segunda-feira, 31 de março de 2014

Indiana Jones 5: Em busca da Propriedade Perdida!

Criada que está a Sociedade Agrícola Queirós (SAQ para os amigos), chegou a altura de procurar o epicentro deste projecto, o coração de toda esta epopeia, a menina dos meus olhos: a terra onde inicialmente me vou estabelecer! Um bocado de Portugal só para mim e onde poderei exercer essa nobre actividade conhecida como agricultura.

Hoje estamos a 31 de Março e desde que comecei a visitar propriedades, já lá vai um mês e meio. Ao todo visitei mais de dez, e já estão agendadas mais quatro.

O foco tem sido o Alentejo. Embora já tenha ido ao Ribatejo e a minha família tenha origem nas Beiras, é ali que me sinto bem e é também onde existe a necessária dinâmica agrícola para exercer as actividades que até agora mais me entusiasmaram: pecuária (vacas e porcos) e cereais (para grão ou forragens). No Alentejo é também onde os preços por hectare mais se adequam às minhas possibilidades... a região do Ribatejo tem melhores solos e mais água mas é tudo muito mais caro!!

Para além de todos estes factores há outros dois que também pesam: a distância a Lisboa (não me quero tornar um eremita solitário de barbas grandes que renegou a sociedade citadina) e o chamamento do montado Alentejano... em todas as minhas viagens pelo mundo raramente encontrei um local tão bonito e que me traga tanta paz interior... há alguma coisa mais bonita que um velho sobreiro ao pôr-do-sol?

Em termos de contactos, estes têm sido feitos através de amigos, gente da agricultura, anúncios de jornal, imobiliárias, etc tenho conhecido gente bastante diversa e interessante.

De mencionar que depois de tantas visitas, até já ganhei interesse em novas áreas, nomeadamente a vinha e o olival! Duas culturas bastante "nativas" de Portugal e que aqui são plantadas desde o tempo dos Romanos. Há dois anos não tinha o mínimo interesse nestas áreas, mas se há coisa que aprendi é que não devemos renegar aquilo a que a terra é propícia! Para quê andar à tareia com os solos e com as condições climatéricas? Para quê tentar fazer crescer ananases no Alentejo?

Através do Pai da minha amiga Joana Torres também tive alguns insights sobre abóboras, pimentos e courgettes. Também fui a um congresso sobre Milho em Beja e aprendi mais sobre esta cultura. Nesse evento o regadio do Alqueva foi colocado em destaque. O maior lago artificial da Europa. O El Dorado da agricultura. Já lá fui fazer uma visita e gostei. Há terra para arrendar e comprar, mas a água é bastante cara e as produções demasiado intensivas para o meu gosto. A ver vamos...

Em termos de check list em cada propriedade é preciso olhar para diversos factores. Tamanho, preço por hectare, solos, vedações, água (CRUCIAL), electricidade, distância à estrada, monte para habitação, edifícios agrícolas, se vem com alguns equipamentos, se já tem alguns apoios, arrobas de cortiça, número de azinheiras ou pinheiros, culturas anteriores, estruturas de rega (bomba e pivots), etc, ou seja um grande número de variáveis!

Trata-se de um investimento considerável e que por isso requer um grande envolvimento. Há que estar o melhor informado possível para tomar a melhor decisão possível.

No fim do dia, e segundo a minha maneira de olhar para as coisas vai tudo estar dependente de duas coisas: o facto de ser viável (ninguém quer fazer um mau investimento) e o sentir-me bem no local em questão... terá de haver com certeza alguns sobreiros no pôr-do-sol...

Think about it!



quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A criação da Sociedade Agrícola Queirós.

Ninguém sabe explicar porquê. Talvez seja porque fomos feitos para isto. Talvez a finalidade do ser humano seja criar. Uns criam filhos. Uns criam espaços. Uns criam objectos. Até há uns, cuja especialidade, é criar problemas.

Eu aqui ando há algumas semanas a criar uma empresa e um projecto agrícola. Na verdade o projecto já começou há cerca de dois anos e meio, mas só agora começa a tomar as suas primeiras formas.

Ninguém sabe explicar porquê. O processo de criação e entrega a qualquer coisa é, sem dúvida, das melhores coisas que podemos ter na vida. A responsabilidade de fazer nascer algo e tratarmos dela desde os primeiros passos até à maturidade. Saber que podemos aproveitar um conjunto de circunstâncias, conhecimentos, saberes, experiências de vida, redes de contactos para desenvolver algo. Sentir o medo e a adrenalina ao mesmo tempo. Ganhar noções de risco. Atirarmo-nos para a piscina, tentando obviamente que ela tenha o máximo de água possivel!

É preciso ter uma visão. Um sonho. Olhar para o futuro e projectar algo. Imaginar qualquer coisa. Fazer cenários. E depois implementá-los com um grande jogo de cintura. As circunstância podem mudar e temos que nos adaptar a elas.

A minha maior dificuldade na criação deste projecto agrícola, que ainda está nos seus primeiros passos, ou seja numa fase muito embrionária, é a gestão de expectativas. À medida que vou compreendendo os modelos de negócio das várias àreas agrícolas e percebendo como as coisas funcionam, tenho a tendência para projectar na minha cabeça coisas grandes para o futuro.

Sendo uma àrea com muitas oportunidades em Portugal e onde os custos do capital ainda são baixos comparativamente a outros países, facilmente caio na armadilha de pensar em ter muita terra, muita produção, marcas associadas, mudar o mundo!!

