sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Por terras de Diego Armando Maradona!

Li recentemente, que desde que a "nova" crise começou já sairam de Portugal cerca de 200.000 pessoas em busca de uma nova vida. Chamo-lhe nova crise, porque dá-me a impressão que sempre vivemos em crise, esta é só mais uma com características diferentes... uma crise financeira chamam-lhe as pessoas e os jornais!

Mas crises aparte, nosso povo sempre teve este gene do emigrante no sangue! Estamos em todo o mundo... orgulhamo-nos de que a segunda cidade com mais Portugueses no mundo é Paris! Até temos um estilo musical para relembrar com saudade aqueles que partiram para outros cantos do mundo.

Na minha familia, há bastantes histórias de emigrantes, especialmente do lado do meu Pai, onde os habitantes de São Pedro do Rio Seco, concelho de Almeida, emigravam para outras paragens em busca de iniciar uma vida nova. Outros partiam para regressar no futuro com algumas posses e enviando remessas enquanto esse dia não chegava.

As emigrações desses dias não são como as de hoje. Não havia Facebook para partilhar as aventuras nem Skype para falar com familiares. Não havia pessoas à espera no local de origem. As viagens faziam-se de barco e as condições de dormir ou comer eram 1.000 vezes pior que viajar na Ryanair. Mas o "Tuga" é forte e adapta-se aos sítios... sempre foi assim e sempre será!

Eu sou emigrante neste momento e sempre senti este gene no sangue em todas as viagens que fiz. Gosto de fazer check-ins. Gosto de viajar e "desorganizar" a minha vida, voltando depois com a sensação que há toda uma nova vida para construir. Isto acontece-me quando passo um fim-de-semana em Troia ou quando vou um mês para a Austrália!

Em 1948 o meu Avô Paterno, José Queirós, Avô Queirós para os familiares, emigrou para Angola em busca de uma vida melhor para os seus 4 filhos que viviam em São Pedro do Rio Seco. A sua mulher Aida Queirós com quem tinha casado em 1938, era filha de Laura e Sebastião que se haviam conhecido também em Angola.

Esta Laura, que portanto era minha Bisavó, era filha de João Moutinho e Maria Reto. Aparentemente João Moutinho (não o jogador do Porto claro), era guarda fiscal e tinha sido desterrado para Angola por crime de homicidio em serviço. Laura teve mais dois irmãos, Porfirio e Laureano e é deste último senhor que venho aqui contar a história.

Por volta de 1905, Laureano embarcou em Cádiz, rumo à Argentina. Nunca mais ninguém soube dele ou ouvir falar dele. Na aldeia do meu Pai, perguntava-se o que será feito dele? Diz-se que uma vez, alguém que regressou, tinha ouvido falar de um Dom Laureano, senhor de terras nas Pampas, que andava de charrete e tinhas barbas longas.

A verdadeira história dele descobriu-a o meu pai passados muitos anos, na década de 90, pela internet através de um neto de Laureano que dá pelo nome de Juan Carlos. Aparentemente Laureano, casou em Puan, na provincia de Buenos Aires, com Maria Schneider, uma descendente de alemães nascida em Bahia Blanca, provincia das Pampas. Tiveram nada mais, nada menos que 24 filhos (??) e por este feito foram até agraciados pelo Intendente de Alpachiri, terra onde ficaram a viver, pela contribuição para o aumento populacional. Em baixo a foto de Laureano, o seu bigode é fantástico!!



Este verão, em Junho ou talvez Setembro, estou a planear ir trabalhar para uma quinta na Argentina, através do contacto do meu amigo Felipe aqui do RAC. O objectivo é ver como se trabalha a agricultura e pecuária num dos países com as melhores práticas do mundo! Através do primo Juan Carlos, fiquei a saber que o último descendente de Laureano ainda vivo reside numa terra chamada Coronel Suarez a 300 kms da quinta do Felipe. Talvez o vá visitar e unir Portugal a este lado da familia, 108 anos após a partida de Laureano em 1905.

Emigrar... sim, manter as origens... SEMPRE! Think about it...


 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Hospitalidade!

No dicionário de Português que encontrei na Internet, Hospitalidade significa "acção de acolher em casa por caridade ou cortesia".

Em termos de origem da palavra esta vem do latim hospes, que tanto significava “hóspede” como “hospedeiro“. No Latim medieval, hospitale queria dizer “de um hóspede, relativo a ele”, e gerou o Francês hospital (hoje hôpital). Apenas como nota de registo esta palavra também gerou outras palavras como hospicio e hotel, bastante curioso...

Na vida real, hospitalidade significa muito mais do que isso. Trata-se de uma das experiências humanas mais gratificantes quer sejamos o hospitaleiro ou o hospitalizado. Abrirmos a nossa casa para alguém e mostrarmos o nosso mundo, os nossos hábitos, os nossos cozinhados, a nossa poltrona, etc... Tem, na minha opinião um cariz muito maior daquele que à primeira vista possa parecer.

