segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O outro lado da Malfatta!

A música está sempre a tocar. Não é às vezes. É sempre. Tudo toca. Música Argentina, brasileira, italiana, americana, peruana, africana, clássicos, clássica, rock, Hip Hop, heavy metal, calminha, acelerada, volume alto ou baixo, tanto faz, agora neste momento passa Jonhy Cash. Os vários viajantes que aqui passaram foram deixando música ao Ivan e ele orgulha-se de ter 250 gigas de music files! É como estar num filme e haver sempre uma banda sonora, eu gosto! Às vezes quando vamos para a horta levo o IPad, e também ouvimos música enquanto trabalhamos.

Falamos e rimos muito. Falamos de ideias novas e de mudanças de vida. Todos os que aqui estamos viemos à procura de algo. Uns querem abrir o coração e a mente, outros viajam sem destino e acabam aqui. Mas a verdade é que há uma grande sensibilidade para assuntos de reflexão interna. O Ivan, sendo mais velho, dá os conselhos que pode. No fundo sabe sempre bem falar destas coisas que nos vão no pensamento e partilhar com os outros. No meu caso, a mudança operou-se no dia em que decidi mudar de carreira há dois anos. Embora a mudança física e de rotinas tenha sido imediata, na consciência as coisas não foram imediatas e nem o poderiam ser. Ainda sou muito apegado à cidade e às suas rotinas. Certo é que cada vez que tenho estas experiências de trabalho em quintas evoluo um pouco mais na direcção que escolhi. Uma vida mais calma no campo e na natureza, rodeado pelos animais e culturas. Vivendo com menos. Reciclando e reutilizando. Aprendendo a fazer coisas novas. Tocando nas coisas com as mãos e levando com o vento, sol e chuva na cara.

Mas não é fácil mudar assim. Todos os dias faço disparates. Seja no trabalho quando os porcos fogem ou na cozinha quando corto queijo ou cebolas e deixo bocados enormes colados à casca, sinal claro do desperdício citadino. Também em termos mentais estou sempre a planear as coisas de forma constante e com os olhos no próximo passo, hábitos do escritório. Já levei na cabeça aqui por isso... Aconselham me a viver mais devagar e a saber parar para apreciar os momentos, amando o que me rodeia... Sigue caminando, no sigas corriendo! Não é nada fácil mesmo, mas também não é algo que represente um esforço espartano para mim ou que me incomode. Aprecio esta vida mais lenta e ligada às pequenas coisas. O caminho pode ser longo mas já vai a meio!

A única coisa que não anda devagar é o cavalo Refucilo. Um cavalo selvagem que estava ai a pastar num campo e que galopa que nem uma seta de forma descontrolada. A sensação de galopar em cima dele não tem descrição possível. Antes de ontem mandou-me ao chão de forma um pouco violenta. Não houve lesões... mas pronto, um dia tinha de acontecer.

À noite na lareira também se fala do estado do mundo: do crescimento populacional, energia, água, comida e do que vai ser de nós no futuro com o actual estado das coisas. O crescimento exponencial e o capitalismo são criticados. Dizemos mal dos EUA. Falamos que tudo devia ser de todos. Às vezes parece que estou no "Diários de uma motocicleta" do Che Guevara ou a cantar o Imagine do John Lennon. Não concordo nem discordo de tudo mas é bom estar no meio deste espírito revolucionário Sul Americano. Também temos tido muitas visitas. O Ivan tem muitos amigos que aqui vêm comer e passar a noite. São todos impecáveis e simples... é bom conhecer estas pessoas.

Notícia de última hora: o meu irmão Miguel Queirós vem cá passar 3 dias a partir de quinta-feira. Estar com ele aqui vai ser especial.

A experiência na Malfatta soma e segue, agora é hora de ir preparar mais um petisco, esta quinta devia ter 2 estrelas Michellin!

Think about it!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Uma quinta na Argentina!


O Ivan está a cozinhar e nós vamos ajudando e pomos a mesa. O Ivan é o dono do Rancho La Malfatta (mal feita em Italiano) e nós sou eu, o Benoit de França e o Ambrosi de Itália. Todos diferentes, todos iguais. Pelo menos aqui neste espaço e neste momento do tempo. Daqui a uns dias se calhar chega uma alemã e depois quem sabe outro viajante de qualquer outra nacionalidade.. O portão está aberto!

A Malfatta tem 750 hectares e fica a 20 kilómetros da cidade de Urdinarrain, província de Entre Rios, 230 kms a norte de Buenos Aires. Urdinarrain tem cerca de 8.000 habitantes e a grande maioria são descendentes dos alemães do Volga que para aqui vieram no final do século XIX. Pele clara, olhos claros e muito tranquilos. Aqui há escolas, bastante comércio, mercearias, pessoas na rua, os edifícios são baixos, há uma grande igreja mas apesar disso não se pode dizer que seja um sítio muito bonito, pelo menos no que toca à cidade... pois nas redondezas, Deus tocou neste lugar com bastante cuidado e pintou um quadro bem bonito. Tratam-se de kilometros e kilometros de planícies. Pradarias verdejantes com vacas, cavalos e ovelhas a pastar. Água não falta e mesmo se houver uma temporada de calor, quando vier uma tempestade, podem cair 50 mm numa só noite... Acreditem, é bastante!