Mas pronto, rapidamente volto a colocar os pés na terra... Há que ter humildade quando se entra numa área nova. Como ouvi dizer no outro dia, a agricultura está na moda. Muitas pessoas não se apercebem que é das àreas mais técnicas, cientificas e dificeis para trabalhar. Se queremos ser competitivos na agricultura é preciso muito trabalho e conhecimento. Também são necessários grandes quantidades de capital para entrar neste àrea, coisa que não disponho. Por isso aquilo que pretendo montar é apenas uma pequena unidade produtiva, desenvolvê-la e ver, com o tempo, onde o caminho leva.

Defini alguns objectivos para entrar nesta àrea: desenvolver o país, inovar, interagir com a natureza, sair da azafama da cidade e ter um retorno sobre os capitais investidos. Não pretendo ficar rico com a agricultura mas também não há necessidade de perder dinheiro!

Defini 21 passos para a criação deste projecto. Alguns mais técnicos, outros mais conceptuais. Mas é o caminho que foi escolhido.

Uma das boas notícias sobre a criação deste projecto recebi-a ontem à noite: o certificado de admissibilidade da "Sociedade Agrícola Queirós, Unipessoal, Lda" já foi emitido. A empresa já existe. Falta assinar o contrato de sociedade e o pacto social mas as coisas começam a tomar forma!

A small step for man, a giant leap for mankind :-)

Aqui ficam os 21 passos, descritos de forma generalizada... think about it!!

1- Estudo da legislação aplicável ao sector agrícola, nomeadamente os apoios ao jovem agricultor.

2- Ter assegurado o financiamento para iniciar a actividade, atenção a custos inesperados, garantir o fundo de maneio até ao surgimento de receitas.

3- Estudo das diversas actividades agrícolas, pecuárias e florestais.

4- Estabelecimento de uma rede de contactos com agricultores + experientes, cuidado com os velhos do restelo.

5- Escolha do local de instalação: terra (solos, condições climatéricas, água, biodiversidade, acessos, mercados, etc..)

6- Estudo do mercado seleccionado: procura, oferta, preços, importações, exportações, etc..

7- Descrição do processo técnico de forma detalhada e rigorosa (ex: cereais desde a semente até ao comprador).

8- Atribuir um valor de mercado a cada uma das actividades descritas no ponto 7. Plano de vendas e custos para 10 anos. Incluir análises de sensibilidade.

9- Outsourcing de serviços vs compra de maquinaria própria.

10- Verificar disponibilidade de mão-de-obra nas região escolhida.

11- Arranjar empresa de contabilidade agrícola.

12- Criação de sociedade de suporte ao negócio. Sociedade Agrícola Queirós.

13- Abrir conta em nome da sociedade.

14- Assegurar serviços jurídicos.

15- Telemovel, via verde, seguros.

16- Viatura de trabalho. Perceber as necessidades do dia-a-dia bem como custos (portagens, consumos, imposto sobre veiculos, etc..)

17- Passar à implementação do projecto. Prioridade às coisas mais imediatas.

18- Construir mapas de controlo internos.

19- Planear com rigor a sequência de execução/pagamento/reembolso no caso dos subsídios agrícolas.

20- Ser um membro activo de instituições agrícolas, cooperativas e na comunidade local. Ter relações cordiais com colegas de profissão, clientes e fornecedores.

21- PRUDÊNCIA NOS GASTOS!


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O empreendorismo é uma ciência?


No decurso do meu recente estudo de abrir uma empresa agrícola, a primeira questão que me surgiu é o que é isto de ser empreendedor? Quais são os factores a ter em conta quando decidimos ser patrões de nós próprios? Quais devem ser as características de um empreendedor e como é o ambiente que rodeia tal individuo? Fui à procura de algumas respostas e apresento-as aqui em directo no Blog dos Bosques.

O empreendorismo não é um bem divino que nasce com as pessoas. Pode ser ensinado como muitas outras áreas. Conhecimentos sobre a área em que se vai trabalhar, contactos, marketing, finanças, operações são algumas das competências a desenvolver.

O empreendorismo também não representa, ao contrário do que muitas pessoas pensam, a implementação de uma ideia ou inovação radical. Se estivermos a fazer algo ligeiramente diferente dos outros, e ao mesmo tempo a gerar valor para o cliente já estamos a ser empreendedores. Mudar o horário de atendimento, alterar um preço ou atacar novos segmentos são formas de inovação que representam empreendorismo.

A meu ver, o ponto de partida para o empreendorismo, não deverá ser o ganhar dinheiro para as despesas do dia-a-dia. É importante que seja visto como uma forma de realização pessoal e profissional. Esta realização está directamente ligada à valorização pessoal e dos que nos rodeiam, à independência e ao interesse genuíno pelo que se faz.

Portugal é conhecido como um país de pouco empreendorismo. Somos um país com elevada aversão ao risco e níveis acentuados de colectivismo, (estudos culturais de Hofstede sobre cultura empresarial nos diferentes países).