No fundo, significa aquilo que é a vida em sociedade e aquilo que somos enquanto seres humanos... aquilo que nos distingue dos animais... quando somos hospitaleiros ou hóspedes pomos em prática todas as nossas melhores qualidades como socializar, conversar, amar, cuidar, recordar, etc..

A vida tem-me dado algumas oportunidades de ser hospitaleiro, mas tem-me bafejado com a sorte de ser muito bem hospitalizado. Este post é uma pequena homenagem a todos esses momentos e pessoas. Lembrei-me de o escrever depois de ter passado o último mês fora de casa (neste caso, a residência universitária) e nunca me ter faltado um colchão ou um pequeno almoço ou água quente.

Mal cheguei a Portugal para o natal o meu caro compatriota António e sua esposa Margarida fizeram-me uma cama na sua sala de estar.

Ainda em Portugal, o Miguel, aka Viguels, deu-me um quarto em sua casa e não só... uma chave de um carro para eu poder utilizar à vontade e um frigorifico cheio de cervejas... nada mau!

Muitos outros já me acolheram em Portugal desde que vivo no estrangeiro... desde os meus pais até aos meus amigos, passando por hoteis nos dias em que não tinha sitio para ficar. Mas essas experiências são de facto muito importantes para alguém que vive fora e não tem tecto. Os meus agradecimentos a todos eles em especial ao João Valente que no ano passado emprestou-me não um quarto mas um apartamento inteiro!

Mas é de facto no estrangeiro que a experiência de hóspede atinge o seu expoente e sublinho mais uma vez que tenho tido muita sorte em viver experiências extraordinárias.

Á partida tudo parece simples... ficar em casa de um estrangeiro pode parecer igual a ficar em casa de um amigo em Portugal... mas tudo é diferente!!

Como sabemos se a àgua da torneira é potável? Como sabemos sequer onde estão os copos para beber àgua a meio da noite? Onde é e como é a casa de banho?

Em Jacarta, casa do Fauzan, não encontrei papel higiénico, apenas uma mangueira ligada ao autoclismo... gostava que tivessem filmado a minha cara a olhar para aquilo! As casas de banho são de facto dos momentos mais humoristicos e intrigantes. Uma vez em casa de um amigo dinamarquês não conseguia encontrar o duche, até ter percebido que este ficava no tecto no meio da casa de banho... ou seja tomava-se duche no meio da divisão e depois lavava-se as paredes com aqueles instrumentos de limpar janelas de automóveis! O que mais detesto são aquelas torneiras que não são quentes nem frias, são uns manipulos para controlar sabe-se lá o quê!! Entro em pânico quando isto acontece e normalmente já estou dentro do chuveiro quando noto esta situação! Não é fácil...

E a que horas nos devemos levantar? E podemos andar com os sapatos em casa? E se não comermos tudo o que nos sugerem, será uma ofensa? É preciso muito tacto para ultrapassar estas questões mas garanto que são as melhores experiências de vida que se pode viver!

Um grande obrigado ao Piort na Polónia, que me deu o seu quarto e foi dormir para a sala.... ao Christian na Dinamarca que também me deu o seu quarto e cozinhou todos os dias e me ofereceu refeições em restaurantes na cidade de Sondenborg! Á Rose Cooke e à sua familia que me mostraram o que é uma caçada à raposa em Inglaterra e que levavam no carro café e brownies de chocolate para comermos enquanto viamos os cavalos a saltar.

Ao Ferdinand e ao Jacob, Alemães de gema, orgulhosos do seu país e que nem por isso deixaram de receber um estudante Português, nas suas casas de familia em Schleswig-Holstein e Berlim respectivamente. Em casa do Ferdinand também vivi e presenciei os rituais relacionados com caçadas e o que mais me impressionou foi a homenagem aos animais, onde são entoadas canções em sua homenagem, em plena noite e com archotes a arder. Em casa do Jacob o seu Pai falou-me da queda do Muro de Berlim e como foram vividos esses dias... fico fascinado a ouvir estas experiências...
 
 
Ao Norm e Dawn na Austrália que me deram comida e um quarto durante um mês e me mostraram o que é ser um agricultor a sério!! Foram também eles que após muita insistência me mostraram o quão maravilhoso é um cobertor eléctrico... antes pensei que podia morrer electrocutado!

Ao Fauzan na Indonésia, onde havia cozinhados maravilhosos e onde observei os costumes muçulmanos mais de perto como o ramadão. Até me senti mal em comer uma sandes durante o dia enquanto eles jejuavam mas lá teve que ser!

Á Henrietta, minha amiga Inglesa que me mostrou as lindas colinas de Sussex com as suas ovelhas a pastar! Ao também Inglês Nick Bramer, que me acolheu em sua casa em Ross on Ewy, Hereford, e que me deixou pernoitar no quarto onde o Lord Nelson viveu durante uns tempos!