Julgando a abundância de recursos na Argentina, é legítimo pensar-se que assim é fácil ser agricultor.

Infelizmente não é bem assim. As vacas também têm mau feitio, os porcos também são gananciosos e as ovelhas idiotas! Os solos também precisam de ser cavados, as bombas de água também avariam e as ervas daninhas crescem como as promessas em tempos de eleições.

O trabalho começa pela manhã. O Ivan não nos obriga a trabalhar nem nos controla nem impõe prazos. O trabalho vai surgindo e faz se à medida que o tempo vai correndo. Quando é tempo de comer come-se, quando é tempo de dormir dorme-se. Como quero aprender o máximo possível dedico-me de sol a sol e faço o máximo de perguntas possíveis. É reconfortante viver neste lugar e um privilégio saber que vou passar aqui um mês. Pergunto-me se estou longe da realidade ou mais perto dela. Sinceramente não sei responder a isto... Sei que esta é uma oportunidade única na vida e à semelhança daquela que tive na Austrália no verão passado não pretendo desperdiçá-la.

A Malfatta é um sítio especial. Pelas paredes há frases escritas, desenhos pintados, fotografias e objectos que testemunham a passagem de muitos couch surfers ou agricultores que aqui vieram à procura de estadia ou experiência de trabalho. A quinta é como um museu vivo. Segundo o Ivan já passaram aqui mais de 300 pessoas. 300 histórias, 300 objectivos, 300 personalidades. Mas apesar disso nota-se que a quinta já esteve no seu pico e encontra-se talvez numa fase descendente. Há algumas coisas por tratar e arranjar e o próprio Ivan já não tem a energia e disponibilidade que deve ter tido antes. É um homem muito sábio e inteligente mas uma lesão numa perna e a morte de uma filha há 6 anos mudaram as coisas... Isto são especulações obviamente pois não estive cá antes para ver...Mas apesar disso canta, sorri, cozinha e tem sempre espaço para uma boa conversa sobre qualquer tópico seja cinema, história ou arte. É um homem especial e mantém as regras bem delineadas aqui em casa. Nós mantemos as coisas arrumadas e ajudamos... mas parece-me que já devem ter passado por aqui muitos cowboys sem regras e educação. Eu gosto do sistema e sinto-me em casa.

A filosofia da quinta é de sustentabilidade. Tudo é reutilizado. Não é reciclado atenção! Tudo o que é papel vai para a lareira. Das embalagens fazem-se vasos. Os restos de comida vão para os porcos. De dois em dois dias fazemos pão. Não há caixote de lixo. Não há água quente. Não há luz na zona dos nossos quartos. Na minha cama não há lençóis e a minha almofada é uma fronha com alguma coisa lá dentro que ainda não tive coragem de espreitar. Vive-se com simplicidade mas vive-se bem e sem pressas. Não há conforto mas sinto-me confortável. Todos os dias há carne, da melhor que já comi ou não estivéssemos na Argentina.

Por falar em comida, daqui a nada o Ivan vai tocar o sino para ir jantar. Apesar de estarmos todos na mesma sala ele insiste em tocá-lo... Deve ser uma tradição que perdura.

É bom voltar a escrever no Blog dos Bosques. Esta estadia na Argentina é a primeira etapa de uma viagem de 4 meses pela América do Sul. Vou tentar escrever sempre que puder e relatar as aventuras na Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Colômbia e Equador. Espero que acompanhem e gostem.

Até lá..

Think about it!


Enviado do meu iPad

domingo, 2 de junho de 2013

10 de Abril de 2011 - The beginning. 2 de Junho de 2013 - The End.

(Texto escrito há  dois anos antes de vir para o RAC)

Lisboa, 10 de Abril de 2011,

Este fim-de-semana fui a Inglaterra conhecer o Royal Agriculture College.

Trata-se de uma Universidade de renome internacional, especializada no ensino das áreas ligadas à Agricultura, Pecuária, Cavalos, Sustentabilidade, etc…

Depois de uma viagem desgastante na sexta á noite, após uma semana de trabalho, cheguei a Londres a casa do Pedro Rocha quase às 2 da manhã.

O tempo era de descanso, pois na manhã seguinte o comboio para a Universidade era na estação de Paddington às 10.15 da manhã, e a casa do Rocha fica do outro lado da cidade.

O comboio partiu à hora certa, não estivéssemos nós em Inglaterra, onde os atrasos são considerados má educação e o funcionamento das coisas depende deste tipo de rigor.