A população tem medo de falhar e de ter insucesso. O grupo é privilegiado acima do individuo e o sucesso pessoal nem sempre é bem visto, sendo muitas vezes questionada a honestidade dos que vencem na vida…

Estes dois factores representam um grande obstáculo à actividade empreendedora no nosso país, pois há sempre um nível de risco no empreendorismo que não se consegue evitar. Para além disso há bloqueios psicológicos de cariz cultural quando se ganha ou perde. Se falhamos estamos condenados e perdidos, não haverá segundas oportunidades e ninguém se esquece. Se vencemos somos desonestos e tivemos sorte. Parece que mais vale ficar sossegado num canto e deixar a vida andar…

Felizmente o empreendorismo já tem vindo a ser melhor aceite e o reflexo disso, é a contribuição dos media para a divulgação de casos de sucesso. No entanto, a meu ver, ainda há um longo caminho cultural a percorrer para que se possam alterar mentalidades nesta área.

O primeiro passo de um empreendedor é a identificação de uma oportunidade presente ou futura. Esse trabalho parece mais difícil hoje em dia. A globalização trouxe grandes desenvolvimentos, principalmente nas áreas das tecnologias de informação e comunicação.

Este facto veio alterar o comportamento dos consumidores e das empresas e daí a dificuldade na identificação de oportunidades. Tudo parece mudar rapidamente. O consumidor tem uma grande diversidade de ofertas e às vezes até altera a sua decisão conforme o ambiente em que se encontra. Muitas empresas não conseguem acompanhar este ritmo competitivo e fracassam na capacidade de fazer face a ameaças ou aproveitar oportunidades.

Normalmente as oportunidades estão implícitas nas tendências e mudanças, sejam elas sociais, politicas, económicas ou culturais. Até as situações de crise podem representar uma oportunidade. Hoje em dia as grandes tendências passam valorização do eu, pelo sobressair dos outros através de posses e experiências, manter a jovialidade para sempre (complexo de Peter Pan do qual eu sofro abundantemente), procurar uma vida mais saudável, vidas muito ocupadas e com diversas frentes, o uso de redes sociais e novas tecnologias que poupem tempo na execução de tarefas, etc

Podem ser identificadas excelentes oportunidades ou ter-se excelentes ideias. O problema é passar à acção e transformar essas ideias em algo palpável. Para além dos nossos problemas culturais já mencionados, há também outros factores que determinam a falta de empreendorismo em Portugal.

Em primeiro lugar o difícil acesso a capitais ou desconhecimento dos meios de financiamento disponíveis no mercado. Em segundo a irregularidade das políticas governamentais e “danças” de governos. Por último, é algo que não nos é ensinado na escola. O programa escolar, deveria desafiar a mente das crianças a inovar, a criar e acima de tudo, a explicar quais são os passos necessários para concretizar uma ideia e passar à acção.

Um estudo do Eurobarómetro, indica que 37% dos Europeus gostaria de ser empreendedor mas que apenas 15% o concretizam. Outro estudo realizado pela EOS Gallup Europe Institute, refere que 71% dos Portugueses gostariam de ter o seu negócio próprio, a taxa mais alta da Europa!! A pergunta era “ Será que devo ter o meu próprio negócio?”. Noutros países de cultura Escandinava ou Anglo Saxónica, a resposta foi precisamente o contrário, ou seja, preferem trabalhar por conta de outrém.

Portanto, as pessoas querem ser empreendedoras para ter independência, dinheiro, satisfação pessoal, realização e porque observam de uma boa oportunidade. Mas porque há tanta gente que se fica pela intenção?

A resposta óbvia é que há muitas pessoas que se sentem seguras e confortáveis no seu emprego, têm uma família estável e um bom estilo de vida. E perante isso, não estão dispostas a arriscar serem empreendedoras.

Mas na verdade há muitas pessoas que até têm o capital ou conhecem os meios de chegar a ele, têm conhecimentos e capacidade, já vislumbraram a oportunidade mas mesmo assim não arriscam. Afinal o que distingue um empreendedor de um não empreendedor?

Segundo o livro “Ser Empreendedor” das Edições Sílabo, os traços principais de um empreendedor são:

- É alguém que toma iniciativa para criar algo novo e de valor para o próprio empreendedor e para os clientes,

- O empreendedor tem que despender o seu tempo e esforço para realizar o empreendimento e garantir o seu sucesso,

- O empreendedor recolhe as recompensas sob a forma financeira, de independência, reconhecimento pessoal e de realização pessoal,

- O empreendedor assume os riscos de insucesso de empreendimento, quer sejam financeiros, sociais ou psicológicos/emocionais.

Mas o que leva os indivíduos a serem empreendedores? Este é definido em termos de comportamentos e atitudes. Ninguém nasce assim porque não há genes de empreendedor. Há as motivações próprias ou até uma situação de necessidade. Há também outros factores como o ambiente educacional e familiar, se os pais também foram empreendedores, as experiências passadas (se objectivos anteriores foram concretizados ou não), a experiência profissional prévia e a idade. 

De facto, a grande fatia de empreendedores são indivíduos entre os 25 e 45 anos que já tiveram pelo menos um emprego. Mas também não me parece que haja um critério de idade obrigatório, embora admita que a vitalidade física seja importante. Não se pode embarcar num novo projecto se nos sentirmos cansados ou em má forma física ou mental.
Antes de terminar, um pequeno paragráfo sobre a questão do risco. Normalmente pensa-se que quem começa um novo negócio assume grandes riscos. Esta frase não deixa de ser verdade mas são riscos controlados. Com um bom estudo de mercado, um bom modelo de negócio, um financiamento equilibrado, uma estratégia viável e com parceiros conhecedores da indústria e do mercado, reduz-se em grande escala os potenciais riscos de um novo negócio.

