segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Matéria orgânica no solo!

Os solos são uma das àreas mais importantes na agricultura por razões óbvias. São também uma das àreas mais complexas que tenho estudado aqui no RAC por toda a componente cientifica que envolve esta temática. Não tendo um background de ciência é mais dificil, mas tudo se torna mais claro com a observação directa e experiências em laboratório que temos nas aulas.

O solo é normalmente constituido por 25% de àgua, 25% de ar, 45% de matéria mineral (argilas ou areias por exemplo) e 5% de matéria orgânica.

Mas afinal o que é isto da matéria orgânica?

No fundo são todos os restos de plantas ou animais que se encontram em decomposição ou já decompostos no solo. Esta decomposição é feita pelos microorganismos presentes no solo, no fundo as bactérias, fungos, minhocas, etc. Calcula-se que numa grama de solo haja mais de 1 milhão de bactérias! Quando estas bactérias e organimos vivos "atacam" estes restos, há uma parte que é libertada no ar em forma de dióxido de carbono. A outra parte permanece no solo naquilo a que chamamos de humus. Trata-se de uma camada escura, castanha ou preta, que se encontra na superficie do solo ou na sua primeira camada, o chamado top soil (primeiros 15 cm).

Em termos fisicos esta matéria orgânica é muito importante pois ela é responsável por agregar as particulas minerais do solo como as argilas ou a areia. É assim como uma espécie de cola. Para além disso facilita o crescimento das raizes, deixando o ar circular melhor, tendo ao mesmo tempo uma elevada capacidade de reter àgua, o que permite irrigar melhor os solos (menos desperdicio).

Em termos quimicos a matéria orgânica é uma fonte de nutrientes para as plantas, especialmente Nitrogénio (Azoto), mas também fosfatos e potássio. Esta capacidade de atrair e reter nutrientes é fundamental para o sucesso da chamada agricultura orgânica. Neste método de cultivo, e ao contrário da agricultura convencional, não se podem adicionar os chamados fertilizantes quimicos. A única fonte de nutrientes disponivel é esta matéria orgânica por isso a eficiência da sua gestão é fundamental.

O cultivo apenas baseado na matéria orgânica tem vindo a ter cada vez mais sucesso, pois o consumidor tem vindo a ganhar cada vez mais consciência das vantagens para o ambiente. De facto, este método não permite o uso de pesticidas e fertilizantes o que de certa forma evita a contaminação dos solos e a presença de elementos quimicos indesejados na comida. Mas por outro lado, e apesar da matéria orgânica tornar as plantas mais fortes em termos de defesas, não se consegue a mesma protecção para as plantas que se teria com um pesticida normal. Também em termos de retorno as diferenças são enormes. Um hectare de trigo convencional onde tenham sido aplicados fertlizantes consegue gerar 8 toneladas de grão (no Reino Unido), enquanto que contando apenas com a matéria organica para adubar se conseguem 3 toneladas na melhor das hipóteses. Para além de se ter menos retorno, trata-se de uma colheita mais frágil e menos previsivel.. nunca se sabe como vão ser os resultados.

Para os defensores e consumidores do orgânico, os meus parabéns, estão de facto a contribiur para um maior equilibrio ambiental nos campos. Apenas fica uma nota: não se iludam, não é possivel alimentar 7 biliões de pessoas ou os 9 biliões previstos para 2050 por este método... simplesmente não há terra suficiente para isso.

Uma das questões mais importantes na matéria orgânica é a sua gestão no terreno. Quando as plantas a absorvem ela tem de ser substituida, ou seja faz tudo parte de um ciclo. Algumas das práticas mais comuns passam por espalhar estrume nos campos, deixar a palha e o restolho (restos do milho ou sorgo por exemplo) após as colheitas, o plantio directo, etc, ou seja tudo práticas que permitam que mais residuos vegetais e animais fiquem no solo! Lavrar os terrenos, ou seja revirar o solo, é uma prática altamente desaconselhada nesta modalidade pois envia a matéria orgânica para baixo do solo e ela lá fica.

Termino com uma frase de Roosevelt proferida em 1937 "A nation that destroys its soil, destroys itself!"

É importante que os governos tenham planos e organizações que pensem nesta temática dos solos, pois trata-se de uma das maiores riquezas de um pais, mais que ter ouro ou diamantes. Desconheço a situação ao pormenor em Portugal, mas as cartas de solos são todas antiquissimas e a informação que existe é que os nossos solos são pobres em termos de matéria orgânica... o que está a ser feito para combater isto? É importante reforçar que tal como foi dito no inicio, parte da decomposição da matéria orgânica é enviada para atmosfera em forma de dióxido de carbono. Ou seja se não a soubermos reter, vamos não só ficar com solos mais pobres mas também com o ar mais poluido..

Think about it!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Cabeças de cavalo e afins!


O bem-estar dos animais na pecuária e uma das áreas que mais me interessa no âmbito dos meus estudos agrícolas.

Trata-se de uma das áreas mais em foco no RAC, e nas aulas que temos sobre vacas, porcos e galinhas, metade do tempo e dedicado as técnicas de exploração efectivamente ditas dos animais (carne, leite, ovos, etc..) e a outra metade e dedicada ao chamado welfare dos mesmos.