O destino era Cirencester em Gloucestershire, uma vila a 1h e 30 minutos situada a Oeste de Londres, relativamente perto de cidades como Bristol e Bath. Trata-se do interior agrícola de Inglaterra, talvez semelhante ao Ribatejo em Portugal.

Sentia-me tranquilo, já tinha viajado algumas vezes no interior de Inglaterra, em miúdo, por estas bandas, mas desta vez claro que era diferente.

A viagem a olhar pela janela, enquanto o Rocha lia uma revista, tornou-se desde logo numa aventura… olhar para as paisagens verdes, planas e organizadas é de facto bastante diferente daquilo a que estou habituado em Lisboa ou mesmo em Portugal. O dia estava bonito mas também não foi difícil imaginar aqueles campos “rodeados” do mau tempo inglês característico desta ilha…

Na minha mente o objectivo desta viagem era claro: conhecer as instalações da escola, ouvir os professores, fazer o máximo de perguntas possíveis sobre o ensino e sobre o modo de vida, etc  etc… no meu caderno tinha 10 páginas de informação escrita mas nem ia precisar de consultar pois já sabia quase tudo de cor.

A chegada à estação de comboio foi desde logo impactante. A estação era mínima, estava vazia e a primeira porta à nossa frente dava logo para uma rua mal alcatroada. Mas eu tinha o número dos táxis pois já tinha previsto uma coisa destas. Ligamos e do outro lado disseram que demorariam 15 minutos e pediram-nos para esperarmos em frente ao Pub que estava situado a 100 metros da estação.

No caminho para o Pub a paisagem desta zona ficou mais uma vez definida e reforçada: campos verdejantes com muros de 50 cm de altura a separá-los bem como pequenos riachos atravessados por pontes românticas cheias de ervas e musgo. O cenário parecia construído por Tolkien, directamente retirado do Senhor dos Anéis, na terra dos Hobbits, o Shire.

Esperámos pelo táxi num pequeno banquinho. Ao nosso lado, numa pequena caixa da madeira, eram vendidos 6 ovos por 1 libra. Para pagar não era necessário multibanco, apenas deixar o dinheiro numa caixa que lá se encontrava trancada com um pequeno cadeado. Estas pequenas coisas são de facto sinal da confiança existente nas comunidades do campo e que também é normal ver em Portugal. Nas cidades é que definitivamente não existe.

Chegados à universidade, decorreu tudo dentro do normal e esperado. Trata-se de um terreno grande, um campus na verdadeira acepção da palavra, com um edifício central e onde são visíveis as marcas da actividade que se desenrola ali. Há atrelados de tractor no parque de estacionamento, botas cheias de lama em alguns corredores entre outros vestígios campestres que me entravam nos olhos adentro e eu nem conseguia fixar todos.

Conhecemos as instalações desportivas (campos de futebol, rugby, ténis e pavilhão), a biblioteca, os alojamentos (casa de banho, uma cama e uma mesa), a capela, as salas de aula, o refeitório, a sala comum, etc.. e uma das primeiras conclusões que ficou patente na visita foi a simplicidade das coisas. Tinha algum receio de encontrar um ambiente elitista ou mesmo aristocrático comum em algumas instituições inglesas mas o que encontrei foi de facto simplicidade, organização e funcionalidade. Não chegamos a visitar, mas existem 4 quintas em redor da faculdade onde são dadas as aulas práticas e onde se pode meter a mão na massa!

Depois foi a altura de conhecer as pessoas e os mesmos pressupostos se mantiveram no que toca à simplicidade. Fomos bem recebidos pelos professores e funcionários da escola e até havia um pequeno buffet para matar a fome pois já era meio-dia. Um professor Brasileiro responsável pelos MBA’s facilitou a integração e mencionou desde logo uma tendência após o primeiro contacto: que o meu perfil estava cada vez mais a candidatar-se para aquela instituição: advogados, gestores, contabilistas, etc… que chegam aos 30 anos e sentem necessidade, perante a conjuntura actual, de reforçar o seu know how e conhecimentos numa área crucial no futuro como é a Agricultura.

Posteriormente tinha marcada uma entrevista com o Director do Curso. Expliquei-lhe que não sabia nada desta área e que tinha um background em Gestão. Expliquei-lhe que no futuro gostava de trabalhar nesta área e desenvolver um projecto em Portugal, mas que para isso precisava de aprender os essenciais da agricultura na perspectiva do seu funcionamento, gestão do negócio e tendências futuras. Antes de se pronunciar sobre as minhas hipóteses de entrada ele disse que me queria contratar para as finanças da escola hehe mas logo a seguir disse que se eu me quisesse candidatar não deveria ter problemas em entrar.