Por fim termino com uma lista de mitos e frases sobre o empreedorismo que encontrei. São apenas isso… mitos! A vontade, o rigor, trabalho e o desejo de sonhar parecem-me bem mais importantes! Think about it!

- O empreendedor nasce, não se faz.

- Qualquer um pode iniciar um negócio.

- São jogadores/apostadores que assumem riscos excessivos.

- Têm necessidade de protagonismo.

- São patrões de si mesmo.

- Trabalham muito.

- Iniciam negócios de risco.

- Apenas para os ricos.

- Idade é uma barreira – apenas para os jovens.

- São motivados apenas pelo dinheiro.

- Procuram o poder e controlo sobre os outros.

- Se tiverem talento, o sucesso chega em 1, 2 anos.

- Qualquer pessoa com uma boa ideia pode enriquecer.

- Tendo dinheiro é fácil falhar.

- Sofrem de stress.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

A Colômbia e o final da aventura da America do Sul!

A Colômbia assinalou o destino final da nossa viagem. Percorremos o norte do país: Cartagena, Playa Blanca, Santa Marta, Taganga, Minca e a capital Bogotá.

Foi um dos melhores países que visitamos mas ao mesmo tempo um dos mais estranhos.

O primeiro choque foi a onda de calor em Cartagena, cerca de 35 graus. Esta cidade, que foi a primeira na America do Sul a ser colonizada pelos Espanhóis representa bem aquilo que é a Colômbia hoje em dia: turismo, crescimento, ebulição, pessoas, juventude e salsa... Muita salsa!

No meu imaginário este era o país de Pablo Escobar e dos cartéis de cocaína. E também de Valderrama claro, o jogador de futebol com o melhor penteado de sempre (para quem não conhece o seu cabelo parecia uma palmeira).

A imagem das drogas, milícias, raptos e assassinatos que muita gente tem da Colômbia é um erro e faz parte do passado. Na zona da selva ainda há locais controladas pelas FARC, mas neste momento a grande maioria do pais está virada para o exterior e para o século XXI.

Há tantas oportunidades e tanto por fazer que apetece ficar ali e tentar a sorte. Nunca tinha visto um El Dorado assim, um sítio com tanto potencial... Mas pronto, também já sei que provavelmente será uma bolha, e que daqui a uns anos, depois de alguns crescimentos a dois dígitos, o pais entrará no comum ciclo do crescimento infinitesimal e novas crises sociais e políticas surgirão! Tomara que esteja errado!!

Mas há muito por fazer no país: o poder de compra está a aumentar, há uma nova classe média nas grandes urbes e muita juventude! O novo Brasil ou Angola para quem quiser investir!

Percorremos o norte da Colômbia, na chamada zona do Caribe! Ficamos em praias paradisíacas, dormimos em redes, bebemos sumos de fruta, comemos peixe e marisco, vimos aranhas do tamanho de bolas de ténis e caminhamos na selva ao estilo do filme "Em busca da Esmeralda Perdida"! Foi bom terminar a viagem assim, com algum descanso e calor. A pior parte foram os mosquitos. Fomos atacados sem dó nem piedade. As nossas pernas e braços pareciam bifes do lombo numa aldeia da Etiópia.

No fim ainda fizemos Bogotá, a capital da Colômbia com 12 milhões de habitantes. Há 15 anos esta era a cidade mais perigosa do mundo, com o maior número de assassinatos. Hoje é uma cidade cosmopolita e moderna, com milhares de pessoas a passear na rua e a rebentar de energia. Ficamos na zona cultural da cidade, a plaza Chorron e vimos muitos espectáculos de rua. Um deles, o contador de histórias, ficará nas nossas memórias para sempre. Também visitamos o museu Botero, o museu do ouro e fizemos as últimas compras de Natal em feiras de artesanato gigantescas!

No dia 22 de dezembro partimos para o aeroporto. Por certo cada um de nós falou com os seus botões e se perguntou se queria mesmo voltar já. A resposta foi sim. Há timings para tudo e esta experiência já ninguém nos tira. Para além disso eu estava com uma dor de dentes horrível e apesar de estar em Bogotá, só pensava no meu querido dentista ali na rotunda da Estefânia!

Para trás ficaram quase 4 meses de experiências incríveis. Espero que se tenham divertido tanto como eu nos relatos do Blog dos Bosques e nas fotos que fomos colocando no Facebook e Instagram.

É uma viagem que toda a gente devia fazer e aquele que volta não fica indiferente. A America do Sul é um local com uma energia muito especial e onde ainda acontecem daquelas coisas que ouvimos nas histórias ou vemos nos filmes. 

Agora em Portugal, olho para trás e nem acredito nas coisas que vi e locais onde estive. A experiência na quinta da Malfatta, o Iguazu, Ushuaia, os Andes, os animais que vimos, o glaciar do Perito Moreno, Machu Picchu, as pessoas que conhecemos... Muitas delas nativas dos próprios países e a viver com muito menos do que qualquer um de nós alguma vez imaginou...

E agora? O futuro?

A pergunta mais importante para mim é: como se regressa de uma viagem destas depois de tudo o que se fez e viu? Como se aproveita a experiência para ser melhor? Estamos mais vazios ou mais cheios? Mais completos?

