos dinheiro no banco, comemos de forma diferente, vamos a sitios diferentes, etc.. tudo isto é a nossa vida, e qualquer decisão que tomamos está associada a um conjunto infinito de variáveis. As pessoas mais bem sucedidas e inteligentes são aquelas que conseguem organizar a informação de forma mais clara e objectiva, prevendo os problemas que possam suceder associados a qualquer uma das variáveis.
 
Na agricultura as coisas não são diferentes. As variáveis são infinitas e o conhecimento das mesmas significa o sucesso ou insucesso de determinado projecto.
 
Começando pelos processos mais simples temos as plantas. As plantas alimentam-se dos nutrientes no solo e formam matéria vegetal que depois é ingerida pelos animais e seres humanos. Os animais por sua vez utilizam essa matéria vegetal para a produção de proteínas (carne, leite e ovos por exemplo), que por sua vez será ingerida pelos seres humanos. Tanto uns como os outros fazem dejecções (fezes e urina) que são devolvidas e assimiladas pelo sistema. Esse sistema vai usar essas dejecções e os nutrientes nele contidos para a produção de novas plantas.
 
O paragráfo anterior é um resumo um tanto ou quanto vago daquilo a que podemos chamar um ciclo. Neste caso é o ciclo da alimentação, mas dentro dele existem os ciclos do carbono, do azoto e da àgua por exemplo. Tratam-se de ciclos fundamentais para um crescimento equilibrado da biodiversidade e sem eles não poderia haver vida na terra.
 
O conhecimento aprofundado destes ciclos, e as variáveis que neles estão envolvidas, é crucial para a prática da agricultura. Cada vez mais bocejo nas aulas em quem me dizem que para ter sucesso tenho de conhecer os mercados e os clientes e fornecedores e etc.. no fundo para ter sucesso financeiro... 
 
A meu ver estas questões estão-se a tornar secundárias face aquilo que realmente interessa na produção agricola: produzir com qualidade, respeitando e conhecendo o ecossistema. Só assim poderemos ser verdadeiramente sustentáveis, essa bonita palavra que muitos utilizam sem perceberem o verdadeiro significado dela. Para muitos será a preocupação com o futuro e as próximas gerações. É uma boa definição, mas assume um conhecimento daquilo que comemos e fazemos no nosso dia a dia.. e não é isso que está a acontecer. As populações, nomeadamente urbanas, e que compram os seus produtos nos supermercados, são guiadas maioritariamente pelo factor preço e marketing, desconhecendo o impacto que um simples acto de compra possa ter. Eu estou obviamente neste clube, mas acho importante começar a fazer algumas perguntas e a questionar os conceitos de sucesso.
 
As perguntas essenciais para um agricultor que pretenda implementar um sistema equilibrado passam por exemplo por:
 
- Quais são os nutrientes que afectam o crescimento e desenvolvimento das plantas? Como tornar esses nutrientes mais acessiveis às reizes das plantas? Como voltar a retornar os mesmos nutrientes à terra evitando a utilização de fertilizantes quimicos e evitando a depleção e erosão dos solos? Qual a influência que a água e temperatura do solo têm neste processo? Qual a influência que determinado tipo de planta ou forragem tem na alimentação e saúde dos animais? E quais são os processos através dos quais eles transformam essas plantas em carne e leite? Como posso reduzir as emissões de metano do gado bovino alterando a sua alimentação? Como é que uma mudança no tratamento do meu solo pode influenciar um ovo estrelado que vou comer no futuro? Qual a importância da biodiversidade no meu ecossistema?
 
E porque é que o consumidor não pode também saber quais são os processos que se dão na natureza e deste modo tomar decisões mais informadas?
 
A resposta a estas perguntas e o entendimento da relação entre as multiplas variáveis da natureza, é sem dúvida um conceito de sucesso muito mais abrangente e sustentável que o de simplemente conhecer os mercados. É o chamado conhecimento cientifico, mas que na prática é o conhecimento humano... que as gerações anteriores tinham apesar de não saberem ler nem escrever!