E a todos os outros que sempre me receberam bem como o meu primo Pedro em Sidney, o Rocha em Londres e Mira, o Fred em Melides, o Jiggie na Arrifana, o Pedro Casimiro em Bruxelas, o Gonçalo em Barcelona, a Maria Van Grichen em Amesterdão e até à minha sogra que sempre que vou lá a casa me faz baba de camelo, isto é priceless!! etc.. Estou mesmo agradecido a toda a gente que já me recebeu mesmo se não estiver aqui mencionado.
 
Ser um cidadão do mundo é viver estas histórias, que são pequenas e parecem desinteressantes mas são as melhores que existem! Não devemos nunca tomar esta hospitalidade como algo garantido... devemos agradecer profundamente sempre que nos convidam para jantar ou pernoitar e retribuir com toda a nossa energia... faz parte da experiência humana!

 A próxima vez que forem hospitaleiros ou sejam hóspedes... think about it!!

 



 
 

 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Atenção vegetarianos... vcs estão a dar cabo do mundo!

Os vegetarianos são pessoas que admiro.

É uma admiração parecida aquela que tenho por um jogador de futebol ou um actor de cinema. É uma admiração por alguém que tem uma coragem imensa de fazer algo que eu nunca conseguiria fazer e que por isso merece todo o meu respeito.

Tudo o que se encontra por detrás do ser vegetariano também merece a minha admiração, especialmente a protecção dos animais. Na minha opinião, só estas pessoas podem verdadeiramente condenar as caçadas e matadouros por exemplo... pois todos os que comem carne contribuem para a indústria, embora a grande parte seja de forma passiva enquanto consumidores.

Mas nem tudo são rosas.

Neste momento, os vegetarianos estão a "alimentar" um mercado que está a destruir populações indigenas e a própria natureza. Vejamos alguns exemplos.

A quinoa é uma planta nativa da América do Sul, principalmente originária do Peru e Bolivia. Os seus grãos são, segundo as Nações Unidas, um dos alimentos mais completos do mundo podendo substituir o trigo na produção de farinha, a soja na produção de óleo, o milho no biodiesel e o arroz na alimentação.

Há pouco tempo tratava-se ainda de um cereal obscuro proveniente dos Andes, mas as suas características nutricionais tais como os baixos niveis de gordura, altos níveis de proteina (14-18%) e a presença de aminoácidos essenciais para o funcionamento do corpo humano, começaram a fazer deste alimento um excelente substituto para a carne e bastante procurado entre vegetarianos. As vendas dispararam e desde 2006 que os preços já triplicaram!

Em linguagem de marketing, a quinoa pode-se chamar "O grão miraculoso dos Andes", pois representa uma comida saudável e ética do ponto de vista de não matar animais.

Mas em tudo o que parece bom, há sempre um lado lunar, o chamado dark side. O apetite dos países desenvolvidos, principalmente situados no norte e ocidente do mundo, fizeram aumentar a procura deste grão, e como a oferta não conseguiu acompanhar da mesma maneira, os preços dispararam e neste momento, milhões de camponeses no Perú e na Bolivia já não conseguem comprar este alimento que antes era fundamental na sua alimentação. Importar comida de plástico dos Eua por exemplo é muito mais barato.

Segundo um artigo do The Guardian, neste momento, em Lima, Peru, é mais barato comprar frango do que quinoa! Para além disso a pressão para aumentar a produção, faz com que estas terras, que antes possuiam rotações de culturas e plantas bastante diversificadas, se transformem em monoculturas, o que aumenta o risco de doenças, erosão dos solos, falta de água, etc..

Outro bom exemplo de como esta "alimentação saudável" do norte está a criar desiquilibrios no sul são os espargos. Com o intuito de fornecer esta cultura durante 365 dias do ano aos países insaciáveis do norte, o Perú começou a produzi-los numa região àrida do seu país chamada Ica. Os espargos são plantas sedentas de água, e como tal esgotaram os recursos hidricos da região, conduzindo à emigração em massa!

A soja, um alimento adorado pelo lobby vegetariano, mas também pelos produtores de gado, é outra problemática que conduz à destruição ambiental. A plantação desta cultura já levou à destruição de milhares de hectares na América do Sul.

É engraçado ver como um cereal como a quinoa se torna mais caro no seu país de origem, apenas porque há uma série de estrangeiros interessados com a sáude, protecção animal e reduzirem a pegada ecológica.

Ser vegetariano é uma atitude de vida... na minha opinião uma boa atitude de vida, mas há que ter em atenção os fenómenos de destruição de culturas a milhares de kms e procurar consumir aquilo que se produz localmente.

A próxima vez que virem um vegetariano, think about it!!



segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Matéria orgânica no solo!

Os solos são uma das àreas mais importantes na agricultura por razões óbvias. São também uma das àreas mais complexas que tenho estudado aqui no RAC por toda a componente cientifica que envolve esta temática. Não tendo um background de ciência é mais dificil, mas tudo se torna mais claro com a observação directa e experiências em laboratório que temos nas aulas.