Se calhar, há 15 anos atrás, iria ficar cheio de nostalgia e saudades depois das experiências que tivemos.

Hoje com 30 e poucos anos, sei que não há tempo para isso. Devemos sim, aproveitar esta oportunidade da melhor maneira possível e potência-la para o futuro, juntado aquilo que vivemos com aquilo que já éramos anteriormente!

Tivemos tempo para reflectir no passado, presente e futuro. Tempo para aprofundar pensamentos e tomar decisões. Ganhar novas referências. Melhorar enquanto pessoa. Decidir o caminho.

A principal conclusão é que o futuro é uma folha branca por escrever e só depende de nós o que fazemos com ele! Vamos a isso!

Think about it!




terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Nos trilhos do Perú!

O Perú era um dos destinos mais aguardados pelo grupo. A capital do Império Inca, Cuzco e a cidade perdida de Machu Picchu aproximavam-se a passos largos.

Quando chegamos a Cuzco eram 5 da manhã. O autocarro que nos trouxe da Bolívia demorou 12 horas e desta vez saiu me a rifa no assento ao meu lado. Um padre de 150 kilos, vestido de saias e com a cara igual à do Ribery, scary!!

Ficou muito por ver no Perú. Arequipa e o seu parque natural de condores, o norte, a costa com as suas praias, a selva e mesmo outros locais mais interiores, onde gostamos sempre de ir para vermos as aldeias que não foram tocadas pelo tempo e onde as populações vivem da mesma forma há várias centenas de anos.

Fizemos Cuzco, Machu Picchu e Lima e já deu para ficar com uma ideia do país e a sua cultura.

Cuzco é uma cidade lindíssima. Tem muitos prédios de arquitectura colonial espanhola, praças onde se reúnem mercados e pessoas, uma catedral rica no seu interior, ruelas estreitas pavimentadas com calçada e muitas referências a arte. Na área de San Blas há algumas galerias, espectáculos de rua e restaurantes confortáveis. Num dos dias entramos na faculdade de belas artes e trocamos algumas impressões com um professor de desenho. Subimos a pé ao Cristo Blanco, uma estátua ao estilo cristo rei, e que do topo de uma montanha, abraça toda a cidade com os seus braços esticados.

No mercado presenciamos aquilo que já tínhamos visto noutras cidades da América do Sul. Muitas frutas, sumos, artesanato, roupa, comida, barulho, cores e milhares de acessórios à venda género capas de telemóvel e corta-unhas.

Ficamos hospedados num Hostel bastante bom e barato. Mas nunca consegui decorar o nome do mesmo. Ao fim de semana a cidade enchia-se de festa e havia vários bailaricos espalhados pelas ruas e pessoas a cozinhar. Aproveitamos para fazer algumas actividades outdoor que ainda não tínhamos feito: rafting no rio, andar a cavalo e fazer uma zip line, que é basicamente um cabo que é atravessado de um lado ao outro do rio e se passa pendurado num gancho a alta velocidade! Dar o primeiro passo mete medo...

A tão aguardada viagem para Machu Picchu começou na sexta-feira dia 29 de novembro. Só lá íamos chegar 1 dia depois. 

Há duas maneiras de chegar a Machu Picchu: a rápida e cara vs a lenta e barata.

A primeira custa 190 dólares ida e volta e é um comboio que sai todos os dias de Cuzco. A segunda vale cerca de 30 dólares...

Como bons mochileiros pobres que somos, avançamos para a segunda hipótese. Queríamos sentir as dificuldades de chegar a este sítio mítico e ganhar o mérito de ter chegado a Machu Picchu com esforço e trabalho!!

E na verdade isso aconteceu... Foi duro e estafante... O sítio mais afastado e difícil de chegar nas Américas até agora! Primeiro apanha-se um autocarro de 6 horas de Cuzco até Santa Maria. Nesse autocarro viajamos com dois peruanos a suar em bica e a cheirar a lixo. O condutor era louco e a estrada estava cheia de curvas. Eu e o Miguel enjoamos bastante. Depois um taxi de duas horas até à central hidroelétrica numa estrada de terra e com precipícios de várias centenas de metros. E para terminar a viagem até Águas Calientes, a cidade que serve de apoio a Machu Picchu... mais uma caminhada de 2 horas por uma linha de comboio no meio da selva! Nesta estrada que atravessa o vale sagrado, passamos pontes com tábuas de madeira duvidosas género Indiana Jones e vimos pirilampos ao anoitecer. Surgiram duas perguntas: onde estão os pirilampos que havia em Portugal antes? Ainda se vende o pirilampo mágico?

Quando se chega a Machu Picchu surge outra pergunta: porque é que os incas foram para ali?? O que lhes deu na cabeça? O sítio é completamente selvagem, situado num planalto de umas montanhas assustadoramente altas. Harry Bingham descobriu o local em 1911 com a ajuda de um pastor que lhe falou numas ruínas perdidas.

Acordamos por volta das 4 da manhã para apanhar um dos primeiros autocarros que leva os visitantes ao santuário. Às 6 da manhã em ponto, 11 em Portugal, as portas abrem. 

Nós entramos por volta das 6.10. 

A visão do santuário é simplesmente indescritível. A cidade e o estado de conservação em que se encontra são de cortar a respiração. Os espanhóis destruíram todas as cidades incas quando chegaram ao continente Sul americano, mas como nunca encontraram este local, ele assim foi ficando... Intacto!

