quinta-feira, 25 de abril de 2013

Arrotos de vacas!


O aumento da concentração de gases de estufa na atmosfera é uma causa directa do aquecimento global. Este fenómeno, que se traduz pelo aumento das temperaturas, tende a piorar. Alguns cenários para o seculo XXI, indicam aumentos médios de temperaturas entre 1 a 6 graus, o que ira aumentar a incidência de acontecimentos extremos como secas, cheias, tempestades, fogos, erosão dos solos, etc..

Estes acontecimentos podem revelar-se catastróficos para o ambiente e para a produção de comida a nível global. Num cenário de crescimento populacional, em que se esperam cerca de 9 biliões de pessoas em 2050, e como tal a produção de comida deveria duplicar, é dificil compreender como a sociedade aceita e nao actua de modo a reduzir estas emissões.

O gas de estufa mais comum é o dióxido de carbono. Fala-se muito deste gás e no conceito de pegada ecológica, no fundo a quantidade de dióxido de carbono produzida por determinado acontecimento versus um acontecimento alternativo. Desde o século XVIII que a concentração deste gás na atmosfera aumentou 30%, sendo a principal causa a combustão de combustíveis fósseis.

Mas um dos gases de estufa mais nocivos é o metano. O metano (CH4), é responsavel por 16% do total de emissões de gases estufa na atmosfera, e destes 16%, cerca de 40% deve-se à agricultura, em particular a produção animal. Tendo em conta que o metano tem um potencial de aquecimento global 20 vezes maior que o dióxido de carbono, a situação é preocupante.

O metano é formado por duas fontes: eructação animal (arrotos) e estrume, sendo o peso de cada um deles para o total das emissões de 85% e 15%, respectivamente.

Parace que a melhor maneira de parar o aquecimento global é então impedir as vacas e as ovelhas de arrotar!

Este gás e formado no estômago dos animais ruminantes (vacas e ovelhas) através do processo de fermentação. As bactérias presentes no estômago destes animais (o rumen), actuam sobre a comida e enquanto uma das partes é transformada em ácidos gordos (usados como fonte de energia e proteinas para o animal), outra parte transforma-se em Hidrogénio (H2), que por sua vez vai ser originar metano através da acção dos organismos metanogénicos. O metano é depois lançado na atmosfera atraves do esófago pelos “arrotos” dos animais.

Nos animais monogástricos, como o porco, a galinha ou o homem, não existem tantos processos de fermentação no estômago, o que faz com que não haja tanta produção de metano. Nestes animais, a flatulência (puns), é o veículo de lançamento do metano produzido para a atmosfera.

Para se reduzir os “arrotos” das vacas é necessario minimizar a parte da comida que é transformada em hidrogénio. É preciso encontrar rações que aproveitem melhor as proteinas e a energia inserida. Estima-se que cerca de 70% das proteinas (nitrogénio) ingeridas pelos animais não são aproveitadas, saindo dos animais através da urina e das fezes. Esta é uma das principais razões porque se diz que produzir gado bovino é altamente ineficiente. A urina e as fezes voltam para os solos através da adubação, mas a verdade é que este processo também contribui para a produção de outro gás de estufa: o óxido nítrico (N2O), que tem um potencial de aquecimento global de 310 vezes mais que o dióxido de carbono!

Ja existe muita investigação a ser desenvolvida para aumentar os níveis de proteína retidos pelos animais ruminantes. O desafio agora é transmitir e motivar os agricultores para aplicarem estas medidas. Uma das medidas passa por diminuir o nível de proteínas nas rações, substituindo-as por ácidos gordos e outros aditivos como taninos. Mas será que diminuindo o nível de proteínas que damos aos animais estamos a comprometer a produção de leite e carne? O que é mais importante: o ambiente ou a produção (lucro)?

Este é um dos grandes desafios ambientais para o futuro… quando virem uma vaca a arrotar...think about it!

 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Uma Quinta no Alentejo!

No passado mês de Março estive cerca de duas semanas a trabalhar numa Quinta no Alentejo, na zona de Vendas Novas. Não se pode dizer que tenha sido um trabalho propriamente dito. Ao contrário de outras situações em que tive de guiar tractores ou carregar coisas, aqui estive mais a acompanhar o responsável da exploração e a ver como se fazem as coisas.

E que boa experiência foi! Que bonito é o Alentejo no fim do Inverno! Todo verdinho!