Recentemente publiquei no Facebook uma fotografia da cabeça de um cavalo, cujo cérebro estivemos a dissecar numa aula sobre ciência animal. A fotografia em questão pode ser um pouco chocante para pessoas mais sensíveis mas levanta também um dos pontos principais que quero abordar neste texto: ate que ponto as pessoas realmente se preocupam com os animais?

Não tenho a resposta para esta questão mas dá-me a sensação que a sociedade em geral gosta de dizer que se preocupa com os animais, mas prefere não ver o que se passa na vida real... O que e isto então? Preocupam-se ou não se preocupam?

Não devemos julgar ninguem nesta área, pois são questões muito sensíveis e as pessoas podem não gostar de sangue ou sentirem-se enjoadas, etc... Mas queria deixar alguns pontos que julgo serem importantes para a sociedade reflectir, particularmente para que, no seu papel de consumidores, possam pensar neles.

Em primeiro lugar, qual e a moral que alguém pode ter em dizer que se preocupa com o bem-estar dos animais e depois come carne e outros produtos derivados dos animais? Quando se alimentam todos os dias, as pessoas preocupam-se com a origem da carne e com o bem-estar do animal de onde a mesma veio? Ou preocupam-se mais com o preço e com o sabor e aspecto da comida?

Penso que a resposta a esta pergunta e bastante clara: as pessoas gostam de ver a carne barata e bem embalada e com uma boa cor, mas não se preocupam com a origem da mesma. Apenas confiam que deve haver uma mão invisível... Talvez leis que protegem os animais nas quintas de origem... mas não se dão ao trabalho de investigar.

Porque mesmo que haja leis meus amigos, e mesmo que determinados pressupostos de bem-estar estejam garantidos para estes animais, eles são sempre alvo de grandes privações e sofrimento.

Isto leva-me a minha segunda questão. No contexto da PAC Europeia define-se que para garantir o bem-estar de um animal ele deve ter as chamadas 5 liberdades:

- Acesso a agua potável,

- Acesso a comida,

- Não deve ter medo,

- Conforto e abrigo,

- Oportunidade de expressar o seu comportamento normal,

A questão e então: São estes critérios suficientes para garantir o bem-estar dos animais? Na minha opinião, isto e uma falsa questão e nem sequer se devia colocar. Se realmente nos preocupamos com o bem-estar dos animais então não os deviamos comer, não os deviamos matar em matadouros bem desinfectados, não devíamos prende-los em estábulos e campos com cercas, não devíamos limitar o seu comportamento sexual, não devíamos interferir na alimentação, etc...

Para a maioria das vacas a única relação sexual que tem na vida e com uma palhinha... A chamada inseminação artificial, e depois quando o vitelo nasce e logo separado da mãe, para que esta nos possa dar o leite para os cereais de pequeno-almoço e fazer queijinho e manteiga... Meninas, gostavam que isto vos acontecesse? Que vos tirassem ano apos ano o vosso filho, para que pudessem ser exploradas e tirarem produtos dos vossos corpos?

E quanto ao transporte dos animais? Quantos de vocês gostavam de ser transportados em camiões apinhados, a suportar falta de água e temperaturas extremas de frio ou calor? Faz lembrar um pouco o holocausto quando havia pessoas a ser transportadas em condições desumanas para campos de concentração.

Mas o que interessa tudo isto, se o bife vier com um bom molho, batatas fritas e ainda um vinho delicioso a acompanhar?

Se realmente nos preocupamos com animais porque levamos os nossos filhos ao zoo e lhes mostramos o urso polar a apanhar sol?

Tal como referi, apenas queria levantar estes pontos, de forma um pouco extrema talvez, para que as pessoas possam pensar nas coisas de uma forma lucida e informada.

Na minha opinião há que aceitar sem falsos moralismos a estrutura da cadeia alimentar. As espécies desenvolvem-se e crescem porque são as mais fortes tal como Darwin estudou e comprovou. Desta forma, o ser humano vingou na terra porque foi mais forte que os outros e isso deve-nos permitir encarar a questão de comer animais de forma normal e sem preconceitos. Os animais são criados numa perspectiva de exploração, depois são mortos, tira-se a pele e corta-se a carcaça em partes para ser comida depois. Desde pequenos que devíamos conhecer esta realidade e na escola devia haver visitas de estudo a mostrar como tudo isto se faz.

Aliado a esta transparência de processos, penso que deveria haver um grande investimento na fiscalização do bem-estar dos animais, para que não haja produtores a fazer mal aos mesmos a priva-los das 5 liberdades mencionadas acima. Produtores que não respeitassem as leis deveriam ser severamente punidos.

Se houvesse mais abertura para mostrar as pessoas o que realmente se passa, ou seja se desde pequenos nas escolas, fossemos obrigados a ver o que se passa e mesmo participar no processo, as pessoas estariam mais informadas e o mercado seria menos corrupto e mais transparente. Os produtores que tem vacas apenas para receber subsídios mas que as deixam morrer a fome poderiam ser condenados. Leis como aumentar as gaiolas de galinhas de 450 cm para 750 cm cúbicos seriam uma anedota!