Não se sabe ao certo para que servia este santuário... Retiro espiritual, centro religioso, forte militar, local para as mulheres do imperador, etc muitas são as hipóteses. 

Seja qual fosse a utilidade é simplesmente magnífico e recomendo vivamente toda a gente a ir. Subimos a montanha de Machu Puicchu para termos uma melhor vista e tirarmos algumas fotos. A escada é tão a pique que às vezes parece que se tem uma parede à frente. Muito semelhante à subida do Frodo Baggins para Mordor no Senhor dos Anéis. 

Vimos a arquitectura das casas na cidade principal e tocamos nas pedras de vários ângulos que se juntam como um puzzle umas às outras. É impressionante pensar como este povo carregou estas pedras que têm muitas toneladas e construíram estas estruturas há muitas centenas de anos sem sequer ter acesso à roda! Os Incas eram engenheiros fabulosos. Visitamos outros locais de interesse como o palácio do Inca e o templo das 3 janelas. 

Por toda a cidade correm carreiros de água construídos para facilitar o abastecimento de água e as canalizações. À volta da cidade, terraços com vários níveis, em formato de escada, serviam para cultivar batata, milho e favas. Estes terraços eram feitos na encosta nesta forma de escada para evitar a erosão criada pelas chuvas. Se eles não existissem, as terras seriam todas arrastadas!

Machu Picchu forever, era um dos sítios do mundo que sempre quis visitar e não desiludiu!

Para Lima, viajamos num autocarro super luxuoso com refeições a bordo e Tv privada com filmes e séries! Foram 20 horas que até se tomaram agradáveis!

Ficamos hospedados na zona de Miraflores, a única onde os turistas podem ficar nesta mega urbe de 12 milhões de pessoas... O resto é perigoso e feio!

Foi bom voltar ao nível do mar! Depois de 3 semanas na altitude foi excelente poder voltar a respirar em condições. A cidade tem uma linha de costa bastante bonita com praias e miradouros. Há vários surfistas na água. Comemos marisco, ceviche e bom peixe grelhado. Conhecemos o centro e visitamos as principais artérias. Trata-se de uma cidade moderna com muito comércio, prédios e trânsito. As pessoas mudaram face a Cuzco e já não se via tanto as feições Incas na cara das pessoas. 

Próximo passo é a Colômbia pois não nos deixaram entrar no Equador. É necessário ter um bilhete de volta para sair de lá e nós não tínhamos! Fica para a próxima e venha o Caribe da Colômbia, temos curiosidade em conhecer e guardamos 15 dias para o efeito!

O grupo de viagem segue unido. O cansaço é maior que nunca, os standarts de deconforto continuam a bater novos recordes mas já nos habituamos. Na Argentina por exemplo, marcávamos os Hostels com antecedência antes de chegarmos aos sítios. Onde isso já vai... Agora chegamos aos sítios, seja a que hora for e partimos à aventura, com a mochila às costas, em busca de hospedagem!

Na verdade, os sítios que conhecemos e as pessoas que se atravessam no nosso caminho compensam todas as dificuldades. Uma experiência sem igual mas também sempre igual: boa!

Think about it!

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Believe in Bolívia!

Para sair do Chile, embarcamos num autocarro pelo meio do deserto de Atacama. Quando anunciaram a fronteira com a Bolívia, mandaram toda a gente sair para tratar do visto.

A paisagem era desoladora. Areia, pedras, um vulcão com o topo coberto de neve no horizonte e lamas de pescoço esticado a olhar curiosos para a agitação. Aparte destes animais, parecia que estávamos numa paisagem de Marte.

Dentro de uma casinha, um senhor de fato treino carimbava os passaportes. Por cima dele uma fotografia de Evo Morales, o presidente indígena do pais. Um revolucionário anti-Estados Unidos que expulsou o gigante Macdonalds da Bolívia!

Tinha alguma curiosidade sobre este senhor. Aliás, até sentia alguma admiração pela sua coragem! Uma vez li um facto curioso: não há nenhum pais no mundo que esteja em guerra e tenha Macdonalds. Coincidência?

Por este facto e pelo espírito revolucionário anti-capitalista que já tinha presenciado nestes 70 dias de viagem, estava à espera de encontrar uma sociedade em ebulição, com uma ideologia forte, segura do seu caminho e apostando nos seus recursos, turismo e cultura.

Mas após 10 dias na Bolívia fiquei um pouco desiludido. Afinal o presidente Evo não tem um rumo muito estável. Parte da atitude anti-EUA deve-se ao facto de os Americanos terem dado asilo político ao antigo presidente que fugiu há uns anos com umas malas cheias de dólares. O senhor Evo tentou ripostar recentemente dando asilo político a Edward Snowden, mas não conseguiu e até arranjou problemas com Portugal e outros países Europeus que não deixaram que o avião aterrasse nos seus territórios! Lembram-se disto?

O turismo não tem uma estratégia, apesar do país ter alguns dos sítios mais belos do planeta. As pessoas e os lugares não estão preparados para receber. Pela primeira vez estivemos em sítios sem electricidade ou papel higiénico. Internet nem vê-la apesar dos vários letreiros wifi. Pergunto-me se não será uma armadilha para estrangeiros. Rio-me ao pensar nisso.

Foi excelente estar nestes sítios genuínos e sem grandes organizações, pois apesar dos muitos desconfortos e de estarmos perdidos algumas vezes, não é isto que é viajar também?