Um conhecimento adquirido por observação de estação após estação, ano após ano e que no nosso país se tem vindo a perder.
 
O mundo mudou em relação ao mundo  dessas gerações. Há muito mais conhecimento disponível e em formas mais acessíveis. Como tal temos a obrigação de pegar nesse conhecimento e fazer melhor. O recente escândalo da carne de cavalo é um claro exemplo que só estamos a fazer pior. O ciclo é simples: os consumidores não têm tempo, não cozinham em casa, querem refeições congeladas, não se envolvem no processo de compra, compram preço em vez de qualidade, então os retalhistas precisam de produtos baratos, o que faz com que os produtores se sintam pressionados a encontrar formas de chegar a esses produtos baratos. Misturar alguns cavalos na carne de vaca foi a solução encontrada para responder a essas pressões. Muito mais situações destas vão continuar a acontecer enquanto não nos quisermos informar e perceber como funcionam os sistemas. Sim, a culpa é do consumidor e não dos produtores ou retalhistas... porque o consumidor é rei e o mercado dá-lhe o que ele quer!!
 
Qual é a diferença para o planeta se eu comprar a maçã A ou a maçã B? Ou se comer 1 kg de carne por semana ou 1,5 kgs? Estas coisas deveriam ser ensinadas nas escolas!
 
Em conclusão, perceber a natureza é fundamental e é o primeiro passo para a sustentabilidade. Cada vez mais me assusta esse conhecimento porque é tão vasto, mas também já percebi que só com o tempo se chega lá. Agora fala-se em Portugal de centenas de novos agricultores, e estimular as exportações e produzir o que é nosso e cursos de 40 horas de agricultura para quem queira vir para a área. Sem dúvida que são bons estimulos e o país precisa. Mas parece-me que vamos assistir a mais um passo em falso no nosso desenvolvimento, pois só se fala de questões ligadas aos mercados, quotas e PAC e não se fala na natureza. Vão entrar novos agricultores que sem saberem o que estão a fazer vão destruir os solos, mal tratar os animais e no fundo contribuir para o afundar do país..
 
Conhecer a natureza por um futuro melhor...think about it!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O melhor texto sobre a polémica da Carne de Cavalo que li!

 
No doubt you are outraged about the horse meat scandal. You have every right to be – criminality, profiteering, potential fraud, all have led to many people eating an animal they would probably prefer to see in the 3.20 at Kempton and possibly also ingesting dangerous veterinary drugs.
 
 findus
 
However, I’m going to come at this from another angle and it’s this: it’s your own bloody fault. There you go. I know, I know; you’re not happy. It’s not your fault is it? It’s the government, the supermarkets, criminals and Goodness knows who else.
 
But it’s not just them, you see. It’s you.
 
After a week of this story my patience has finally snapped, and it’s time someone told you a few home truths.
 
Many of us have been banging on for years about this stuff, trying to make you care about the need for better food labeling, about fairness for farmers, about the need to support local farms to avoid all our food coming from giant, uncaring corporate agri-businesses which churn out cheap product to feed the insatiable appetite of supermarket price-cutting.
 
We’ve been highlighting the unfairness of UK farmers being forced to meet 73 different regulations to sell to supermarkets which don’t apply to foreign suppliers, and talking about our children growing up with no understanding of food production and, more than all of this, about the way supermarkets have driven down and down and down the cost of meat to the point where people think it’s normal to buy 3lbs of beef (in burgers) for 90p.
 
And you wouldn’t listen. It was like shouting into a gale.
 
Through the years of New Labour, when farming and the countryside were demonised, you wouldn’t listen. You cheerfully chose to believe that all farmers were Rolls Royce driving aristocrats, as painted by John Prescott. You had no sympathy. You wanted a chicken for £2 and your Sunday roast for a fiver. Well, you got them didn’t you? And hundreds of farmers went to the wall. And you still didn’t care because Turkey slices were ten for 60p.
 