Tudo isto para que quando o consumidor chegasse ao supermercado pudesse ver na embalagem se aquele animal foi criado ao ar livre, como foi abatido, se foi criado com a mãe, etc..

Num contexto em que Portugal tem de aumentar a sua produção de comida, prevejo que haja muitas oportunidades no mercado para mostrar aos consumidores que determinada comida e melhor que outra pelo simples motivo que este ou aquele animal foi tratado com mais respeito que outro. O respeito pelos animais pode e dever ser encarado como uma vantagem competitiva de mercado e no fundo e uma situação win win: os produtos são melhores e o consumidor fica mais satisfeito por saber que se esta a respeitar a natureza!

Concluindo, a meu ver, apenas os vegetaríamos podem ter moral para criticar qualquer foto de um animal abatido, pois de facto os animais que são explorados para proveito dos humanos, sofrem bastante e tem bastantes privações. Se a nossa moral nos permitir aceitar isso apenas temos que os respeitar então e assegurar que ninguém passa os limites e que todos os animais têm direito as 5 liberdades. Os consumidores devem também procurar informar-se mais e não enfiar o assunto debaixo do tapete... Fingir que não acontece e o mesmo que negar educação aos nossos filhos e não resolve o problema.

Think about it!

 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Back on Campus!

O verão já lá vai... o maior da minha vida até hoje! 4 meses!! 120 dias de férias não acontecem todos os anos... mas na minha cabeça faz-se um sentido de justiça depois de 7 anos de trabalho e verões na universidade passados em estágios para alimentar o CV com mais umas linhas.

Destes 120 dias, cerca de 45 foram passados na Austrália a trabalhar numa quinta. Foi uma das experiências mais humildes e enriquecedoras da minha vida. Acordar às 5 da manhã com a geada, ir buscar as vacas ao campo, ordenhá-las, cortar o pescoço a galinhas, alimentar porcos, guiar o tractor, etc.. foram tudo experiências que me mostraram aquilo que é a vida numa quinta e talvez o que me espera no futuro.

Acima de tudo serviu-me para perceber que quero enveredar por esta àrea. Os turnos de 12-14 horas diários ao ar livre não são nada comparados com uma manhã sentado num escritório a falar ao telefone e a escrever mails!! Trabalhar na natureza é um sonho tornado realidade e é tão instintivo como comer ou dormir.

O homem vive na natureza há 50.000 anos, porque que é que de repente, nos útimos 200 anos, decidiu enfiar-se em fábricas e escritórios??

Com o passar dos dias na Austrália já começava a olhar para a evolução do crescimento das plantas, os padrões metereológicos, procurava pegadas de predadores no chão, enfim, comecei a desenvolver um conjunto de skills que auxiliavam na gestão diária da quinta e que na cidade não existem certamente. Certamente que passado 1 mês e meio sobre essa experiência já estou a perder essas habilidades... é preciso uma prática constante e a aprendizagem é diária!

Agora mais um ano em Inglaterra, um ano para começar a planear como gostaria fazer a minha entrada neste meio agricola. Há que avaliar várias hipóteses... trabalhar para outros ao inicio, em Portugal ou no estrangeiro, com animais ou com cereais, com frutas ou vegetais, com capital próprio ou alheio, etc.. um conjunto de escolhas que podem significar caminhos completamente diferentes. Acima de tudo com a consciência que é um meio bastante dificil, técnico e competitivo e só com muita seriedade poderei ter algum sucesso. Com o passar do tempo até o significado da palavra sucesso se vai moldando na minha cabeça. Acho que vai ser importante ser competente em duas ou três àreas, dado que a rotação é fundamental na agricultura, mas acima de tudo gostava de ter um bocado de terra e sobreviver disso.. este é o meu novo conceito de sucesso!

O primeiro ano foi introdutório, não sabia nada de agricultura ou pecuária e ainda por cima a aprendizagem era em Inglês! Já absorvi algumas coisas básicas mas ainda há um longo caminho a percorrer. Escolhi para este ano cadeiras relacionadas com a elaboração de Forragens (fundamentais para a alimentação dos animais no inverno), Gestão dos Solos, Água e Irrigação, Maquinaria, Edificios Agrícolas e Produção Animal Avançada. A pecuária é a àrea que me chama mais atenção neste momento, mas ainda ontem lia um artigo sobre um produtor de vinhos que há 10 anos odiava vinhas, por isso vamos ver como será o futuro!

O RAC continua igual a si mesmo... frio, chuvoso e com uma população que vai desde os Ingleses que só se preocupam em beber cerveja até aos mais estudiosos que só vivem para o seu PHD. Eu encontro-me algures no meio e este ano com a responsabilidade da equipa de futebol, a vertente desportiva fica reforçada. Inscrevi-me também na natação esta semana... a primeira sessão foi ontem e sem dúvida que gostava de manter esta saudavel actividade.

Durante esta primeira semana no RAC, também conhecemos o Ministro da Agricultura de Inglaterra. Reunimos com ele cerca de 25 estudantes de agricultura e conversamos de forma informal e descontraida. Sem pressas e distâncias hierarquicas, David Heath falou-nos sobre as suas visões da agricultura mundial e as suas maiores preocupações. Todos tivemos a oportunidade de falar e expôr os nossos pontos de vista. Foi de facto uma excelente experiência. Dúvido que semelhante acontecimento pudesse desenrolar-se em Portugal com o mesmo à vontade e interesse por parte de uma figura política.