Enfim, este foi o primeiro contacto com a realidade desta universidade… foi um choque para mim, pois vivo na cidade, já trabalho em escritórios há 7 anos e tudo aquilo é diferente do que experienciei até hoje. Mas no global, foi uma experiência bastante positiva e que veio reforçar a minha intenção de me candidatar ao próximo ano lectivo que tem inicio já em Outubro de 2011.
(Think about it!)

terça-feira, 28 de maio de 2013

Experiências nutricionais com vacas - Poster presentation 28/05/2013

Hoje tenho uma das apresentações mais importantes no meu curso aqui no RAC, para o módulo Advanced Animal Production. Trata-se de um poster de cariz investigacional, que pretende explicar um avanço tecnológico na àrea da pecuária e resultados obtidos a partir do mesmo.
 
Escolhi trabalhar numa àrea que me chocou/fascinou. Para se obter um melhor conhecimento do sistema digestivo das vacas, pode-se instalar uma espécie de bolsa de borracha (ver foto abaixo) que tem acesso directo ao estômago (rumen) do animal. Desta forma pode-se observar ao vivo (sim, ao vivo!!), o que se passa no estômago do animal e permite particularmente fazer estudos sobre quais os melhores alimentos em termos de degradação de proteínas. Desta forma poderá ser possível alimentar os animais de forma mais eficiente, dando-lhes rações que não desperdiçam tantos nutrientes importantes pelas fezes ou pela urina.
 
Em termos de bem estar dos animais fiz alguma pesquisa e não existe qualquer impacto. Não existem relatos de complicações, sendo esta uma técnica usada há quase 150 anos, mas que foi evoluindo obviamente. Aliás, esta técnica foi descoberta em 1812, quando um soldado americano ferido por um florete, ficou com uma abertura no estômago e não lhe deram mais de 1 dia de vida. Ainda viveu mais 40 anos e sempre com a abertura no estômago visível. Ao que parece, não há infecções porque o estômago tem uma elevada capacidade de limpeza das mesmas!

 Segue a foto do poster que vou apresentar!
 
Think about it!
 

terça-feira, 21 de maio de 2013

O Futebol em Portugal - emoções à flor da pele!

Adoro futebol. Aliás amo futebol.

Mas preocupa-me a situação para que caminhamos hoje em dia em termos de rivalidades clubísticas e pergunto-me o que poderá ser feito para evitar a escalada de violência fisica e de palavras a que assistimos hoje em dia.

Se hoje tivesse 7 ou 8 anos, acho que não poderia gostar do futebol da mesma maneira que gosto, pois a minha aproximação a este desporto aconteceu num outro quadro: um ambiente saudável e de puro amor pelo desporto.

Quando tinha 6 anos vi o Porto ganhar a Taça dos Campeões Europeus. Lembro-me que a taça era grande e lembro-me do capitão de equipa João Pinto que não largava o troféu por mais que os seus colegas lhe pedissem. Estávamos em 1987.

No ano antes, 1986, já exultava com a colecção de cromos da Panini do México 86, e desde então que faço todas as colecções de Europeus e Mundiais. Faltam-me alguns cromos de algumas cadernetas, mas nada que não se resolva com umas idas ao Rossio trocar cromos.

Por breves instantes, depois da vitória do Porto em 87, acho que fui adepto dos dragões, mas algumas semanas depois o meu Pai, que não suporta qualquer clube nem percebe nada de futebol, levou-me à final da taça de Portugal no Jamor entre Benfica e Sporting e os lugares eram na bancada central. Estavamos a 10 de Junho de 87. Á esquerda havia uma mancha verde. Á direita uma mancha vermelha. O Benfica ganhou 2-1 ao Sporting e para sempre fiquei do Benfica.

Nos anos seguintes da minha juventude os meus tios e primos da Covilhã aliciavam-me com pastilhas elásticas para que eu mudasse para o Sporting. E chocolates também. Uma vez a minha resposta foi "Tens ai contigo os chocolates?" Não ia mudar mas claro que queria os chocolates.

Não me lembro do Benfica ir à final da Taça dos Campeões Europeus de 88 em que o Veloso falhou o penalty, mas lembro-me da final de 90, no Prater, em que Frank Rijkard nos marcou um golo e o resultado final ficou 1-0 para o Ac Milan. Aquele Milão de Gullitt, Van Basten e Rijkard que nos maravilhou no final dos anos 80 e início dos 90. Que grande equipa liderada por outros grandes jogadores como Baresi e Maldini.

Na final do Itália 90, estava um dia quente e lembro-me de ver o Maradona a chorar. Na altura, na minha escola quando jogavamos uns com os outros diziamos que erámos o Maradona. Mas também não me esqueço do choque que tive quando se descobriu que ele consumia cocaina, uma desilusão.

Quando fui para a Escola Delfim Santos nos Altos dos Moinhos, em Lisboa corria o ano de 1991. A partir daqui a minha relação com o futebol deixou de ser apenas o ver pela televisão e fazer cadernetas de cromos.

Tinha 10 anos e queria estar mais perto do acontecimento.

A minha escola ficava a cerca de 1 kilometro do velhinho estádio da luz.