And now you’re furious, because it turns out that when you pay peanuts for something it’s actually not very good. Who knew eh?
 
And before you start, don’t even think about the “it’s all right for the rich who can go to local butcher’s shops but what about the poor?” line. The number of people who can’t afford adequate amounts of food is tiny – tragic and wrong, yes, but tiny. Supermarkets don’t make their billions from them hunting in the “reduced” basket, they make their money from millions of everyday folk filling a weekly trolley. You, in other words.
 
Until the mid 1990s, Britain was also full of good local abattoirs. They were run by people who knew the local farmers who used them, and the local butchers which sold the meat. They were closed in their hundreds by new health and safety regulations which made it impossible for small abattoirs to compete with giant companies doing the job more cheaply.
 
We tried to tell you, you didn’t care.
 
And of course, unlike the previous generation you were “too busy” to actually cook. You were so busy that the idea of making a meal, then making two more out of the left-overs, was like something from Cider With Rosie to you. You bought a meal every night. And so it had to be cheap.
We tried to tell you. You just pointed out that Hugh Fearnley-Whittingstall went to Eton and sneered at us.
 
Cheap rearing abroad. You didn’t care. Cheap slaughtering by machine. You didn’t care. Cheap meat full of crap and off-cuts. You didn’t care. Frozen blocks of meat off-cuts from the abattoir floor being trucked in from Poland to ensure your pack of mince was cheap enough. You didn’t care. In fact you didn’t know, but that’s because you didn’t care.
 
But we cared. We kept trying to tell you. We launched campaigns, we wrote letters, we raised funds for adverts. Nobody knows what they’re eating anymore, we said. Nobody recognises how hard it is for farmers here to produce quality meat at a price they can sell because of the supermarkets.
And you didn’t care.
 
Well, now you know you’ve been munching on Dobbin and his various nasty drugs, possibly for years. And now you care.
 
And yes, you’ve been misled, cheated, lied to. But you must also take some of the responsibility. You didn’t tell supermarkets you wanted quality, you just watched the ads which said “175 products cheaper at Asda this week than Tesco” and went to Asda. You made the market they sold in to, you set their priorities. They gave you what you wanted.
 
So what will you do now? Now that you care.
 
How about this…
Rather than just moaning at MPs why not actually think about what you eat, what you buy, where it comes from? Why not visit a farm on an open day? Take the kids, show them where their food comes from. If it’s a good farm, why not try to use your consumer power accordingly to make more farms that way? To make them viable. Why not have a think about how you could make meat go further without spending more, through cooking, and thus be able to buy good, British, assured quality meat?
 
If you do that, I’ll stop blaming you, and some good may come of all of this.
 
The culprits responsible for all this will be found, and no doubt tried and hopefully convicted. With luck new rules will be introduced to make a repeat harder. But the market will find a way – it always does. So long as there is a demand for vast quantities of ultra-cheap meat, people will find a way to supply it. So long as people remain uninterested in where their food comes from and how it’s made, someone will cut corners.
 
It’s a ravenous beast, the market. Like its customers, as it turns out.
 
So now that you care I’ll tell you that we’ve been highlighting the plight of dairy farmers this year; explaining how supermarkets are paying such a pittance that they can’t stay in business and milk is increasingly coming in from abroad, where standards are lower. Pleasingly people noticed. Some people. If you weren’t one, perhaps, given events, you might like to now?
 
And when you’ve done that, take a look at the video in the link below, which details the Countryside Alliance’s hard-fought campaign on country-of-origin food labeling. Whilst you were suggesting the CA was only interested in fox hunting, it was doing this, for you, and now you know why.
 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Por terras de Diego Armando Maradona!