Enfim, a vida continua, 1 ano já lá vai e outro está para vir. As saudades este ano são maiores que no ano passado. Familia e amigos são a coisa mais importante que temos no mundo e custa estar longe deles, especialmente no meio da chuva e frio! Mas são opções de vida e daqui a 5 minutos já é 2020!

Blog dos Bosques is back!

Think about it!!







 

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Uma quinta na Austrália!

3 cães, 4 gatos, 12 vitelos, 9 porcos, 2 pavões, 1 pelicano, 1 cavalo e inúmeras galinhas e patos… são estes os animais que habitam no jardim da quinta onde estou a trabalhar na Austrália. Todos vivem em equilíbrio uns com uns outros, mas muitos também acabam no prato do Norm e da Dawn que se orgulham de não ir a um talho há bastante tempo

Este casal que anda na casa dos 60`s é aquilo a que se pode chamar um casal adorável. Têm dois filhos que já não vivem na quinta, mas cuja presença em fotografias e outros pequenos detalhes ainda se encontra dentro destas paredes. Também esses filhos já têm filhos hoje em dia, e foram viver para a cidade… não quiseram ficar no campo. Um deles mudou-se para Sidney, o que diga-se não é uma má cidade para se viver. Os poucos dias que lá passei mostraram-me uma das cidades mais bonitas e funcionais do mundo, sinal mais! Vale a pena visitar os seus monumentos, parques e ruas com gente jovem e bandas a atuar.

Quando cá cheguei, ao ler um guia turístico, fui relembrado de algo que a primeira vista parece não ter grande importância, mas que faz toda a diferença na cultura de um país: a Austrália só existe há 200 anos! Pelo menos enquanto país e com este nome. Nos últimos 50.000 anos foi habitada pelo povo aborígene que caçava, dançava, cozinhava, pintava e fazia amor durante o dia e depois no dia seguinte… voltava a fazer o mesmo! Até que o Diabo Branco chegou e alterou tudo isto… hoje em dia os aborígenes são uma raça marginalizada dentro da sociedade Aussie e estão associados a problemas de prostituição, crime e drogas. Alguns deles são também os melhores desportistas e artistas do pais, mas é impressionante verificar o que os povos colonizadores fizeram a estes povos.. Portugal também estragou a vida a muita gente nas Áfricas e Américas, mas gostamos de nos lembrar que inventámos o compasso marítimo e fomos brilhantes ao dividir o mundo em Tordesilhas.

São também um dos países mais ricos em minérios do mundo! Têm tudo e mais alguma coisa e oportunidades não faltam para quem quiser trabalhar nesta área. Sendo uma das profissões mais perigosas do mundo as empresas Australianas pagam cerca de 20.000 euros/mês (sim por mês!!)para quem quiser fazer turnos de 16 horas/dia a 300 metros de profundidade sem seguro de vida. Se queres fazer 240.000 euros por ano e não te importas com estas condições, vem para a Austrália jovem!!

E assim temos este jovem país, que inicialmente foi habitado pelos expatriados e condenados britânicos e depois por outros imigrantes de diversas nacionalidades. Nota-se no entanto que foi um país que evoluiu influenciado pela esfera da commonwealth: bebem chá, guiam à esquerda e gostam de cerveja. Os desportos nacionais são o cricket, rugby e futebol australiano, que embora não se compare ao nosso futebol é muito interessante também. Mas apesar das semelhanças, e depois de ter vivido um ano no UK, posso também dizer com alguma segurança que os Australianos já souberam criar a sua identidade e parecem-me mais descontraídos, sociáveis e amigáveis que os Ingleses.

A quinta onde estou a trabalhar fica em Stanhope, no estado de Victoria, berço da nação Agrícola Australiana. Stanhope fica a 36 graus sul do equador, a mesma distância a que Portugal fica do equador, mas a norte. Esta questão está a ser bastante boa para a minha aprendizagem agrícola pois as características meteorológicas são bastante semelhantes com as nossas. A última coisa do mundo que pretendia era ter sido colocado numa quinta de produção super intensiva cheia de maquinaria pesada e relações complexas com clientes e fornecedores. Ou seja, até podia ter acontecido ter calhado numa situação dessas pois quando vim não sabia bem para o que vinha. Mas em vez de uma quinta virada para o mercado e para o lucro, o que encontrei foi um lugar virado para a natureza e com pessoas amigáveis, o que me deixou bastante satisfeito. Obviamente que uma quinta precisa de fazer dinheiro e ninguém pode viver sem isso, mas é preferível e possível fazê-lo respeitando o ambiente e os animais que nele habitam.

Digamos que estou a trabalhar numa quinta “Free Range”.