O responsável e dono da exploração, João Soares, recebeu-me de braços abertos em sua casa e respondeu-me de forma incansável a todas as minhas perguntas, muitas das quais bastante idiotas.

Mais uma vez fui alvo de grande hospitalidade e só tenho a agradecer por isso.

Foi o meu primeiro contacto com a Agricultura Portuguesa. Já estava a precisar de ter um contacto com a nossa realidade e ouvir as coisas em Português foi um alivio! Aprender tudo em Inglês é cansativo e processar a informação na minha mente na nossa lingua foi como uma esponja a absorver a informação!

Algumas coisas que dizem sobre a Agricultura Portuguesa são um mito, outras são ainda piores do que se dizem.. Duas semanas não deu para aprender tudo, mas deu para ter um primeiro contacto e para perceber como o João toma as suas decisões.

O total da exploração estava dividido em 3 propriedades, totalizando cerca de 1700 Ha.

As produções da exploração são vacas para carne, pinheiro manso, sobreiros, cereais (trigo e milho) e azevém para forragens.

Não me parece bem estar aqui a expor no blogue a estratégia, os problemas ou as vantagens competitivas da exploração do João mas foi bastante interessante perceber como são tomadas as decisões:

- Maquinaria: sub-contratar ou adquirir maquinaria nova? New Holland ou John Deere? Quantos cavalos? Quais os outros equipamentos necessários? Comprar em segunda mão?

- Sementeiras: Usar sementeira directa? Qual o impacto de diferentes técnicas de semear nos níveis de matéria orgânica do solo? Quando semear? Deve-se mobilizar os solos ou não?

- Adubações e Herbicidas: O glifosato faz mal às plantas? Quando adubar as pastagens? Em que quantidades? Com que condições metereológicas?

- Solos: Qual a importância dos solos na estratégia da quinta? Quais as vantagens do solos argilosos ou arenosos? Como incorporar e manter matéria orgânica no solo? Qual a utilidade de correcções calcáreas?

- Pessoas: Quais as dificuldades que se têm com as pessoas que trabalham na quinta? Qual o papel do veterinário na estratégia da quinta? Deverá ser um custo ou um parceiro?

- Mercados: para quem se vende? Quem oferece contratos? Como funciona o mercado de Montemor? Quem são os grande players no mercado de cereais em Portugal e como funciona?

- Estado e outros agentes: Quais são os subsidios à disposição dos agricultores? Qual o enquadramento legal e fiscal do panorama agricola português? Os bancos ajudam a agricultura em Portugal? Quanto custa um Ha de boa terra?

- Animais: Qual a importância da genética nos animais? Qual a estratégia de reprodução? Qual a estratégia de alimentação? Que raças utilizar e porquê?

- Cereais: fazer ou não fazer cereais? Como planear a irrigação? Fazer cereais para grão ou para forragens?

- Edificios: Ter edificios agricolas? Para quê? Que tipo e em que condições? Estabular os animais ou deixá-los lá fora 365 dias por ano? Qual a capacidade de armazenagem que uma quinta deve ter?


Todas estas áreas e muitas outras foram abordadas nas minhas conversas com o João e sobre elas aprendi coisas novas. Até aprendi qual é a diferença entre uma Azinheira e um Sobreiro ou entre um Pinheiro Bravo e Pinheiro Manso!

Para cada pergunta existem várias respostas, pois determinados acontecimentos podem depender de vários factores. Acima de tudo há que perceber que a agricultura não é estanque e depende de várias variáveis, que combinadas entre si de diferentes maneiras podem ter diferentes resultados.

Ou seja, não há uma fórmula de sucesso!

Percebi que apesar do que se diz, há muitas coisas boas a serem feitas em Portugal neste momento!

Há bons produtores com boas práticas que estão a contribuir para o desenvolvimento do mercado. Não é um mercado morto como muitos pensam e não há muita terra boa ao desbarato para dar e vender! Mas apesar de tudo isto há muitas oportunidades. Há tecnologias e metodologias que podem ser implementadas em Portugal e trazer vantagens competitivas a quem queira trabalhar de forma séria e responsável.

O caminho ainda é longo, mas com o interesse das novas gerações, com o apoio da sociedade e com uma grande força de vontade e profissionalismo é possivel a Portugal recuperar e modernizar as suas estruturas agrárias, aumentando os nossos níveis de auto-sustentabilidade e contribuindo para as exportações.

Força Portugal.... Think about it!!

 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Uma quinta é um sistema para o futuro!