Nesta altura já comprava A Bola ou o Record com o dinheiro do almoço ou umas moedas surripiadas à minha mãe ou ao meu pai. Guardava os exemplares todos, e tempos houve em que cheguei a passá-los a ferro para não se amolgarem. Ainda guardo hoje em dia capas miticas, não só so Benfica mas de momentos de glória de Portugal, do Porto e do Sporting.

Com 10 anos já tinha passe de autocarro e ia sozinho para a escola. Na escola pública não tinhamos aulas de tarde todos os dias, por isso da primeira vez que o Casca e o Caranguejo do Bairro da Horta Nova me disseram "Bora ao Benfica?", eu nem hesitei.

O obejctivo na altura era ir apanhar pratas dos maços de cigarro e ir vendê-las ao pé do califa. Nas Segundas-Feiras a seguir aos jogos, as bancadas estavam cheias de maços vazios. Abriamos o maço vazio, tirávamos a prata que antes estava a cobrir os cigarros e iamos vender. O valor era ridiculo. Por cerca de 200 ou 300 pratas conseguiamos 100 escudos. Mas estar naquele estádio era o máximo para um puto xarila como eu.

Com o tempo continuamos a ir para lá fazer disparates e passear. Iamos para o camarote presidencial, para o museu do Benfica, saltavamos para o relvado, iamos a correr até ao meio campo e voltavamos a correr para a bancada com medo que alguém nos visse. Um dia pusemos mais de 100 torneiras a correr, tapamos os ralos e fugimos a correr. Selvagens..

Com o tempo, ir para o estádio nos tempos livres era a rotina. Para fazer disparates, ver os treinos, passear, namorar, qualquer coisa... o importante era ir para lá. O meu primeiro beijo a sério daqueles de telenovela. foi dado à Ana Rita, minha namorada da altura, num jardim que havia em frente ao pavilhão Borges Coutinho, à volta do estádio.

Em 92 inscrevi-me no ténis do Benfica. Um dia enquanto esperava por um amigo meu na porta principal do estádio da luz, com a minha raquete na mão, o Eusébio veio ter comigo e perguntou-me "Jogas ténis?" e eu respondi que sim. Ele ia só de passagem e sorriu-me, não disse mais nada... Tinha 11 anos e ele ainda parecia um jovem.

Nesta altura estava a despontar a geração de ouro do futebol português. Figo, Peixe, João Pinto, entre outros. No mundial de 91, na meia final com a Austrália, a minha mãe não me deixou ficar acordado a ver o jogo. Mas eu fiquei a janela do meu querto, porque dava para ouvir os golos. Ganhamos 1-0 com um golo espectacular do Rui Costa de fora da àrea. Na altura o Rui Costa deu uma entrevista a dizer que tinha sido o golo da vida dele. Na época seguinte ele marcou um golo semelhante ao Sporting Espinho e fora do estádio da Luz, fui falar com ele e perguntei-lhe "Rui, qual foi o golo da tua vida afinal? Este com o Espinho ou contra a Austrália?" Ele riu-se para mim e disse-me que tinha sido o da Austrália.

Em 1993 e 1994 vivi alguns dos momentos mais épicos no futebol, pelo menos no meu imaginário de criança.

Portugal jogava a qualificação para o Mundial 94 que se ia realizar nos Estados Unidos. O nosso treinador era Carlos Queirós e o nosso grupo de qualificação tinha a Suiça de Chapuisat e a Itália de Roberto Baggio que viria a estar na final.

No jogo fora com a Suiça, Portugal estagiou no estádio da luz antes de viajar. Li na Bola que o treino seria às 9 no estádio. Eram férias de páscoa ou carnaval e eu fui de bicicleta sozinho para o estádio por volta das 7.30. Queria ver os meus idolos a chegar porque o treino seria à porta fechada. Por volta das 8 chegou uma carrinha em frente ao estádio que transportava os equipamentos.

3 ou 4 responsáveis da selecção, vestidos de fatos de treino da selecção da marca Hummel, começaram a transportar tudo para o balneário até que houve um que reparou em mim de bicicleta, sozinho, em frente ao estádio, pois não estava lá mais nenhum louco, e disse-me "Miudo, queres ajudar?". Estava a sonhar! Ajudei a levar as bolas para dentro do balneário e outros sacos com chuteiras e tudo mais. Num dos momentos quando estava a arrumar as coisas começararam a entrar um por um: Vitor Baia, Figo, João Pinto, Oceano, Fernando Couto, Futre, Semedo, Paulo Sousa, Rui Àguas, Rui Barros, Jorge Costa, entre outros. Pedi autógrafos a todos.

Nesse mesmo ano, em 1993, e a jogar para a qualificação do Mundial 94, Portugal recebeu a Estónia em Novembro e precisava de ganhar por 4-0. Apenas ganhámos por 3-0 mas eu fui ao jogo no estádio da Luz. O jogo era à noite, por isso liguei aos meus pais e disse-lhes que ia ao jogo com o meu primo João. Na verdade, e com 12 anos, fui sozinho para um estádio lotado com 120.000 pessoas. Pedi a um velhote para entrar com ele, e mal entrámos fugi e arranquei escada acima para um jogo memorável. Obviamente que quando cheguei a casa fui apanhado e fiquei de castigo vários meses..