Voltando ao líder da nação, Evo Morales, algumas das suas medidas e frases mais famosas incluem:

- O pagamento de um imposto especial para mulheres com mais de 18 anos que NÃO tenham filhos, com o intuito de aumentar a população.

- Sobre uma conhecida marca Americana de refrigerantes referiu, "a coca cola põe as pessoas carecas!"

- E no que toca a futebol, mostrou todo o seu conhecimento quando afirmou, "a minha equipa preferida em Espanha é o Barcelona, mas na Europa é o Real Madrid..."

Uma das leis que mais me surpreendeu é que os edifícios inacabados não pagam imposto. Posto isto, as pessoas não pintam os prédios onde habitam, deixando os tijolos cor de laranja à mostra, reforçando assim que o prédio não está acabado!!

Quanto ao povo em si, este não é como o Chileno ou Argentino. Estes dois últimos tinham pessoas bastante acolhedoras e era possível sentirmo-nos integrados mesmo sendo estrangeiros. Na Bolívia, há os Bolivianos e há os estrangeiros, não há cá misturas. Em muitas situações foram antipáticos, mas pronto há que aceitar a cultura. Também houve excepções e encontramos alguns nativos simpáticos. Têm conflitos de longa data com o Chile e saíram a perder em muitas guerras... Têm pouca auto-confiança e orgulho.

La Paz é a cidade mais alta do mundo a cerca de 3500 metros de altitude. Toda a cidade está enfiada num vale montanhoso. A paisagem deixa qualquer um de queixo caído. Colinas gigantes cheias de casas de tijolo, ruas a pique e milhares de fios eléctricos. Vivem lá 2 milhões de pessoas.

Uma das visões mais clássicas de La Paz são as senhoras de chapéu de côco e várias camadas de saias coloridas. Não é raro ver estas senhoras, com as suas bonitas tranças pretas, a carregar um bebé, as compras para casa ou o que vão vender nas ruas, tudo ao mesmo tempo!! Enquanto isso, e ao seu lado, o marido caminha tranquilo sem nada para carregar...

A Bolívia foi dura em termos físicos. As altitudes não deixam respirar tão bem e o corpo ressente-se. Várias vezes a subir escadas ou ruas ficamos sem ar. Também tivemos chuva, muito frio, calor abrasador, escaldões na pele...foi duro.

A natureza voltou a surpreender! O salar do Uyuni, o maior deserto de sal do mundo é majestoso. Como pode haver tanto sal a quase 4000 metros de altitude? No deserto de Atacama, este feito de areia, vimos novamente montanhas coloridas e rochas com formas caricatas devido à erosão de milhares de anos!

No meio de alguns kilómetros de areia que fazíamos de jipe, iam aparecendo também géiseres, lagoas às cores com flamingos e lamas a passear nas suas margens. Às tantas, quando aparecia uma lagoa já dizíamos "xxiiiii mais uma, que seca, estou farto de lagoas!".

Nos arredores de La Paz, descemos a mítica estrada da morte de bicicleta e a paisagem alterou -se completamente. Esta estrada desce 64 kms em estradas estreitas de gravilha e rodeada de penhascos. Nas montanhas onde fica situada a estrada, parece que estamos numa selva cerrada, tal é a quantidade de vegetação. As histórias sobre o perigo da estrada não são mentira, mas qualquer pessoa com um mínimo de consciência faz a estrada sem problemas de segurança.

Uma curiosidade: nos últimos anos morreram 19 pessoas a descer esta estrada de bicicleta, 12 eram israelitas... Os viajantes com atitude fatalista, um dia escreverei mais sobre eles.

No dia em que descemos a estrada, chovia torrencialmente e havia muita lama, o que trouxe dificuldades acrescidas. Neste vale onde se encontra a estrada, produz-se a planta da coca. É o segundo local do mundo onde se produz mais quantidade, apenas atrás do Sul da Colômbia. O próprio Evo Morales tem a sua plantação!

Depois do deserto, do salar e da selva a norte de La Paz, pensávamos que a Bolívia não nos ia surpreender mais...

Mas quando chegamos à Ilha do Sol no Lago Titikaka, esse pensamento provou ser errado. Uma ilha parecida com Santorini. Um lugar com um pôr-do-sol de quadro impressionista e onde vimos paisagens únicas.

Um dos sítios mais bonitos que visitamos nesta viagem: a Ilha do Sol (sim é verdade, cantámos a música do Netinho algumas vezes). A Ilha que os Incas diziam ser o local onde nascia o sol.

Nesta ilha também tivemos a oportunidade de ver aldeias bolivianas que permaneceram intactas com o passar do tempo. Burros, porcos, vacas e lamas. Campos de favas e milho descendo em formas de terraços pelas colinas. Casas de pedra com telhados de colmo. Famílias inteiras a lavar a roupa no rio. Caminhos de pedras soltas.

Senti-me mal de passar neste sítios com a minha roupa de turista.

Agora estamos no norte da Bolívia numa vila chamada Copacabana. Queremos apanhar um autocarro para Cuzco no Perú, ex-capital do império Inca e base de partida para Machu Pichu.

Só que... Há uma greve a bloquear a estrada por isso não sabemos se conseguimos sair hoje ou nos próximos dias!

A ver vamos! Até lá... Think about it!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Chile com carne!