Quando tirei o curso de Gestão na Universidade Católica Portuguesa tinhamos uma cadeira chamada sistemas de informação na empresa. O seu objectivo no fundo era agregar a informação que se encontra nos vários níveis da empresa e torná-la visivel, útil e rentável para todos os funcionários nas várias posições. Esta interligação da informação de dados é bastante importante em qualquer àrea da nossa vida. Cruzar informações e a partir dai tomar as melhores decisões é algo que sem nos apercebemos fazemos todos os dias.
 
Se estiver frio e vamos trabalhar é melhor usar um sobretudo. Mas se em vez de trabalhar formos fazer desporto talvez umas calças de fato treino sejam o mais indicado. Se temos mais ou menos dinheiro no banco, comemos de forma diferente, vamos a sitios diferentes, etc.. tudo isto é a nossa vida, e qualquer decisão que tomamos está associada a um conjunto infinito de variáveis. As pessoas mais bem sucedidas e inteligentes são aquelas que conseguem organizar a informação de forma mais clara e objectiva, prevendo os problemas que possam suceder associados a qualquer uma das variáveis.
 
Na agricultura as coisas não são diferentes. As variáveis são infinitas e o conhecimento das mesmas significa o sucesso ou insucesso de determinado projecto.
 
Começando pelos processos mais simples temos as plantas. As plantas alimentam-se dos nutrientes no solo e formam matéria vegetal que depois é ingerida pelos animais e seres humanos. Os animais por sua vez utilizam essa matéria vegetal para a produção de proteínas (carne, leite e ovos por exemplo), que por sua vez será ingerida pelos seres humanos. Tanto uns como os outros fazem dejecções (fezes e urina) que são devolvidas e assimiladas pelo sistema. Esse sistema vai usar essas dejecções e os nutrientes nele contidos para a produção de novas plantas.
 
O paragráfo anterior é um resumo um tanto ou quanto vago daquilo a que podemos chamar um ciclo. Neste caso é o ciclo da alimentação, mas dentro dele existem os ciclos do carbono, do azoto e da àgua por exemplo. Tratam-se de ciclos fundamentais para um crescimento equilibrado da biodiversidade e sem eles não poderia haver vida na terra.
 
O conhecimento aprofundado destes ciclos, e as variáveis que neles estão envolvidas, é crucial para a prática da agricultura. Cada vez mais bocejo nas aulas em quem me dizem que para ter sucesso tenho de conhecer os mercados e os clientes e fornecedores e etc.. no fundo para ter sucesso financeiro... 
 
A meu ver estas questões estão-se a tornar secundárias face aquilo que realmente interessa na produção agricola: produzir com qualidade, respeitando e conhecendo o ecossistema. Só assim poderemos ser verdadeiramente sustentáveis, essa bonita palavra que muitos utilizam sem perceberem o verdadeiro significado dela. Para muitos será a preocupação com o futuro e as próximas gerações. É uma boa definição, mas assume um conhecimento daquilo que comemos e fazemos no nosso dia a dia.. e não é isso que está a acontecer. As populações, nomeadamente urbanas, e que compram os seus produtos nos supermercados, são guiadas maioritariamente pelo factor preço e marketing, desconhecendo o impacto que um simples acto de compra possa ter. Eu estou obviamente neste clube, mas acho importante começar a fazer algumas perguntas e a questionar os conceitos de sucesso.
 
As perguntas essenciais para um agricultor que pretenda implementar um sistema equilibrado passam por exemplo por:
 
- Quais são os nutrientes que afectam o crescimento e desenvolvimento das plantas? Como tornar esses nutrientes mais acessiveis às reizes das plantas? Como voltar a retornar os mesmos nutrientes à terra evitando a utilização de fertilizantes quimicos e evitando a depleção e erosão dos solos? Qual a influência que a água e temperatura do solo têm neste processo? Qual a influência que determinado tipo de planta ou forragem tem na alimentação e saúde dos animais? E quais são os processos através dos quais eles transformam essas plantas em carne e leite? Como posso reduzir as emissões de metano do gado bovino alterando a sua alimentação? Como é que uma mudança no tratamento do meu solo pode influenciar um ovo estrelado que vou comer no futuro? Qual a importância da biodiversidade no meu ecossistema?
 
E porque é que o consumidor não pode também saber quais são os processos que se dão na natureza e deste modo tomar decisões mais informadas?
 