Nesta altura vibrava com o Sporting na taça uefa e fiquei devastado quando perderam com o Salzburgo no prolongamento, culpa do Costinha. Via os jogos do Porto na Champions League e exaltei quando ganharam 5-0 ao Werder Bremen fora. Na capa da Bola do dia seguinte dizia" O melhor líbero da Europa não se chama Franco Baresi, chama-se Fernando Couto e jogou ontem em Bremen. Vi o Benfica ganhar 6-3 ao Sporting de Figo, Balakov e Juskowiak com 3 golos de João Pinto. Foi o momento mais alto do meu fanatismo e que nunca mais se repetiu... um herói a remar contra tudo e contra todos.

Muitas mais histórias destas pessei nesta altura mas não vale a pena escrever mais. Com o passar dos anos, obviamente começei a ir menos para o estádio (tinha outras coisas para fazer como estudar hehe) e hoje com 31 anos já fui a grandes palcos europeus como Wembley, Camp Nou, Barnabéu, Gelsenkrichen e Old Trafford. Continuo e fazer cadernetas de cromos e gosto de analisar tácticas, equipas, estatísticas e acima de tudo vejo N jogos de 90 minutos com um simples objectivo: ver grandes golos e jogadas dos grandes mestres... o objectivo máximo do futebol. Também joguei federado vários anos Futsal e este ano até tive a minha experiência de treinador aqui no RAC.

Por toda esta forma como cresci no futebol, incomoda-me a situação que se vê hoje em Portugal e que eu próprio também contribui para ela. Já não exalto com as vitórias na Europa dos meus adversários. Já não me interessa muito ir a treinos de futebol ou viver a mistica do futebol. O que interessa são os resultados... porque GANHAR tornou-se a única forma de estar bem, tudo o resto é mau e tem que se mudar o treinador e jogadores. O futebol é agora um negócio de milhões e o amor à camisola tornou-se secundário.

Com o passar dos anos, gozar e apontar problemas é mais importante que ganhar e ver os jogos.

A situação de tensão e rivalidade que existe em Portugal é algo assustador. A raiva e agressão patentes no discurso das pessoas é algo que está atingir patamares preocupantes. Um jogo grande tem que ter 1000 polícias?? 1000???? Árbitros agredidos em centros comerciais? E se fossem os nossos pais ou tios a serem agredidos por causa do trabalho deles? Pedras em autocarros, confrontos de claques, etc são coisas que espelham a situação do futebol português dos últimos anos.

De quem é a culpa? Pinto da Costa? Do Facebook? Tretas!! A culpa é de cada um de nós que se deixa envolver em emoções estúpidas e opostas aquilo que é a verdadeira realidade do jogo. Interessa mais que os nossos adversários percam para os podermos magoar no Facebook do que ver o nosso clube a ganhar e festejar? E se agora estamos sim, como será no futuro?

É que não me parece que as coisas estejam a melhorar e não vejo responsáveis de clubes ou políticos a dar verdadeira importância ao assunto. Educação não?

Os últimos dois títulos que o Benfica ganhou, em 2005 e 2010, todos os adeptos de clubes contrários dizem que o primeiro foi devido a um lance irregular que foi falta do Luisão sobre o Ricardo e o segundo, o ano do campeonato dos túneis... em que o Hulk agrediu seguranças no estádio da luz. Este ano, quando tudo indicava que iamos ganhar de novo já se estavam a preparar para nos apontar mais coisas como o Capela ou sujinho, sujinho, etc.. Ou seja, neste momento, já nem me sinto feliz quando ganho e não dou valor quando os outros ganham e não gosto disso..

Estas coisas acontecem porque os adeptos benfiquistas fazem o mesmo quando os outros ganham... gozam e espezinham, arranjam motivos como o apito dourado e outros, não dando mérito à vitória dos outros.

Porque temos que fazer isso? Não dá para ver o jogo pelo jogo e deixar de dar desculpas? Não dá para falarmos apenas de aspectos técnicos e dos jogadores, ou mesmo que se fale sobre àrbitros, lembrar-nos que a época tem 50 jogos e cada jogo 90 minutos, e que não dá para acertar sempre... eu já fui árbitro de jogos e é muito dificil apitar!

O presidente do Benfica, que levantou o clube de uma situação bastante complicada, devia dar uma conferência de imprensa a pedir desculpa a todos os Sportinguistas e Portistas por certas atitudes que alguns adeptos tomam. Acho que ele em particular não tem contribuido para polémicas, mas como presidente devia ser a luz para guiar os adeptos em termos de valores. Não escrevam em monumentos, não comemorem antes do tempo, não chamem cabeçudo aos outros ou não mandem petardos.