Mal-me-quer, Bem-me-quer, assim foi o Chile.

No escudo governamental Chileno vem escrito "Con la razon o con la forza." (Com razão ou pela força!). Esta frase é uma boa introdução sobre o espírito do pais. Ou vai ou racha!! 

É um país peculiar tal como a Argentina o tinha sido. Os heróis nacionais são Salvador Allende e  Pablo Neruda. A geografia é estranha e única no mundo. 6000 kms de altura e apenas 175 kms de comprimento! O pais tem muitos recursos, principalmente agrícolas (fruta e vinho) e minérios. A maior mina de cobre do mundo fica no norte do Chile. E quem não se lembra da recente história dos 60 mineiros resgatados através de uma cápsula mínima? A costa do pais é banhada pelo oceano pacífico. Nunca o tinha visto e é grande, azul e lindo, o oposto da piscina dos Olivais. Quando se sobe para norte temos os Andes sempre a acompanhar-nos a Este. Que lindos e altos são, sempre com os seus picos cobertos de neve.

O pais tem um total de 17 milhões de pessoas. A capital Santiago, contando com os subúrbios, tem 5 milhões. Tal como a Argentina existe uma grande concentração de pessoas na capital. Porquê? Porque é aqui que está o dinheiro, trabalho, comida e água. As outras cidades referência são Valparaiso e Concepcion.

A arte urbana está em todo o lado. Centenas de desenhos e grafittis nas paredes cheios de cores e mensagem. Valparaiso é uma das capitais mundiais do street art.

O Chile tem qualquer coisa de Portugal. A luz solar é parecida. O tipo de vento é parecido. Valparaiso faz lembrar Lisboa e a estrada que vai desde esta cidade para Vina del Mar parece a marginal que vai até Cascais. A arquitectura também é semelhante mas o mais parecido são mesmo as pessoas.

Ou são as mais amáveis do mundo ou são as maiores bestas! Se vêm que alguém necessita mesmo delas as pessoas são antipáticas. Aconteceu-nos em restaurantes, em hostels  e noutros locais. Pessoas que estão acomodadas no seu posto de trabalho e como estão a ter um mau dia prestam um péssimo serviço. Mas por outro lado também encontramos gente super prestável e simpática. A quinta onde ficamos em Bulnes foi exemplo disso. O Andres, pai do Juan Pablo Chaparro, meu amigo do RAC, recebeu-nos como reis e deu-nos boa comida, cama e roupa lavada para além de nos ter mostrado toda a quinta com muita amabilidade, obrigado por tudo.

A natureza é mais uma vez avassaladora. Aqui em São Pedro de Atacama é tudo árido e as cores no céu à noite são vermelhas e cor de laranjas. A vir do Sul passamos por centenas de kilómetros de vinhedos e pomares. As montanhas estão sempre presentes. A vida selvagem é constituída por muitos tipos de pássaros desde pelicanos a condores, passando por albatrozes. Mas aquilo que mais gostei foram os lobos marinhos. Em Valdivia quando voltávamos de um bar, demos de caras com um bando deles à beira mar. Foi engraçado interagir com eles e conhecer o Pancho, o lobo marinho renegado pelas fêmeas e que anda sempre sozinho, um pouco como o João Soares. 

Nas ruas há juventude, mercados e lixo. Com a greve geral que tem assolado o pais nestes dias, a recolha de lixo deixou de se processar e há muita porcaria nas ruas, um espectáculo dos tempos modernos e um aviso para o futuro... Nas ruas das principais cidades há muita gente e juventude. Impressionou-me uma aula de zumba que vimos no meio de Valdivia com gente de todas as idades a partir a loiça literalmente! No centro de Santiago andamos pelas ruas pedestres cheias de árvores e raios de sol e era bom estar ali... Em várias avenidas há pianos que as pessoas podem tocar se quiserem. Várias pessoas como nós reúnem-se à volta para ouvir. Tanto em Santiago como Valparaiso fomos a mercados de fruta, marisco, carne, meias, roupa, livros, antiguidades, etc.. Tudo cheio de cores e vida, excelente para dar passeios. 

Sobre a história do pais não me vou alongar muito. Mas vale a pena pesquisarem, se quiserem, a história da independência em relação a Espanha, a história de Salvador Allende, o golpe de estado de Pinochet e a história de Pablo Neruda. Tudo referências muito fortes e que vale a pena ler. 

No grupo tudo continua bem. O roubo da mala do Jiggie em Santiago podia ter fragilizado as coisas mas teve o condão de fortalecer. Ele desviou o olhar da mala por apenas 5 segundos, o suficiente para um cobarde pegar na mala e se enfiar num taxi e fugir. Mas tudo foi resolvido: já tem uma mochila nova, eu dei lhe a roupa que pude e fomos à embaixada buscar um passaporte temporário que foi logo emitido. Tudo resolvido com muita cabeça, o que pode ser difícil de manter quando se anda na estrada há dois meses!

Às vezes estamos cansados porque as condições não são as melhores. Mas é só fisicamente. 

Na nossa mente e espírito estamos motivados e muito felizes. Sabemos a sorte que temos em estar a fazer esta viagem e viver estas experiências. Todos os dias agradeço esta oportunidade e tento aproveitar o máximo. 

Amanhã passamos para a Bolívia e começamos logo com uma excursão de 3 dias no Salar do Yuni. Diz que é bonito.

Think about it!