A resposta a estas perguntas e o entendimento da relação entre as multiplas variáveis da natureza, é sem dúvida um conceito de sucesso muito mais abrangente e sustentável que o de simplemente conhecer os mercados. É o chamado conhecimento cientifico, mas que na prática é o conhecimento humano... que as gerações anteriores tinham apesar de não saberem ler nem escrever!

Um conhecimento adquirido por observação de estação após estação, ano após ano e que no nosso país se tem vindo a perder.
 
O mundo mudou em relação ao mundo  dessas gerações. Há muito mais conhecimento disponível e em formas mais acessíveis. Como tal temos a obrigação de pegar nesse conhecimento e fazer melhor. O recente escândalo da carne de cavalo é um claro exemplo que só estamos a fazer pior. O ciclo é simples: os consumidores não têm tempo, não cozinham em casa, querem refeições congeladas, não se envolvem no processo de compra, compram preço em vez de qualidade, então os retalhistas precisam de produtos baratos, o que faz com que os produtores se sintam pressionados a encontrar formas de chegar a esses produtos baratos. Misturar alguns cavalos na carne de vaca foi a solução encontrada para responder a essas pressões. Muito mais situações destas vão continuar a acontecer enquanto não nos quisermos informar e perceber como funcionam os sistemas. Sim, a culpa é do consumidor e não dos produtores ou retalhistas... porque o consumidor é rei e o mercado dá-lhe o que ele quer!!
 
Qual é a diferença para o planeta se eu comprar a maçã A ou a maçã B? Ou se comer 1 kg de carne por semana ou 1,5 kgs? Estas coisas deveriam ser ensinadas nas escolas!
 
Em conclusão, perceber a natureza é fundamental e é o primeiro passo para a sustentabilidade. Cada vez mais me assusta esse conhecimento porque é tão vasto, mas também já percebi que só com o tempo se chega lá. Agora fala-se em Portugal de centenas de novos agricultores, e estimular as exportações e produzir o que é nosso e cursos de 40 horas de agricultura para quem queira vir para a área. Sem dúvida que são bons estimulos e o país precisa. Mas parece-me que vamos assistir a mais um passo em falso no nosso desenvolvimento, pois só se fala de questões ligadas aos mercados, quotas e PAC e não se fala na natureza. Vão entrar novos agricultores que sem saberem o que estão a fazer vão destruir os solos, mal tratar os animais e no fundo contribuir para o afundar do país..
 
Conhecer a natureza por um futuro melhor...think about it!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O melhor texto sobre a polémica da Carne de Cavalo que li!

 
No doubt you are outraged about the horse meat scandal. You have every right to be – criminality, profiteering, potential fraud, all have led to many people eating an animal they would probably prefer to see in the 3.20 at Kempton and possibly also ingesting dangerous veterinary drugs.
 
 findus
 
However, I’m going to come at this from another angle and it’s this: it’s your own bloody fault. There you go. I know, I know; you’re not happy. It’s not your fault is it? It’s the government, the supermarkets, criminals and Goodness knows who else.
 
But it’s not just them, you see. It’s you.
 
After a week of this story my patience has finally snapped, and it’s time someone told you a few home truths.
 
Many of us have been banging on for years about this stuff, trying to make you care about the need for better food labeling, about fairness for farmers, about the need to support local farms to avoid all our food coming from giant, uncaring corporate agri-businesses which churn out cheap product to feed the insatiable appetite of supermarket price-cutting.
 
We’ve been highlighting the unfairness of UK farmers being forced to meet 73 different regulations to sell to supermarkets which don’t apply to foreign suppliers, and talking about our children growing up with no understanding of food production and, more than all of this, about the way supermarkets have driven down and down and down the cost of meat to the point where people think it’s normal to buy 3lbs of beef (in burgers) for 90p.
 
And you wouldn’t listen. It was like shouting into a gale.
 
Through the years of New Labour, when farming and the countryside were demonised, you wouldn’t listen. You cheerfully chose to believe that all farmers were Rolls Royce driving aristocrats, as painted by John Prescott. You had no sympathy. You wanted a chicken for £2 and your Sunday roast for a fiver. Well, you got them didn’t you? And hundreds of farmers went to the wall. And you still didn’t care because Turkey slices were ten for 60p.
 
And now you’re furious, because it turns out that when you pay peanuts for something it’s actually not very good. Who knew eh?
 
And before you start, don’t even think about the “it’s all right for the rich who can go to local butcher’s shops but what about the poor?” line. The number of people who can’t afford adequate amounts of food is tiny – tragic and wrong, yes, but tiny. Supermarkets don’t make their billions from them hunting in the “reduced” basket, they make their money from millions of everyday folk filling a weekly trolley. You, in other words.
 