Stanhope foi alvo de milhões e milhões de dólares de investimento no seculo XX, cujo objetivo foi a construção de canais que permitissem fazer a rega dos campos. Talvez Portugal pudesse ter aproveitado os fundos Europeus para fazer algo de semelhante em vez de andar a alimentar o bolso de políticos corruptos ou a fazer quilómetros de alcatrão. Ao todo estes canais irrigam uma área que tem uma extensão de 150 km de altura por 300 kms de comprimento. A coisa é tão fácil como isto: quando o Norm quer regar os campos, basta abrir o canal que está ao fundo do seu terreno e a água vem deslizando suavemente pelos campos. Obviamente que o terreno é ligeiramente inclinado por milímetros para permitir que a água escorra. Trata-se de uma zona de criação de gado bovino, ovelhas e também de cereais. Na região onde me encontro, há muitas unidades de produção de carne e também de leite.

Aqui na quinta temos também 96 vacas leiteiras que têm de ser ordenhadas 2 vezes por dia, às 5 da manhã e às 16 da tarde. Nas primeiras duas semanas estive a ajudar o jovem Dylan que já trabalha aqui há uns meses. Na sexta passada já fiz o processo todo sozinho o que envolveu algum grau de responsabilidade e autonomia. Estava com algum receio mas correu tudo bem, à exceção que nos primeiros minutos tinha um filtro mal ligado e perdi alguns 30 litros de leite para o cano de esgoto…

Na quinta fui muito bem recebido pelo casal Norm e Dawn. Não recebo ordenado mas tenho um quarto confortável, comida caseira com fartura e até me “deram” uma moto 4 para o meu trabalho diário e para me deslocar. Não há vida social nas redondezas mas o trabalho ocupa-me grande parte do dia. Faço de tudo desde a ordenha das vacas, arranjar cercas, guiar o trator, semear solos, alimentar os animais e muitas outras coisas do dia a dia de uma quinta! Às vezes os animais fogem e tem que se andar atrás deles, quem disse que uma vaca não consegue correr? Em campo aberto correm mais que nós, pelo que já me apercebi. Também vou tendo outras experiências engraçadas, hoje por exemplo o responsável pela inseminação artificial das vacas veio à quinta e, no meio do processo, desafiou-me a por uma luva até ao ombro e a enfiar o braço dentro da vaca até sentir os ovários da sra., muito didático. Mais tarde tínhamos que dar um remédio a uma vaca e tive que lhe agarrar na cabeça e por os dedos no nariz com toda a força para a obrigar a abrir a boca, enfim, coisas do dia a dia.

No meio disto tudo o Norm acompanha-me em tudo. Que sorte ter encontrado uma pessoa como ele. Já tem cerca de 64 anos mas tem um espirito de um jovem de 20 anos. Diria que é um homem que devia ter vivido na altura do Renascimento. Nunca viajou mas lê livros sobre tudo e mais alguma coisa. Está sempre a receber livros pelo correio que compra em segunda mão na internet e diz-me todo contente “ O que me interessa se estas palavras são em segunda mão?”, interessa-se por arte e por física. Adora cozinhar, antecipa a meteorologia, e sabe sempre quando vai fazer geada. Arranja tudo o que estiver estragado e não desiste até resolver um problema com a maior calma e paciência do mundo. Em duas semanas já criei uma relação de amizade com ele bastante boa. Para além de ser um senhor bastante interessante também tem um elevado sentido de humor. Às vezes levanto-me e digo-lhe que não me apetece ir trabalhar e ele ri-se que nem um perdido. Às vezes quando ele cozinha eu digo-lhe que não gosto da comida e ele diz-me que eu posso então enfiá-la por um sítio acima haha. Resumindo, é bastante bem disposto e passamos o dia alegres enquanto trabalhamos! Entretanto, ele também foi durante vários anos professor de agricultura numa universidade da Austrália e explica-me todas as dúvidas que eu tenho. Ainda esta semana vamos ao Mercado vender uns porcos e vamos matar umas galinhas para comer… ele diz que tenho de ser eu a fazê-lo… Vai ser giro! Acima de tudo ele confia em mim e vai-me propondo vários desafios. Acho que esta é a melhor maneira de trabalhar com pessoas: confiando nelas para se poder aproveitar o potencial.

Melhor que isto acho que seria difícil, tive bastante sorte em encontrar um local assim. Claro que já tenho muitas saudades de Portugal e quando penso que estou enfiado no inverno australiano enquanto é verão no nosso pais, custa bastante. Mas ao mesmo tempo está a ser uma experiência enriquecedora e inesquecível. Mais umas semanas e já poderei comer marisco em Portugal e estar com os amigos e família.

Muitas saudades e abraços do outro lado do mundo, e não se esqueçam…Think about it!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Animais que falam!