O solo é normalmente constituido por 25% de àgua, 25% de ar, 45% de matéria mineral (argilas ou areias por exemplo) e 5% de matéria orgânica.

Mas afinal o que é isto da matéria orgânica?

No fundo são todos os restos de plantas ou animais que se encontram em decomposição ou já decompostos no solo. Esta decomposição é feita pelos microorganismos presentes no solo, no fundo as bactérias, fungos, minhocas, etc. Calcula-se que numa grama de solo haja mais de 1 milhão de bactérias! Quando estas bactérias e organimos vivos "atacam" estes restos, há uma parte que é libertada no ar em forma de dióxido de carbono. A outra parte permanece no solo naquilo a que chamamos de humus. Trata-se de uma camada escura, castanha ou preta, que se encontra na superficie do solo ou na sua primeira camada, o chamado top soil (primeiros 15 cm).

Em termos fisicos esta matéria orgânica é muito importante pois ela é responsável por agregar as particulas minerais do solo como as argilas ou a areia. É assim como uma espécie de cola. Para além disso facilita o crescimento das raizes, deixando o ar circular melhor, tendo ao mesmo tempo uma elevada capacidade de reter àgua, o que permite irrigar melhor os solos (menos desperdicio).

Em termos quimicos a matéria orgânica é uma fonte de nutrientes para as plantas, especialmente Nitrogénio (Azoto), mas também fosfatos e potássio. Esta capacidade de atrair e reter nutrientes é fundamental para o sucesso da chamada agricultura orgânica. Neste método de cultivo, e ao contrário da agricultura convencional, não se podem adicionar os chamados fertilizantes quimicos. A única fonte de nutrientes disponivel é esta matéria orgânica por isso a eficiência da sua gestão é fundamental.

O cultivo apenas baseado na matéria orgânica tem vindo a ter cada vez mais sucesso, pois o consumidor tem vindo a ganhar cada vez mais consciência das vantagens para o ambiente. De facto, este método não permite o uso de pesticidas e fertilizantes o que de certa forma evita a contaminação dos solos e a presença de elementos quimicos indesejados na comida. Mas por outro lado, e apesar da matéria orgânica tornar as plantas mais fortes em termos de defesas, não se consegue a mesma protecção para as plantas que se teria com um pesticida normal. Também em termos de retorno as diferenças são enormes. Um hectare de trigo convencional onde tenham sido aplicados fertlizantes consegue gerar 8 toneladas de grão (no Reino Unido), enquanto que contando apenas com a matéria organica para adubar se conseguem 3 toneladas na melhor das hipóteses. Para além de se ter menos retorno, trata-se de uma colheita mais frágil e menos previsivel.. nunca se sabe como vão ser os resultados.

Para os defensores e consumidores do orgânico, os meus parabéns, estão de facto a contribiur para um maior equilibrio ambiental nos campos. Apenas fica uma nota: não se iludam, não é possivel alimentar 7 biliões de pessoas ou os 9 biliões previstos para 2050 por este método... simplesmente não há terra suficiente para isso.

Uma das questões mais importantes na matéria orgânica é a sua gestão no terreno. Quando as plantas a absorvem ela tem de ser substituida, ou seja faz tudo parte de um ciclo. Algumas das práticas mais comuns passam por espalhar estrume nos campos, deixar a palha e o restolho (restos do milho ou sorgo por exemplo) após as colheitas, o plantio directo, etc, ou seja tudo práticas que permitam que mais residuos vegetais e animais fiquem no solo! Lavrar os terrenos, ou seja revirar o solo, é uma prática altamente desaconselhada nesta modalidade pois envia a matéria orgânica para baixo do solo e ela lá fica.

Termino com uma frase de Roosevelt proferida em 1937 "A nation that destroys its soil, destroys itself!"

É importante que os governos tenham planos e organizações que pensem nesta temática dos solos, pois trata-se de uma das maiores riquezas de um pais, mais que ter ouro ou diamantes. Desconheço a situação ao pormenor em Portugal, mas as cartas de solos são todas antiquissimas e a informação que existe é que os nossos solos são pobres em termos de matéria orgânica... o que está a ser feito para combater isto? É importante reforçar que tal como foi dito no inicio, parte da decomposição da matéria orgânica é enviada para atmosfera em forma de dióxido de carbono. Ou seja se não a soubermos reter, vamos não só ficar com solos mais pobres mas também com o ar mais poluido..

Think about it!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Cabeças de cavalo e afins!


O bem-estar dos animais na pecuária e uma das áreas que mais me interessa no âmbito dos meus estudos agrícolas.

Trata-se de uma das áreas mais em foco no RAC, e nas aulas que temos sobre vacas, porcos e galinhas, metade do tempo e dedicado as técnicas de exploração efectivamente ditas dos animais (carne, leite, ovos, etc..) e a outra metade e dedicada ao chamado welfare dos mesmos.