Until the mid 1990s, Britain was also full of good local abattoirs. They were run by people who knew the local farmers who used them, and the local butchers which sold the meat. They were closed in their hundreds by new health and safety regulations which made it impossible for small abattoirs to compete with giant companies doing the job more cheaply.
 
We tried to tell you, you didn’t care.
 
And of course, unlike the previous generation you were “too busy” to actually cook. You were so busy that the idea of making a meal, then making two more out of the left-overs, was like something from Cider With Rosie to you. You bought a meal every night. And so it had to be cheap.
We tried to tell you. You just pointed out that Hugh Fearnley-Whittingstall went to Eton and sneered at us.
 
Cheap rearing abroad. You didn’t care. Cheap slaughtering by machine. You didn’t care. Cheap meat full of crap and off-cuts. You didn’t care. Frozen blocks of meat off-cuts from the abattoir floor being trucked in from Poland to ensure your pack of mince was cheap enough. You didn’t care. In fact you didn’t know, but that’s because you didn’t care.
 
But we cared. We kept trying to tell you. We launched campaigns, we wrote letters, we raised funds for adverts. Nobody knows what they’re eating anymore, we said. Nobody recognises how hard it is for farmers here to produce quality meat at a price they can sell because of the supermarkets.
And you didn’t care.
 
Well, now you know you’ve been munching on Dobbin and his various nasty drugs, possibly for years. And now you care.
 
And yes, you’ve been misled, cheated, lied to. But you must also take some of the responsibility. You didn’t tell supermarkets you wanted quality, you just watched the ads which said “175 products cheaper at Asda this week than Tesco” and went to Asda. You made the market they sold in to, you set their priorities. They gave you what you wanted.
 
So what will you do now? Now that you care.
 
How about this…
Rather than just moaning at MPs why not actually think about what you eat, what you buy, where it comes from? Why not visit a farm on an open day? Take the kids, show them where their food comes from. If it’s a good farm, why not try to use your consumer power accordingly to make more farms that way? To make them viable. Why not have a think about how you could make meat go further without spending more, through cooking, and thus be able to buy good, British, assured quality meat?
 
If you do that, I’ll stop blaming you, and some good may come of all of this.
 
The culprits responsible for all this will be found, and no doubt tried and hopefully convicted. With luck new rules will be introduced to make a repeat harder. But the market will find a way – it always does. So long as there is a demand for vast quantities of ultra-cheap meat, people will find a way to supply it. So long as people remain uninterested in where their food comes from and how it’s made, someone will cut corners.
 
It’s a ravenous beast, the market. Like its customers, as it turns out.
 
So now that you care I’ll tell you that we’ve been highlighting the plight of dairy farmers this year; explaining how supermarkets are paying such a pittance that they can’t stay in business and milk is increasingly coming in from abroad, where standards are lower. Pleasingly people noticed. Some people. If you weren’t one, perhaps, given events, you might like to now?
 
And when you’ve done that, take a look at the video in the link below, which details the Countryside Alliance’s hard-fought campaign on country-of-origin food labeling. Whilst you were suggesting the CA was only interested in fox hunting, it was doing this, for you, and now you know why.
 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Por terras de Diego Armando Maradona!

Li recentemente, que desde que a "nova" crise começou já sairam de Portugal cerca de 200.000 pessoas em busca de uma nova vida. Chamo-lhe nova crise, porque dá-me a impressão que sempre vivemos em crise, esta é só mais uma com características diferentes... uma crise financeira chamam-lhe as pessoas e os jornais!

Mas crises aparte, nosso povo sempre teve este gene do emigrante no sangue! Estamos em todo o mundo... orgulhamo-nos de que a segunda cidade com mais Portugueses no mundo é Paris! Até temos um estilo musical para relembrar com saudade aqueles que partiram para outros cantos do mundo.

Na minha familia, há bastantes histórias de emigrantes, especialmente do lado do meu Pai, onde os habitantes de São Pedro do Rio Seco, concelho de Almeida, emigravam para outras paragens em busca de iniciar uma vida nova. Outros partiam para regressar no futuro com algumas posses e enviando remessas enquanto esse dia não chegava.