Os animais que habitualmente encontramos nas quintas são de facto engraçados e geram em nós sentimentos de ternura e de regresso à infância. Produtividade e empresas à parte, quem não gosta de ver as vacas pachorrentas a pastar nos campos, as ovelhas aos saltos ou os porcos a escavar raízes e a rebolar na lama?
Temos também patos, cavalos, galinhas, coelhos, veados, javalis, etc todo um conjunto de personagens, cada qual com as suas manias e características.
Muitos destes animais já são inclusivamente estrelas de Hollywood! Quem não se lembra de Um Porquinho Chamado Babe, ou de filmes em que estas espécies falam entre si, quando os humanos não estão presentes? Será que isto acontece mesmo? Será que eles comunicam entre eles e combinam estratégias e resolvem problemas? Como os brinquedos no filme Toy Story?
Eu gosto de imaginar que sim. Que apesar de os sujeitarmos à vontade humana ainda há um espaço só deles em que os humanos não conseguem entrar. Não é como acreditar no Pai Natal, é apenas achar que eles interagem de forma independente à sua maneira, e que os humanos não conseguem lá chegar!
Aqui nas quintas do colégio, há registo de algumas histórias interessantes. Desde vacas que dão mais leite quando ouvem música clássica até uma história de porcos verdadeiramente inacreditável. Uma das técnicas mais comuns de alimentar porcos de forma automática é colocar-lhes umas coleiras electrónicas à volta do pescoço. Consoante a cor, os porcos passam na zona de alimentação, e a respectiva ração cai. Ora, estes senhores descobriram, que a coleira azul dava mais comida durante o dia, e então começaram a trocar as coleiras entre si!! Fantástico!!
Obviamente que estou a fantasiar um pouco em relação à verdadeira inteligência destes animais. Parece estar tudo muito mais relacionado com uma questão de estímulos. Uma questão de prémio ou castigo. Quando a águia Vitória chega ao meio campo do estádio da luz tem lá um bifinho à espera. Quando queremos ensinar um cão a sentar podemos dar-lhe um biscoito para o premiar. Quando se põe vedações eléctricas à volta dos campos de vacas é para elas perceberem que há ali uma dor associada se passarem daquele perímetro.
É a chamada Law of Effect para os animais: uma resposta voluntária associada a uma recompensa é mais provável de se repetir do que uma resposta associada a um castigo.
Mas voltando a Hollywood e ao imaginário de que os animais falam entre si, sempre me questionei qual a proveniência de determinados animais em alguns filmes ou como é que eles eram treinados? Quando o Mel Gibson fez o Braveheart ou quando o Ridley Scott fez o Robin Hood, os animais que vamos vendo nos filmes são contemporâneos daquela época. A verdade é que, com a perspectiva empresarial associada à criação de animais, muitas foram as espécies de animais que foram desaparecendo ao longo dos séculos em prol daquelas mais rentáveis.
Em relação às vacas por exemplo, hoje em dia já quase só se vê Fresian-Holsteins (as malhadas a preto e branco) ou Aberdeen Angus (todas pretas) e outras mais como Limousin ou Hereford. Mas as vacas e os porcos do século XIII ou XIV eram diferentes, por isso onde será que os realizadores arranjam estes animais? Existe em Inglaterra uma grande preocupação com esta questão e há muitos produtores apenas dedicados à criação de espécies raras. Estas espécies são depois rentabilizadas através da venda de carne para restaurantes de luxo em Londres ou através da criação de parques temáticos, tais como mini zoos de animais onde as famílias levam os filhos no verão.
Quando por exemplo o Pai do William Wallace, no filme Braveheart, chega ferido a casa da batalha, transportado por uma junta de bois, tratam-se de facto de bois daquela altura, e dos quatro homens que acompanham a carroça, os dois detrás são criadores e especialistas no tratamento destes animais. E pela informação que recolhi não é nada fácil levar ovelhas, porcos e bois para os cenários de filmagem. Tem que se transportar os animais, levar comida, etc e muitas vezes os animais ficam stressados com a espera. Podem chegar ao local das filmagens às 6 da manhã e apenas filmar passadas 12 horas!
Encontrei também referência a um porco que foi treinado para o filme dos 101 dalmatas, supostamente um que faz cair a Glenn Close (Cruella de Vil) no final do filme. Este porco que tinha de estar sentado para esta cena foi treinado durante semanas para o fazer… porque quem se senta são os cães e fazer um porco sentar-se é quase impossível! Tratam-se de animais bastante inteligentes e só fazem aquilo que querem. Neste caso foi possível fazê-lo com o recurso à Law of effect, premiando repetidamente o animal com maçãs quando ele se sentava correctamente.
Estes animais são de facto fascinantes mas a sua inteligência está longe da nossa. Em termos de emoções já não digo mesmo, podem sentir afecto e sentem sem dúvida a maternidade ou se o dono é bom para eles ou não. Mas no caso das vacas, porcos e ovelhas por exemplo, estes animais não sabem por exemplo o que é a morte. Não têm uma ideia de morte. Enquanto os humanos sabem que vão morrer e sabem as consequências de determinados actos, estes animais não têm essa ideia. Embora seja proibido nos matadouros matar um animal em frente a outro, vários estudos demonstram que estes animais não reagem a esta questão.
São espécies que regem os seus comportamentos devido a questões mais hormonais e menos cerebrais, pois este não se encontra tão desenvolvido. Quando têm fome procuram comida, quando estão com o cio procuram reproduzir-se e quando a hormona do stress (cortisol) actua, podem tornar-se mais violentos ou esperneiam.
 A ciência de facto permitiu-nos conhecer melhor estes animais e trata-los melhor. Por exemplo, em Inglaterra, apenas no século XVIII, terminaram os julgamentos contra animais. Várias vezes havia ratazanas a ir a julgamento por terem comido os cereais num celeiro, ou cavalos que deram um coice a alguém… a pena de morte era muitas vezes aplicada!
Mas enfim, apesar de tudo isto, continuo a gostar de imaginar que os animais falam entre si quando os humanos não estão lá! Da próxima vez que virem um Porquinho Chamado Babe, o BraveHeart ou o Robin Hood, já sabem…
Think about it!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Pingo Doce ou Pingo Amargo?