Recentemente publiquei no Facebook uma fotografia da cabeça de um cavalo, cujo cérebro estivemos a dissecar numa aula sobre ciência animal. A fotografia em questão pode ser um pouco chocante para pessoas mais sensíveis mas levanta também um dos pontos principais que quero abordar neste texto: ate que ponto as pessoas realmente se preocupam com os animais?

Não tenho a resposta para esta questão mas dá-me a sensação que a sociedade em geral gosta de dizer que se preocupa com os animais, mas prefere não ver o que se passa na vida real... O que e isto então? Preocupam-se ou não se preocupam?

Não devemos julgar ninguem nesta área, pois são questões muito sensíveis e as pessoas podem não gostar de sangue ou sentirem-se enjoadas, etc... Mas queria deixar alguns pontos que julgo serem importantes para a sociedade reflectir, particularmente para que, no seu papel de consumidores, possam pensar neles.

Em primeiro lugar, qual e a moral que alguém pode ter em dizer que se preocupa com o bem-estar dos animais e depois come carne e outros produtos derivados dos animais? Quando se alimentam todos os dias, as pessoas preocupam-se com a origem da carne e com o bem-estar do animal de onde a mesma veio? Ou preocupam-se mais com o preço e com o sabor e aspecto da comida?

Penso que a resposta a esta pergunta e bastante clara: as pessoas gostam de ver a carne barata e bem embalada e com uma boa cor, mas não se preocupam com a origem da mesma. Apenas confiam que deve haver uma mão invisível... Talvez leis que protegem os animais nas quintas de origem... mas não se dão ao trabalho de investigar.

Porque mesmo que haja leis meus amigos, e mesmo que determinados pressupostos de bem-estar estejam garantidos para estes animais, eles são sempre alvo de grandes privações e sofrimento.

Isto leva-me a minha segunda questão. No contexto da PAC Europeia define-se que para garantir o bem-estar de um animal ele deve ter as chamadas 5 liberdades:

- Acesso a agua potável,

- Acesso a comida,

- Não deve ter medo,

- Conforto e abrigo,

- Oportunidade de expressar o seu comportamento normal,

A questão e então: São estes critérios suficientes para garantir o bem-estar dos animais? Na minha opinião, isto e uma falsa questão e nem sequer se devia colocar. Se realmente nos preocupamos com o bem-estar dos animais então não os deviamos comer, não os deviamos matar em matadouros bem desinfectados, não devíamos prende-los em estábulos e campos com cercas, não devíamos limitar o seu comportamento sexual, não devíamos interferir na alimentação, etc...

Para a maioria das vacas a única relação sexual que tem na vida e com uma palhinha... A chamada inseminação artificial, e depois quando o vitelo nasce e logo separado da mãe, para que esta nos possa dar o leite para os cereais de pequeno-almoço e fazer queijinho e manteiga... Meninas, gostavam que isto vos acontecesse? Que vos tirassem ano apos ano o vosso filho, para que pudessem ser exploradas e tirarem produtos dos vossos corpos?

E quanto ao transporte dos animais? Quantos de vocês gostavam de ser transportados em camiões apinhados, a suportar falta de água e temperaturas extremas de frio ou calor? Faz lembrar um pouco o holocausto quando havia pessoas a ser transportadas em condições desumanas para campos de concentração.

Mas o que interessa tudo isto, se o bife vier com um bom molho, batatas fritas e ainda um vinho delicioso a acompanhar?

Se realmente nos preocupamos com animais porque levamos os nossos filhos ao zoo e lhes mostramos o urso polar a apanhar sol?

Tal como referi, apenas queria levantar estes pontos, de forma um pouco extrema talvez, para que as pessoas possam pensar nas coisas de uma forma lucida e informada.

Na minha opinião há que aceitar sem falsos moralismos a estrutura da cadeia alimentar. As espécies desenvolvem-se e crescem porque são as mais fortes tal como Darwin estudou e comprovou. Desta forma, o ser humano vingou na terra porque foi mais forte que os outros e isso deve-nos permitir encarar a questão de comer animais de forma normal e sem preconceitos. Os animais são criados numa perspectiva de exploração, depois são mortos, tira-se a pele e corta-se a carcaça em partes para ser comida depois. Desde pequenos que devíamos conhecer esta realidade e na escola devia haver visitas de estudo a mostrar como tudo isto se faz.

Aliado a esta transparência de processos, penso que deveria haver um grande investimento na fiscalização do bem-estar dos animais, para que não haja produtores a fazer mal aos mesmos a priva-los das 5 liberdades mencionadas acima. Produtores que não respeitassem as leis deveriam ser severamente punidos.

Se houvesse mais abertura para mostrar as pessoas o que realmente se passa, ou seja se desde pequenos nas escolas, fossemos obrigados a ver o que se passa e mesmo participar no processo, as pessoas estariam mais informadas e o mercado seria menos corrupto e mais transparente. Os produtores que tem vacas apenas para receber subsídios mas que as deixam morrer a fome poderiam ser condenados. Leis como aumentar as gaiolas de galinhas de 450 cm para 750 cm cúbicos seriam uma anedota!