As emigrações desses dias não são como as de hoje. Não havia Facebook para partilhar as aventuras nem Skype para falar com familiares. Não havia pessoas à espera no local de origem. As viagens faziam-se de barco e as condições de dormir ou comer eram 1.000 vezes pior que viajar na Ryanair. Mas o "Tuga" é forte e adapta-se aos sítios... sempre foi assim e sempre será!

Eu sou emigrante neste momento e sempre senti este gene no sangue em todas as viagens que fiz. Gosto de fazer check-ins. Gosto de viajar e "desorganizar" a minha vida, voltando depois com a sensação que há toda uma nova vida para construir. Isto acontece-me quando passo um fim-de-semana em Troia ou quando vou um mês para a Austrália!

Em 1948 o meu Avô Paterno, José Queirós, Avô Queirós para os familiares, emigrou para Angola em busca de uma vida melhor para os seus 4 filhos que viviam em São Pedro do Rio Seco. A sua mulher Aida Queirós com quem tinha casado em 1938, era filha de Laura e Sebastião que se haviam conhecido também em Angola.

Esta Laura, que portanto era minha Bisavó, era filha de João Moutinho e Maria Reto. Aparentemente João Moutinho (não o jogador do Porto claro), era guarda fiscal e tinha sido desterrado para Angola por crime de homicidio em serviço. Laura teve mais dois irmãos, Porfirio e Laureano e é deste último senhor que venho aqui contar a história.

Por volta de 1905, Laureano embarcou em Cádiz, rumo à Argentina. Nunca mais ninguém soube dele ou ouvir falar dele. Na aldeia do meu Pai, perguntava-se o que será feito dele? Diz-se que uma vez, alguém que regressou, tinha ouvido falar de um Dom Laureano, senhor de terras nas Pampas, que andava de charrete e tinhas barbas longas.

A verdadeira história dele descobriu-a o meu pai passados muitos anos, na década de 90, pela internet através de um neto de Laureano que dá pelo nome de Juan Carlos. Aparentemente Laureano, casou em Puan, na provincia de Buenos Aires, com Maria Schneider, uma descendente de alemães nascida em Bahia Blanca, provincia das Pampas. Tiveram nada mais, nada menos que 24 filhos (??) e por este feito foram até agraciados pelo Intendente de Alpachiri, terra onde ficaram a viver, pela contribuição para o aumento populacional. Em baixo a foto de Laureano, o seu bigode é fantástico!!



Este verão, em Junho ou talvez Setembro, estou a planear ir trabalhar para uma quinta na Argentina, através do contacto do meu amigo Felipe aqui do RAC. O objectivo é ver como se trabalha a agricultura e pecuária num dos países com as melhores práticas do mundo! Através do primo Juan Carlos, fiquei a saber que o último descendente de Laureano ainda vivo reside numa terra chamada Coronel Suarez a 300 kms da quinta do Felipe. Talvez o vá visitar e unir Portugal a este lado da familia, 108 anos após a partida de Laureano em 1905.

Emigrar... sim, manter as origens... SEMPRE! Think about it...


 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Hospitalidade!

No dicionário de Português que encontrei na Internet, Hospitalidade significa "acção de acolher em casa por caridade ou cortesia".

Em termos de origem da palavra esta vem do latim hospes, que tanto significava “hóspede” como “hospedeiro“. No Latim medieval, hospitale queria dizer “de um hóspede, relativo a ele”, e gerou o Francês hospital (hoje hôpital). Apenas como nota de registo esta palavra também gerou outras palavras como hospicio e hotel, bastante curioso...

Na vida real, hospitalidade significa muito mais do que isso. Trata-se de uma das experiências humanas mais gratificantes quer sejamos o hospitaleiro ou o hospitalizado. Abrirmos a nossa casa para alguém e mostrarmos o nosso mundo, os nossos hábitos, os nossos cozinhados, a nossa poltrona, etc... Tem, na minha opinião um cariz muito maior daquele que à primeira vista possa parecer.

No fundo, significa aquilo que é a vida em sociedade e aquilo que somos enquanto seres humanos... aquilo que nos distingue dos animais... quando somos hospitaleiros ou hóspedes pomos em prática todas as nossas melhores qualidades como socializar, conversar, amar, cuidar, recordar, etc..

A vida tem-me dado algumas oportunidades de ser hospitaleiro, mas tem-me bafejado com a sorte de ser muito bem hospitalizado. Este post é uma pequena homenagem a todos esses momentos e pessoas. Lembrei-me de o escrever depois de ter passado o último mês fora de casa (neste caso, a residência universitária) e nunca me ter faltado um colchão ou um pequeno almoço ou água quente.