Refugiado no campo em Inglaterra, segui com bastante atenção aquilo que se passou no Pingo Doce no último feriado 1 de Maio. Uma promoção de 50% de desconto directo em factura para compras superiores a 100 € não é todos os dias que acontece.
Como apaixonado pela Grande Distribuição que sou não queria deixar passar ao lado a oportunidade de comentar esta situação de diversos pontos de vista.
Em primeiro lugar, o Grupo Jerónimo Martins é um grande grupo. Fiz a minha formação profissional neste grupo e por isso posso ser suspeito ao fazer esta afirmação mas os factos comprovam-no. É um grupo familiar que foi superando as dificuldades que se lhe depararam ao longo dos anos de forma corajosa e exemplar.
Quando tirei o curso de Gestão na Universidade Católica diversos professores usavam o grupo JM como o exemplo daquilo que não se devia fazer. Na altura estávamos no início do século, entre 2000 e 2004. Nestes tempos foram vários os erros estratégicos do grupo, nomeadamente a questão da internacionalização para o Brasil, que aliada a desvalorização de 75% da moeda Brasileira, quase levou o grupo à bancarrota. O grupo perdeu crédito junto dos investidores e especula-se que apenas a acção da banca, nomeadamente do BES e BCP ajudaram o grupo a sobreviver. Nesta altura o Pingo Doce era ainda aquele supermercado caro direccionado para as elites, o Feira Nova era um Hiper com um posicionamento estranho quando comprado com o Continente ou o Carrefour e o Recheio apanhava pancada da Makro e de outros grossistas no Norte.
O que aconteceu então para que passados 10 anos o Grupo esteja onde está? Porque cresce 2 dígitos em vendas e resultados ano após ano? Porque tem a maior capitalização bolsista dos últimos anos em Portugal contrariando o ciclo negativo do PSI 20? E porque continuam a inovar e a abrir novos mercados e portas como nenhum outro grupo Português? Porque não vendem tudo ao Tesco ou à Wall Mart e vão descansar para uma ilha?
Para mim a resposta, que estive lá dentro, passa pela equipa de Gestão do grupo. O presidente do conselho de administração, o presidente da comissão executiva, os seus filhos, os directores financeiros, marketing, comerciais, etc.. são pessoas com uma grande visão. Uma visão preconizada por Soares dos Santos e ajudada a pôr em prática por pessoas competentes como Luís Palha da Silva e outros consultores externos como Borges de Assunção. Os directores das unidades de negócio conhecem as lojas todas de Portugal e as pessoas que lá trabalham pelo nome próprio. Desde o topo da hierarquia até ao caixa de supermercado, existe uma motivação enorme e um grande orgulho em pertencer a este grupo.
Não são permitidos atrasos nas reuniões. O consumidor é REI. Há uma revista interna no grupo que exalta os feitos pessoais dos trabalhadores do grupo, sejam eles das lojas ou dos escritórios. Lançaram máquinas de cafés e têm uma marca própria que em termos de qualidade pode ser comparada a muitas marcas líder mas muitas vezes quatro vezes mais barata. Têm uma escola de Recursos humanos, onde ensinam as competências que cada funcionário necessita ter para executar a sua função. Acabaram com o Feira Nova e conseguiram mudar o posicionamento de preço do Pingo Doce para um quase Hard Discount, mas possuem lojas com aparência agradável e que em nada se compara ao LIDL e Minipreço. São líderes de mercado no Polónia. Têm excelentes frescos (fruta, pão, carne, etc..),  etc  etc etc etc  julgo que por todos estes motivos e muitos que faltam aqui mencionar são de facto um excelente grupo e um exemplo de gestão para as empresas Portuguesas.
Relativamente a esta acção, devo no entanto dizer que fiquei um bocado surpreendido. A grande distribuição tem vindo a surpreender ao longo dos últimos anos com todos os instrumentos e mais alguns para captar o máximo de consumidores possível, mas nada do que se tinha passado até aqui supera isto. O Pingo Doce mais uma vez inovou mas aqui apareceu uma primeira contradição: esta insígnia tem vindo a comunicar que não faz promoções, nem cartões, nem talões, mas isto é claramente uma promoção, e mais do que isso, é a MAIOR promoção de sempre.
Aqui surge-me a questão: quem vai pagar a acção? Para termos uma ideia do que pode custar uma acção deste género podemos construir alguns pressupostos:
- A insígnia tem neste momento 396 lojas.
- Quanto ao valor gasto, vamos considerar uma compra média de 120 € , porque muitas pessoas não se limitaram a comprar 100 €, e com certeza houve muitas mercearias e pequenos retalhistas que foram lá abastecer e não compraram menos de 500 € em produto.
- As lojas abriram às 9 da manhã e fecharam às 18, mas vamos considerar o período de compras até às 19 horas porque muitos consumidores ainda se encontravam na loja quando as portas fecharam. Foram portanto 10 horas de abertura.
- Para cada acto de compra vamos considerar 15 minutos. Ou seja para passar os produtos na caixa registadora e pagar vamos considerar 15 minutos por consumidor. Portanto, ao longo do dia, cada caixa registadora teve 40 actos de compra (600 minutos/15 minutos). Se fizermos uma média de 10 caixas registadoras por loja (algumas têm 2, outras têm 30) temos então um total de 400 actos de compra por loja.
Fazendo então as contas temos: 120 € x 50% de desconto x 396 lojas x 400 actos de compra =
9.504.000 €!