Devia haver uma espécie de 10 mandamentos do adepto Benfiquista em termos de comportamento face a outras equipas.

Só assim poderemos ser respeitados: respeitando os outros.

As recentes reacções às derrotas de Benfica por parte de adeptos opostos não nasceram do nada... de certeza que nós já fizemos semelhante e portanto temos de parar de o fazer.

Concluindo, não estou satisfeito com a forma como se vive o futebol português hoje em dia. Não respeito muitas vezes os outros clubes portugueses e os outros adeptos não respeitam o meu clube.. penso que as coisas não precisam de ser assim. Como o futebol está associado a muitas emoções, esta falta de respeito passa para as amizades e para as relações entre as pessoas e isso é a parte que mais me assusta e que me faz sentir mal.

Rivalidade sim, mas com qualidade e classe.

Esta é uma visão muito pessoal das coisas, obviamente que há quem se esteja borrifando para o futebol e outros para quem a bola é tudo. Eu encontro-me no meio dos dois mas acabo como começei:

Adoro futebol. Aliás, amo futebol!

Saudações campestres,

Think about it!


 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Arrotos de vacas!


O aumento da concentração de gases de estufa na atmosfera é uma causa directa do aquecimento global. Este fenómeno, que se traduz pelo aumento das temperaturas, tende a piorar. Alguns cenários para o seculo XXI, indicam aumentos médios de temperaturas entre 1 a 6 graus, o que ira aumentar a incidência de acontecimentos extremos como secas, cheias, tempestades, fogos, erosão dos solos, etc..

Estes acontecimentos podem revelar-se catastróficos para o ambiente e para a produção de comida a nível global. Num cenário de crescimento populacional, em que se esperam cerca de 9 biliões de pessoas em 2050, e como tal a produção de comida deveria duplicar, é dificil compreender como a sociedade aceita e nao actua de modo a reduzir estas emissões.

O gas de estufa mais comum é o dióxido de carbono. Fala-se muito deste gás e no conceito de pegada ecológica, no fundo a quantidade de dióxido de carbono produzida por determinado acontecimento versus um acontecimento alternativo. Desde o século XVIII que a concentração deste gás na atmosfera aumentou 30%, sendo a principal causa a combustão de combustíveis fósseis.

Mas um dos gases de estufa mais nocivos é o metano. O metano (CH4), é responsavel por 16% do total de emissões de gases estufa na atmosfera, e destes 16%, cerca de 40% deve-se à agricultura, em particular a produção animal. Tendo em conta que o metano tem um potencial de aquecimento global 20 vezes maior que o dióxido de carbono, a situação é preocupante.

O metano é formado por duas fontes: eructação animal (arrotos) e estrume, sendo o peso de cada um deles para o total das emissões de 85% e 15%, respectivamente.

Parace que a melhor maneira de parar o aquecimento global é então impedir as vacas e as ovelhas de arrotar!

Este gás e formado no estômago dos animais ruminantes (vacas e ovelhas) através do processo de fermentação. As bactérias presentes no estômago destes animais (o rumen), actuam sobre a comida e enquanto uma das partes é transformada em ácidos gordos (usados como fonte de energia e proteinas para o animal), outra parte transforma-se em Hidrogénio (H2), que por sua vez vai ser originar metano através da acção dos organismos metanogénicos. O metano é depois lançado na atmosfera atraves do esófago pelos “arrotos” dos animais.

Nos animais monogástricos, como o porco, a galinha ou o homem, não existem tantos processos de fermentação no estômago, o que faz com que não haja tanta produção de metano. Nestes animais, a flatulência (puns), é o veículo de lançamento do metano produzido para a atmosfera.

Para se reduzir os “arrotos” das vacas é necessario minimizar a parte da comida que é transformada em hidrogénio. É preciso encontrar rações que aproveitem melhor as proteinas e a energia inserida. Estima-se que cerca de 70% das proteinas (nitrogénio) ingeridas pelos animais não são aproveitadas, saindo dos animais através da urina e das fezes. Esta é uma das principais razões porque se diz que produzir gado bovino é altamente ineficiente. A urina e as fezes voltam para os solos através da adubação, mas a verdade é que este processo também contribui para a produção de outro gás de estufa: o óxido nítrico (N2O), que tem um potencial de aquecimento global de 310 vezes mais que o dióxido de carbono!

Ja existe muita investigação a ser desenvolvida para aumentar os níveis de proteína retidos pelos animais ruminantes. O desafio agora é transmitir e motivar os agricultores para aplicarem estas medidas. Uma das medidas passa por diminuir o nível de proteínas nas rações, substituindo-as por ácidos gordos e outros aditivos como taninos. Mas será que diminuindo o nível de proteínas que damos aos animais estamos a comprometer a produção de leite e carne? O que é mais importante: o ambiente ou a produção (lucro)?

Este é um dos grandes desafios ambientais para o futuro… quando virem uma vaca a arrotar...think about it!