Tudo isto para que quando o consumidor chegasse ao supermercado pudesse ver na embalagem se aquele animal foi criado ao ar livre, como foi abatido, se foi criado com a mãe, etc..

Num contexto em que Portugal tem de aumentar a sua produção de comida, prevejo que haja muitas oportunidades no mercado para mostrar aos consumidores que determinada comida e melhor que outra pelo simples motivo que este ou aquele animal foi tratado com mais respeito que outro. O respeito pelos animais pode e dever ser encarado como uma vantagem competitiva de mercado e no fundo e uma situação win win: os produtos são melhores e o consumidor fica mais satisfeito por saber que se esta a respeitar a natureza!

Concluindo, a meu ver, apenas os vegetaríamos podem ter moral para criticar qualquer foto de um animal abatido, pois de facto os animais que são explorados para proveito dos humanos, sofrem bastante e tem bastantes privações. Se a nossa moral nos permitir aceitar isso apenas temos que os respeitar então e assegurar que ninguém passa os limites e que todos os animais têm direito as 5 liberdades. Os consumidores devem também procurar informar-se mais e não enfiar o assunto debaixo do tapete... Fingir que não acontece e o mesmo que negar educação aos nossos filhos e não resolve o problema.

Think about it!

 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Back on Campus!

O verão já lá vai... o maior da minha vida até hoje! 4 meses!! 120 dias de férias não acontecem todos os anos... mas na minha cabeça faz-se um sentido de justiça depois de 7 anos de trabalho e verões na universidade passados em estágios para alimentar o CV com mais umas linhas.

Destes 120 dias, cerca de 45 foram passados na Austrália a trabalhar numa quinta. Foi uma das experiências mais humildes e enriquecedoras da minha vida. Acordar às 5 da manhã com a geada, ir buscar as vacas ao campo, ordenhá-las, cortar o pescoço a galinhas, alimentar porcos, guiar o tractor, etc.. foram tudo experiências que me mostraram aquilo que é a vida numa quinta e talvez o que me espera no futuro.

Acima de tudo serviu-me para perceber que quero enveredar por esta àrea. Os turnos de 12-14 horas diários ao ar livre não são nada comparados com uma manhã sentado num escritório a falar ao telefone e a escrever mails!! Trabalhar na natureza é um sonho tornado realidade e é tão instintivo como comer ou dormir.

O homem vive na natureza há 50.000 anos, porque que é que de repente, nos útimos 200 anos, decidiu enfiar-se em fábricas e escritórios??

Com o passar dos dias na Austrália já começava a olhar para a evolução do crescimento das plantas, os padrões metereológicos, procurava pegadas de predadores no chão, enfim, comecei a desenvolver um conjunto de skills que auxiliavam na gestão diária da quinta e que na cidade não existem certamente. Certamente que passado 1 mês e meio sobre essa experiência já estou a perder essas habilidades... é preciso uma prática constante e a aprendizagem é diária!

Agora mais um ano em Inglaterra, um ano para começar a planear como gostaria fazer a minha entrada neste meio agricola. Há que avaliar várias hipóteses... trabalhar para outros ao inicio, em Portugal ou no estrangeiro, com animais ou com cereais, com frutas ou vegetais, com capital próprio ou alheio, etc.. um conjunto de escolhas que podem significar caminhos completamente diferentes. Acima de tudo com a consciência que é um meio bastante dificil, técnico e competitivo e só com muita seriedade poderei ter algum sucesso. Com o passar do tempo até o significado da palavra sucesso se vai moldando na minha cabeça. Acho que vai ser importante ser competente em duas ou três àreas, dado que a rotação é fundamental na agricultura, mas acima de tudo gostava de ter um bocado de terra e sobreviver disso.. este é o meu novo conceito de sucesso!

O primeiro ano foi introdutório, não sabia nada de agricultura ou pecuária e ainda por cima a aprendizagem era em Inglês! Já absorvi algumas coisas básicas mas ainda há um longo caminho a percorrer. Escolhi para este ano cadeiras relacionadas com a elaboração de Forragens (fundamentais para a alimentação dos animais no inverno), Gestão dos Solos, Água e Irrigação, Maquinaria, Edificios Agrícolas e Produção Animal Avançada. A pecuária é a àrea que me chama mais atenção neste momento, mas ainda ontem lia um artigo sobre um produtor de vinhos que há 10 anos odiava vinhas, por isso vamos ver como será o futuro!

O RAC continua igual a si mesmo... frio, chuvoso e com uma população que vai desde os Ingleses que só se preocupam em beber cerveja até aos mais estudiosos que só vivem para o seu PHD. Eu encontro-me algures no meio e este ano com a responsabilidade da equipa de futebol, a vertente desportiva fica reforçada. Inscrevi-me também na natação esta semana... a primeira sessão foi ontem e sem dúvida que gostava de manter esta saudavel actividade.