Trata-se então de uma oferta total aos consumidores de quase 10 milhões de euros. Com alguma margem de erro nos pressupostos, acredito que o custo real desta promoção se encontre entre os 8 e os 12 milhões de euros
De acordo com o relatório de contas de 2011, o Grupo teve um resultado líquido de 340 milhões euros, sendo que mais de metade deste valor vem da Polónia. Poderá então o Pingo Doce sacrificar à volta de 10% do seu resultado liquido num único dia do ano?
A JM está então disposta a ajudar os portugueses, como afirmou esta semana, mas com os custos saídos do seu bolso? Estará disposta a dar estes 10 milhões de euros e sacrificar a sua margem?
Não me parece que isto vá acontecer. As marcas vão ser pressionadas até à morte para financiarem esta operação e não vão poder fazer grande coisa se não pagar… Primeiro vão dizer que não sabiam da acção e não tinham nada combinado em relação a pagamentos... mas de certeza que receberam encomendas fora do normal na semana anterior e não se importaram muito esse facto quando estavam a fazer os números de Abril.
Muita imprensa informou que o Pingo Doce fez dumping mas também já foi referido que vai ser muito complicado provar isso.
Por isso agora é aguardar pela autoridade da concorrência e também pela reacção do mercado, nomeadamente da Sonae. Estes senhores são os líderes de mercado em Portugal e não se vão deixar ficar assim... Para além disso se os fornecedores pagarem a acção do Pingo Doce é certinho que também vão ter de pagar uma à Sonae. O departamento de Marketing e Comercial da Sonae não fica nada atrás do Pingo Doce em termos de competência e por isso vamos aguardar pela resposta… quem sabe um 60% de desconto? Ou fazer 50% de novo mas desta vez com guarda-costas garantido para zelar pela segurança de quem está nas lojas?
Quanto ao dia da acção ser o feriado do trabalhador ou a confusão que foi gerada nas lojas só tenho a dizer que de facto a JM poderia ter reforçado a segurança nas lojas para evitar acidentes. Muitas das lojas têm corredores estreitos, parques de estacionamento pequenos e era de prever que animos pudessem exaltar. De resto todos os dias são dias e cada um faz o que lhe apetece. O simbolismo de determinados feriados pode significar muito para alguns e menos para outros. Por isso considero descabido qualquer questão face ao facto de as lojas estarem abertas neste dia ou mesmo criticas aos consumidores que lá foram aproveitar boas oportunidades.
Acabo este artigo com o mote que encontrei no relatório de contas da JM:
A certeza de um bom caminho nasce
do rigor do seu planeamento,
da disciplina na sua execução,
do controlo dos resultados atingidos.
Think about it!

quarta-feira, 28 de março de 2012

O Velho e o Mar!

O Amor, esse sentimento complicado de explicar e de dificil conjugação com a vida! Sei muito pouco sobre esta área... mas uma vez ouvi uma história no nordeste Brasileiro, que pelo menos me deu uma luz sobre os timings do amor!

À falta de assuntos agrícolas, gostava de imortalizar essa história no meu Blog dos Bosques durante esta tarde solarenga em Portugal:

Fax muito muito teimpo... esperem... é melhor escrever em Português... Há muito muito tempo atrás, os sentimentos viviam todos em ilhas. Cada um vivia na sua ilha e assim decorria a vida em paz.

Um dia o nível do mar começou a subir e os sentimentos começaram a fugir das suas ilhas. Mas o amor, que vivia em paz e harmonia na sua ilha, não tinha um barco para escapar...

Ao lado da sua ilha iam passando os outros sentimentos ao leme dos seus barcos mas ninguém o ajudava...

Chamou a Alegria mas esta não ouviu... chamou a Saudade mas esta não ouviu... chamou a Inveja mas esta também não ouviu...

Quase condenado à morte, com àgua a transbordar na sua ilha, eis que chegou um velhinho num barco e salvou o Amor!

Durante a viagem o velhinho não disse nenhuma palavra... mas quando chegou à ilha onde os sentimentos se tinham então reunido, o Amor foi perguntar à Sabedoria quem era aquele senhor?

A Sabedoria sorriu e respondeu: " Aquele velhinho é o tempo, pois só o tempo consegue encontrar um grande Amor!"


E assim foi a história que me ficou até hoje e acho que tem algum fundamento, especialmente nestes tempos de crise e descrença no futuro!

O Amor deve ser vivido com os nossos amigos, familia, e tudo aquilo que nos rodeia.. se o tempo ajuda ... acho que sou levado a concordar que sim. Deve ser praticado todos os dias (não esse amor que estão a pensar)... e devemos aplicá-lo ao próximo e a tudo o que fazemos na nossa vida como o trabalho ou os estudos!

A próxima vez que virem um velhinho num barco...think about it!