 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Uma Quinta no Alentejo!

No passado mês de Março estive cerca de duas semanas a trabalhar numa Quinta no Alentejo, na zona de Vendas Novas. Não se pode dizer que tenha sido um trabalho propriamente dito. Ao contrário de outras situações em que tive de guiar tractores ou carregar coisas, aqui estive mais a acompanhar o responsável da exploração e a ver como se fazem as coisas.

E que boa experiência foi! Que bonito é o Alentejo no fim do Inverno! Todo verdinho!

O responsável e dono da exploração, João Soares, recebeu-me de braços abertos em sua casa e respondeu-me de forma incansável a todas as minhas perguntas, muitas das quais bastante idiotas.

Mais uma vez fui alvo de grande hospitalidade e só tenho a agradecer por isso.

Foi o meu primeiro contacto com a Agricultura Portuguesa. Já estava a precisar de ter um contacto com a nossa realidade e ouvir as coisas em Português foi um alivio! Aprender tudo em Inglês é cansativo e processar a informação na minha mente na nossa lingua foi como uma esponja a absorver a informação!

Algumas coisas que dizem sobre a Agricultura Portuguesa são um mito, outras são ainda piores do que se dizem.. Duas semanas não deu para aprender tudo, mas deu para ter um primeiro contacto e para perceber como o João toma as suas decisões.

O total da exploração estava dividido em 3 propriedades, totalizando cerca de 1700 Ha.

As produções da exploração são vacas para carne, pinheiro manso, sobreiros, cereais (trigo e milho) e azevém para forragens.

Não me parece bem estar aqui a expor no blogue a estratégia, os problemas ou as vantagens competitivas da exploração do João mas foi bastante interessante perceber como são tomadas as decisões:

- Maquinaria: sub-contratar ou adquirir maquinaria nova? New Holland ou John Deere? Quantos cavalos? Quais os outros equipamentos necessários? Comprar em segunda mão?

- Sementeiras: Usar sementeira directa? Qual o impacto de diferentes técnicas de semear nos níveis de matéria orgânica do solo? Quando semear? Deve-se mobilizar os solos ou não?

- Adubações e Herbicidas: O glifosato faz mal às plantas? Quando adubar as pastagens? Em que quantidades? Com que condições metereológicas?

- Solos: Qual a importância dos solos na estratégia da quinta? Quais as vantagens do solos argilosos ou arenosos? Como incorporar e manter matéria orgânica no solo? Qual a utilidade de correcções calcáreas?

- Pessoas: Quais as dificuldades que se têm com as pessoas que trabalham na quinta? Qual o papel do veterinário na estratégia da quinta? Deverá ser um custo ou um parceiro?

- Mercados: para quem se vende? Quem oferece contratos? Como funciona o mercado de Montemor? Quem são os grande players no mercado de cereais em Portugal e como funciona?

- Estado e outros agentes: Quais são os subsidios à disposição dos agricultores? Qual o enquadramento legal e fiscal do panorama agricola português? Os bancos ajudam a agricultura em Portugal? Quanto custa um Ha de boa terra?

- Animais: Qual a importância da genética nos animais? Qual a estratégia de reprodução? Qual a estratégia de alimentação? Que raças utilizar e porquê?

- Cereais: fazer ou não fazer cereais? Como planear a irrigação? Fazer cereais para grão ou para forragens?

- Edificios: Ter edificios agricolas? Para quê? Que tipo e em que condições? Estabular os animais ou deixá-los lá fora 365 dias por ano? Qual a capacidade de armazenagem que uma quinta deve ter?


Todas estas áreas e muitas outras foram abordadas nas minhas conversas com o João e sobre elas aprendi coisas novas. Até aprendi qual é a diferença entre uma Azinheira e um Sobreiro ou entre um Pinheiro Bravo e Pinheiro Manso!

Para cada pergunta existem várias respostas, pois determinados acontecimentos podem depender de vários factores. Acima de tudo há que perceber que a agricultura não é estanque e depende de várias variáveis, que combinadas entre si de diferentes maneiras podem ter diferentes resultados.

Ou seja, não há uma fórmula de sucesso!

Percebi que apesar do que se diz, há muitas coisas boas a serem feitas em Portugal neste momento!

Há bons produtores com boas práticas que estão a contribuir para o desenvolvimento do mercado. Não é um mercado morto como muitos pensam e não há muita terra boa ao desbarato para dar e vender! Mas apesar de tudo isto há muitas oportunidades. Há tecnologias e metodologias que podem ser implementadas em Portugal e trazer vantagens competitivas a quem queira trabalhar de forma séria e responsável.

O caminho ainda é longo, mas com o interesse das novas gerações, com o apoio da sociedade e com uma grande força de vontade e profissionalismo é possivel a Portugal recuperar e modernizar as suas estruturas agrárias, aumentando os nossos níveis de auto-sustentabilidade e contribuindo para as exportações.

Força Portugal.... Think about it!!