Durante esta primeira semana no RAC, também conhecemos o Ministro da Agricultura de Inglaterra. Reunimos com ele cerca de 25 estudantes de agricultura e conversamos de forma informal e descontraida. Sem pressas e distâncias hierarquicas, David Heath falou-nos sobre as suas visões da agricultura mundial e as suas maiores preocupações. Todos tivemos a oportunidade de falar e expôr os nossos pontos de vista. Foi de facto uma excelente experiência. Dúvido que semelhante acontecimento pudesse desenrolar-se em Portugal com o mesmo à vontade e interesse por parte de uma figura política.

Enfim, a vida continua, 1 ano já lá vai e outro está para vir. As saudades este ano são maiores que no ano passado. Familia e amigos são a coisa mais importante que temos no mundo e custa estar longe deles, especialmente no meio da chuva e frio! Mas são opções de vida e daqui a 5 minutos já é 2020!

Blog dos Bosques is back!

Think about it!!







 

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Uma quinta na Austrália!

3 cães, 4 gatos, 12 vitelos, 9 porcos, 2 pavões, 1 pelicano, 1 cavalo e inúmeras galinhas e patos… são estes os animais que habitam no jardim da quinta onde estou a trabalhar na Austrália. Todos vivem em equilíbrio uns com uns outros, mas muitos também acabam no prato do Norm e da Dawn que se orgulham de não ir a um talho há bastante tempo

Este casal que anda na casa dos 60`s é aquilo a que se pode chamar um casal adorável. Têm dois filhos que já não vivem na quinta, mas cuja presença em fotografias e outros pequenos detalhes ainda se encontra dentro destas paredes. Também esses filhos já têm filhos hoje em dia, e foram viver para a cidade… não quiseram ficar no campo. Um deles mudou-se para Sidney, o que diga-se não é uma má cidade para se viver. Os poucos dias que lá passei mostraram-me uma das cidades mais bonitas e funcionais do mundo, sinal mais! Vale a pena visitar os seus monumentos, parques e ruas com gente jovem e bandas a atuar.

Quando cá cheguei, ao ler um guia turístico, fui relembrado de algo que a primeira vista parece não ter grande importância, mas que faz toda a diferença na cultura de um país: a Austrália só existe há 200 anos! Pelo menos enquanto país e com este nome. Nos últimos 50.000 anos foi habitada pelo povo aborígene que caçava, dançava, cozinhava, pintava e fazia amor durante o dia e depois no dia seguinte… voltava a fazer o mesmo! Até que o Diabo Branco chegou e alterou tudo isto… hoje em dia os aborígenes são uma raça marginalizada dentro da sociedade Aussie e estão associados a problemas de prostituição, crime e drogas. Alguns deles são também os melhores desportistas e artistas do pais, mas é impressionante verificar o que os povos colonizadores fizeram a estes povos.. Portugal também estragou a vida a muita gente nas Áfricas e Américas, mas gostamos de nos lembrar que inventámos o compasso marítimo e fomos brilhantes ao dividir o mundo em Tordesilhas.

São também um dos países mais ricos em minérios do mundo! Têm tudo e mais alguma coisa e oportunidades não faltam para quem quiser trabalhar nesta área. Sendo uma das profissões mais perigosas do mundo as empresas Australianas pagam cerca de 20.000 euros/mês (sim por mês!!)para quem quiser fazer turnos de 16 horas/dia a 300 metros de profundidade sem seguro de vida. Se queres fazer 240.000 euros por ano e não te importas com estas condições, vem para a Austrália jovem!!

E assim temos este jovem país, que inicialmente foi habitado pelos expatriados e condenados britânicos e depois por outros imigrantes de diversas nacionalidades. Nota-se no entanto que foi um país que evoluiu influenciado pela esfera da commonwealth: bebem chá, guiam à esquerda e gostam de cerveja. Os desportos nacionais são o cricket, rugby e futebol australiano, que embora não se compare ao nosso futebol é muito interessante também. Mas apesar das semelhanças, e depois de ter vivido um ano no UK, posso também dizer com alguma segurança que os Australianos já souberam criar a sua identidade e parecem-me mais descontraídos, sociáveis e amigáveis que os Ingleses.

A quinta onde estou a trabalhar fica em Stanhope, no estado de Victoria, berço da nação Agrícola Australiana. Stanhope fica a 36 graus sul do equador, a mesma distância a que Portugal fica do equador, mas a norte. Esta questão está a ser bastante boa para a minha aprendizagem agrícola pois as características meteorológicas são bastante semelhantes com as nossas. A última coisa do mundo que pretendia era ter sido colocado numa quinta de produção super intensiva cheia de maquinaria pesada e relações complexas com clientes e fornecedores. Ou seja, até podia ter acontecido ter calhado numa situação dessas pois quando vim não sabia bem para o que vinha. Mas em vez de uma quinta virada para o mercado e para o lucro, o que encontrei foi um lugar virado para a natureza e com pessoas amigáveis, o que me deixou bastante satisfeito. Obviamente que uma quinta precisa de fazer dinheiro e ninguém pode viver sem isso, mas é preferível e possível fazê-lo respeitando o ambiente e os animais que nele habitam.