Mal cheguei a Portugal para o natal o meu caro compatriota António e sua esposa Margarida fizeram-me uma cama na sua sala de estar.

Ainda em Portugal, o Miguel, aka Viguels, deu-me um quarto em sua casa e não só... uma chave de um carro para eu poder utilizar à vontade e um frigorifico cheio de cervejas... nada mau!

Muitos outros já me acolheram em Portugal desde que vivo no estrangeiro... desde os meus pais até aos meus amigos, passando por hoteis nos dias em que não tinha sitio para ficar. Mas essas experiências são de facto muito importantes para alguém que vive fora e não tem tecto. Os meus agradecimentos a todos eles em especial ao João Valente que no ano passado emprestou-me não um quarto mas um apartamento inteiro!

Mas é de facto no estrangeiro que a experiência de hóspede atinge o seu expoente e sublinho mais uma vez que tenho tido muita sorte em viver experiências extraordinárias.

Á partida tudo parece simples... ficar em casa de um estrangeiro pode parecer igual a ficar em casa de um amigo em Portugal... mas tudo é diferente!!

Como sabemos se a àgua da torneira é potável? Como sabemos sequer onde estão os copos para beber àgua a meio da noite? Onde é e como é a casa de banho?

Em Jacarta, casa do Fauzan, não encontrei papel higiénico, apenas uma mangueira ligada ao autoclismo... gostava que tivessem filmado a minha cara a olhar para aquilo! As casas de banho são de facto dos momentos mais humoristicos e intrigantes. Uma vez em casa de um amigo dinamarquês não conseguia encontrar o duche, até ter percebido que este ficava no tecto no meio da casa de banho... ou seja tomava-se duche no meio da divisão e depois lavava-se as paredes com aqueles instrumentos de limpar janelas de automóveis! O que mais detesto são aquelas torneiras que não são quentes nem frias, são uns manipulos para controlar sabe-se lá o quê!! Entro em pânico quando isto acontece e normalmente já estou dentro do chuveiro quando noto esta situação! Não é fácil...

E a que horas nos devemos levantar? E podemos andar com os sapatos em casa? E se não comermos tudo o que nos sugerem, será uma ofensa? É preciso muito tacto para ultrapassar estas questões mas garanto que são as melhores experiências de vida que se pode viver!

Um grande obrigado ao Piort na Polónia, que me deu o seu quarto e foi dormir para a sala.... ao Christian na Dinamarca que também me deu o seu quarto e cozinhou todos os dias e me ofereceu refeições em restaurantes na cidade de Sondenborg! Á Rose Cooke e à sua familia que me mostraram o que é uma caçada à raposa em Inglaterra e que levavam no carro café e brownies de chocolate para comermos enquanto viamos os cavalos a saltar.

Ao Ferdinand e ao Jacob, Alemães de gema, orgulhosos do seu país e que nem por isso deixaram de receber um estudante Português, nas suas casas de familia em Schleswig-Holstein e Berlim respectivamente. Em casa do Ferdinand também vivi e presenciei os rituais relacionados com caçadas e o que mais me impressionou foi a homenagem aos animais, onde são entoadas canções em sua homenagem, em plena noite e com archotes a arder. Em casa do Jacob o seu Pai falou-me da queda do Muro de Berlim e como foram vividos esses dias... fico fascinado a ouvir estas experiências...
 
 
Ao Norm e Dawn na Austrália que me deram comida e um quarto durante um mês e me mostraram o que é ser um agricultor a sério!! Foram também eles que após muita insistência me mostraram o quão maravilhoso é um cobertor eléctrico... antes pensei que podia morrer electrocutado!

Ao Fauzan na Indonésia, onde havia cozinhados maravilhosos e onde observei os costumes muçulmanos mais de perto como o ramadão. Até me senti mal em comer uma sandes durante o dia enquanto eles jejuavam mas lá teve que ser!

Á Henrietta, minha amiga Inglesa que me mostrou as lindas colinas de Sussex com as suas ovelhas a pastar! Ao também Inglês Nick Bramer, que me acolheu em sua casa em Ross on Ewy, Hereford, e que me deixou pernoitar no quarto onde o Lord Nelson viveu durante uns tempos!