Li recentemente, que desde que a "nova" crise começou já sairam de Portugal cerca de 200.000 pessoas em busca de uma nova vida. Chamo-lhe nova crise, porque dá-me a impressão que sempre vivemos em crise, esta é só mais uma com características diferentes... uma crise financeira chamam-lhe as pessoas e os jornais!

Mas crises aparte, nosso povo sempre teve este gene do emigrante no sangue! Estamos em todo o mundo... orgulhamo-nos de que a segunda cidade com mais Portugueses no mundo é Paris! Até temos um estilo musical para relembrar com saudade aqueles que partiram para outros cantos do mundo.

Na minha familia, há bastantes histórias de emigrantes, especialmente do lado do meu Pai, onde os habitantes de São Pedro do Rio Seco, concelho de Almeida, emigravam para outras paragens em busca de iniciar uma vida nova. Outros partiam para regressar no futuro com algumas posses e enviando remessas enquanto esse dia não chegava.

As emigrações desses dias não são como as de hoje. Não havia Facebook para partilhar as aventuras nem Skype para falar com familiares. Não havia pessoas à espera no local de origem. As viagens faziam-se de barco e as condições de dormir ou comer eram 1.000 vezes pior que viajar na Ryanair. Mas o "Tuga" é forte e adapta-se aos sítios... sempre foi assim e sempre será!

Eu sou emigrante neste momento e sempre senti este gene no sangue em todas as viagens que fiz. Gosto de fazer check-ins. Gosto de viajar e "desorganizar" a minha vida, voltando depois com a sensação que há toda uma nova vida para construir. Isto acontece-me quando passo um fim-de-semana em Troia ou quando vou um mês para a Austrália!

Em 1948 o meu Avô Paterno, José Queirós, Avô Queirós para os familiares, emigrou para Angola em busca de uma vida melhor para os seus 4 filhos que viviam em São Pedro do Rio Seco. A sua mulher Aida Queirós com quem tinha casado em 1938, era filha de Laura e Sebastião que se haviam conhecido também em Angola.

Esta Laura, que portanto era minha Bisavó, era filha de João Moutinho e Maria Reto. Aparentemente João Moutinho (não o jogador do Porto claro), era guarda fiscal e tinha sido desterrado para Angola por crime de homicidio em serviço. Laura teve mais dois irmãos, Porfirio e Laureano e é deste último senhor que venho aqui contar a história.

Por volta de 1905, Laureano embarcou em Cádiz, rumo à Argentina. Nunca mais ninguém soube dele ou ouvir falar dele. Na aldeia do meu Pai, perguntava-se o que será feito dele? Diz-se que uma vez, alguém que regressou, tinha ouvido falar de um Dom Laureano, senhor de terras nas Pampas, que andava de charrete e tinhas barbas longas.

A verdadeira história dele descobriu-a o meu pai passados muitos anos, na década de 90, pela internet através de um neto de Laureano que dá pelo nome de Juan Carlos. Aparentemente Laureano, casou em Puan, na provincia de Buenos Aires, com Maria Schneider, uma descendente de alemães nascida em Bahia Blanca, provincia das Pampas. Tiveram nada mais, nada menos que 24 filhos (??) e por este feito foram até agraciados pelo Intendente de Alpachiri, terra onde ficaram a viver, pela contribuição para o aumento populacional. Em baixo a foto de Laureano, o seu bigode é fantástico!!



Este verão, em Junho ou talvez Setembro, estou a planear ir trabalhar para uma quinta na Argentina, através do contacto do meu amigo Felipe aqui do RAC. O objectivo é ver como se trabalha a agricultura e pecuária num dos países com as melhores práticas do mundo! Através do primo Juan Carlos, fiquei a saber que o último descendente de Laureano ainda vivo reside numa terra chamada Coronel Suarez a 300 kms da quinta do Felipe. Talvez o vá visitar e unir Portugal a este lado da familia, 108 anos após a partida de Laureano em 1905.

Emigrar... sim, manter as origens... SEMPRE! Think about it...