Digamos que estou a trabalhar numa quinta “Free Range”.

Stanhope foi alvo de milhões e milhões de dólares de investimento no seculo XX, cujo objetivo foi a construção de canais que permitissem fazer a rega dos campos. Talvez Portugal pudesse ter aproveitado os fundos Europeus para fazer algo de semelhante em vez de andar a alimentar o bolso de políticos corruptos ou a fazer quilómetros de alcatrão. Ao todo estes canais irrigam uma área que tem uma extensão de 150 km de altura por 300 kms de comprimento. A coisa é tão fácil como isto: quando o Norm quer regar os campos, basta abrir o canal que está ao fundo do seu terreno e a água vem deslizando suavemente pelos campos. Obviamente que o terreno é ligeiramente inclinado por milímetros para permitir que a água escorra. Trata-se de uma zona de criação de gado bovino, ovelhas e também de cereais. Na região onde me encontro, há muitas unidades de produção de carne e também de leite.

Aqui na quinta temos também 96 vacas leiteiras que têm de ser ordenhadas 2 vezes por dia, às 5 da manhã e às 16 da tarde. Nas primeiras duas semanas estive a ajudar o jovem Dylan que já trabalha aqui há uns meses. Na sexta passada já fiz o processo todo sozinho o que envolveu algum grau de responsabilidade e autonomia. Estava com algum receio mas correu tudo bem, à exceção que nos primeiros minutos tinha um filtro mal ligado e perdi alguns 30 litros de leite para o cano de esgoto…

Na quinta fui muito bem recebido pelo casal Norm e Dawn. Não recebo ordenado mas tenho um quarto confortável, comida caseira com fartura e até me “deram” uma moto 4 para o meu trabalho diário e para me deslocar. Não há vida social nas redondezas mas o trabalho ocupa-me grande parte do dia. Faço de tudo desde a ordenha das vacas, arranjar cercas, guiar o trator, semear solos, alimentar os animais e muitas outras coisas do dia a dia de uma quinta! Às vezes os animais fogem e tem que se andar atrás deles, quem disse que uma vaca não consegue correr? Em campo aberto correm mais que nós, pelo que já me apercebi. Também vou tendo outras experiências engraçadas, hoje por exemplo o responsável pela inseminação artificial das vacas veio à quinta e, no meio do processo, desafiou-me a por uma luva até ao ombro e a enfiar o braço dentro da vaca até sentir os ovários da sra., muito didático. Mais tarde tínhamos que dar um remédio a uma vaca e tive que lhe agarrar na cabeça e por os dedos no nariz com toda a força para a obrigar a abrir a boca, enfim, coisas do dia a dia.

No meio disto tudo o Norm acompanha-me em tudo. Que sorte ter encontrado uma pessoa como ele. Já tem cerca de 64 anos mas tem um espirito de um jovem de 20 anos. Diria que é um homem que devia ter vivido na altura do Renascimento. Nunca viajou mas lê livros sobre tudo e mais alguma coisa. Está sempre a receber livros pelo correio que compra em segunda mão na internet e diz-me todo contente “ O que me interessa se estas palavras são em segunda mão?”, interessa-se por arte e por física. Adora cozinhar, antecipa a meteorologia, e sabe sempre quando vai fazer geada. Arranja tudo o que estiver estragado e não desiste até resolver um problema com a maior calma e paciência do mundo. Em duas semanas já criei uma relação de amizade com ele bastante boa. Para além de ser um senhor bastante interessante também tem um elevado sentido de humor. Às vezes levanto-me e digo-lhe que não me apetece ir trabalhar e ele ri-se que nem um perdido. Às vezes quando ele cozinha eu digo-lhe que não gosto da comida e ele diz-me que eu posso então enfiá-la por um sítio acima haha. Resumindo, é bastante bem disposto e passamos o dia alegres enquanto trabalhamos! Entretanto, ele também foi durante vários anos professor de agricultura numa universidade da Austrália e explica-me todas as dúvidas que eu tenho. Ainda esta semana vamos ao Mercado vender uns porcos e vamos matar umas galinhas para comer… ele diz que tenho de ser eu a fazê-lo… Vai ser giro! Acima de tudo ele confia em mim e vai-me propondo vários desafios. Acho que esta é a melhor maneira de trabalhar com pessoas: confiando nelas para se poder aproveitar o potencial.

Melhor que isto acho que seria difícil, tive bastante sorte em encontrar um local assim. Claro que já tenho muitas saudades de Portugal e quando penso que estou enfiado no inverno australiano enquanto é verão no nosso pais, custa bastante. Mas ao mesmo tempo está a ser uma experiência enriquecedora e inesquecível. Mais umas semanas e já poderei comer marisco em Portugal e estar com os amigos e família.

Muitas saudades e abraços do outro lado do mundo, e não se esqueçam…Think about it!