E a todos os outros que sempre me receberam bem como o meu primo Pedro em Sidney, o Rocha em Londres e Mira, o Fred em Melides, o Jiggie na Arrifana, o Pedro Casimiro em Bruxelas, o Gonçalo em Barcelona, a Maria Van Grichen em Amesterdão e até à minha sogra que sempre que vou lá a casa me faz baba de camelo, isto é priceless!! etc.. Estou mesmo agradecido a toda a gente que já me recebeu mesmo se não estiver aqui mencionado.
 
Ser um cidadão do mundo é viver estas histórias, que são pequenas e parecem desinteressantes mas são as melhores que existem! Não devemos nunca tomar esta hospitalidade como algo garantido... devemos agradecer profundamente sempre que nos convidam para jantar ou pernoitar e retribuir com toda a nossa energia... faz parte da experiência humana!

 A próxima vez que forem hospitaleiros ou sejam hóspedes... think about it!!

 



 
 

 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Atenção vegetarianos... vcs estão a dar cabo do mundo!

Os vegetarianos são pessoas que admiro.

É uma admiração parecida aquela que tenho por um jogador de futebol ou um actor de cinema. É uma admiração por alguém que tem uma coragem imensa de fazer algo que eu nunca conseguiria fazer e que por isso merece todo o meu respeito.

Tudo o que se encontra por detrás do ser vegetariano também merece a minha admiração, especialmente a protecção dos animais. Na minha opinião, só estas pessoas podem verdadeiramente condenar as caçadas e matadouros por exemplo... pois todos os que comem carne contribuem para a indústria, embora a grande parte seja de forma passiva enquanto consumidores.

Mas nem tudo são rosas.

Neste momento, os vegetarianos estão a "alimentar" um mercado que está a destruir populações indigenas e a própria natureza. Vejamos alguns exemplos.

A quinoa é uma planta nativa da América do Sul, principalmente originária do Peru e Bolivia. Os seus grãos são, segundo as Nações Unidas, um dos alimentos mais completos do mundo podendo substituir o trigo na produção de farinha, a soja na produção de óleo, o milho no biodiesel e o arroz na alimentação.

Há pouco tempo tratava-se ainda de um cereal obscuro proveniente dos Andes, mas as suas características nutricionais tais como os baixos niveis de gordura, altos níveis de proteina (14-18%) e a presença de aminoácidos essenciais para o funcionamento do corpo humano, começaram a fazer deste alimento um excelente substituto para a carne e bastante procurado entre vegetarianos. As vendas dispararam e desde 2006 que os preços já triplicaram!

Em linguagem de marketing, a quinoa pode-se chamar "O grão miraculoso dos Andes", pois representa uma comida saudável e ética do ponto de vista de não matar animais.

Mas em tudo o que parece bom, há sempre um lado lunar, o chamado dark side. O apetite dos países desenvolvidos, principalmente situados no norte e ocidente do mundo, fizeram aumentar a procura deste grão, e como a oferta não conseguiu acompanhar da mesma maneira, os preços dispararam e neste momento, milhões de camponeses no Perú e na Bolivia já não conseguem comprar este alimento que antes era fundamental na sua alimentação. Importar comida de plástico dos Eua por exemplo é muito mais barato.

Segundo um artigo do The Guardian, neste momento, em Lima, Peru, é mais barato comprar frango do que quinoa! Para além disso a pressão para aumentar a produção, faz com que estas terras, que antes possuiam rotações de culturas e plantas bastante diversificadas, se transformem em monoculturas, o que aumenta o risco de doenças, erosão dos solos, falta de água, etc..

Outro bom exemplo de como esta "alimentação saudável" do norte está a criar desiquilibrios no sul são os espargos. Com o intuito de fornecer esta cultura durante 365 dias do ano aos países insaciáveis do norte, o Perú começou a produzi-los numa região àrida do seu país chamada Ica. Os espargos são plantas sedentas de água, e como tal esgotaram os recursos hidricos da região, conduzindo à emigração em massa!

A soja, um alimento adorado pelo lobby vegetariano, mas também pelos produtores de gado, é outra problemática que conduz à destruição ambiental. A plantação desta cultura já levou à destruição de milhares de hectares na América do Sul.

É engraçado ver como um cereal como a quinoa se torna mais caro no seu país de origem, apenas porque há uma série de estrangeiros interessados com a sáude, protecção animal e reduzirem a pegada ecológica.

Ser vegetariano é uma atitude de vida... na minha opinião uma boa atitude de vida, mas há que ter em atenção os fenómenos de destruição de culturas a milhares de kms e procurar consumir aquilo que se produz localmente.

A próxima vez que virem um vegetariano, think about it!!